{"id":11791,"date":"2026-10-14T07:25:00","date_gmt":"2026-10-14T10:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=11791"},"modified":"2026-10-13T15:13:19","modified_gmt":"2026-10-13T18:13:19","slug":"estudo-identifica-desigualdades-no-rastreamento-do-cancer-de-mama-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=11791","title":{"rendered":"Estudo identifica desigualdades no rastreamento do c\u00e2ncer de mama no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, 54,4% das mulheres entre 50 e 69 anos realizam mamografias a cada dois anos, percentual abaixo das diretrizes propostas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, que sugerem cobertura m\u00ednima de 70%. Ra\u00e7a, escolaridade, h\u00e1bitos de vida, regi\u00e3o demogr\u00e1fica e acesso \u00e0 sa\u00fade est\u00e3o entre os principais fatores associados ao rastreamento e diagn\u00f3stico precoce de c\u00e2ncer de mama. \u00c9 o que indica a pesquisa <a href=\"https:\/\/share.google\/nXqG38gDNakVfSfMe\">\u201cFatores individuais e contextuais associados ao rastreamento do c\u00e2ncer de mama no Brasil\u201d<\/a>, coordenada pelo professor Gustavo Velasquez-Melendez, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Sa\u00fade P\u00fablica da Escola de Enfermagem da UFMG. Publicado na revista cient\u00edfica BMC Public Health, o estudo analisou dados da Pesquisa Nacional da Sa\u00fade (PNS).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/exame-de-mamografia-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11853\" style=\"width:493px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/exame-de-mamografia-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/exame-de-mamografia-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/exame-de-mamografia-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/exame-de-mamografia-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/exame-de-mamografia.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Realizar a mamografia regularmente aumenta as chances de diagn\u00f3stico precoce e tratamento mais eficaz do c\u00e2ncer de mama.<br>Foto: HC-UFMG<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o Observat\u00f3rio Global de C\u00e2ncer (GLOBOCAN), o c\u00e2ncer de mama \u00e9 o tipo de c\u00e2ncer mais comum entre as mulheres e ocupa a quinta posi\u00e7\u00e3o entre as principais causas de morte por c\u00e2ncer em todo o mundo. Em 2020, foram registrados mais de 19,3 milh\u00f5es de novos casos de c\u00e2ncer no mundo. Dados de 2023 do Instituto Nacional de C\u00e2ncer registram 73.610 novos casos de c\u00e2ncer de mama no Brasil, o que representa 30% de todos os casos de c\u00e2ncer em mulheres, excluindo-se o c\u00e2ncer de pele n\u00e3o melanoma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Gustavo Vel\u00e1squez explica que os programas de sa\u00fade voltados ao rastreamento s\u00e3o uma importante forma de diagnosticar precocemente a doen\u00e7a e reduzir as taxas de mortalidade, mas s\u00e3o afetados por desigualdades contextuais e individuais. \u201cO rastreamento precoce do c\u00e2ncer de mama depende de servi\u00e7os de refer\u00eancia, infraestrutura diagn\u00f3stica, estrat\u00e9gias no \u00e2mbito da sa\u00fade p\u00fablica e acesso a recursos financeiros e tecnol\u00f3gicos por parte da popula\u00e7\u00e3o. No entanto, \u00e9 poss\u00edvel identificar disparidades no acesso a esses recursos entre as regi\u00f5es e os estados brasileiros, particularmente em \u00e1reas com desigualdades sociodemogr\u00e1ficas, econ\u00f4micas e culturais significativas, como as regi\u00f5es Norte, Nordeste e Centro-Oeste\u201d, afirma. Para ele, \u00e9 importante considerar um conjunto de vari\u00e1veis que v\u00e3o al\u00e9m do indiv\u00edduo, a fim de compreender melhor a complexa rela\u00e7\u00e3o entre fatores individuais e ambientais como determinantes dos resultados de sa\u00fade no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>H\u00e1bitos de vida individuais<br><\/strong>De acordo com o estudo, fatores individuais como idade mais avan\u00e7ada, baixa escolaridade, menor renda familiar, h\u00e1bitos de vida n\u00e3o saud\u00e1veis, presen\u00e7a de outras condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e autoavalia\u00e7\u00e3o negativa do estado de sa\u00fade esteve associado ao menor acesso a exames de mamografia regulares. Os achados revelam que mulheres pretas e pardas apresentaram menor preval\u00eancia de realiza\u00e7\u00e3o de mamografia (48,6%) do que mulheres brancas (59,8%), enquanto mulheres de 50 a 59 anos realizaram mais exames preventivos (57,1%) do que aquelas de 60 a 69 anos (50,5%). O n\u00edvel de escolaridade tamb\u00e9m representou uma diferen\u00e7a expressiva: entre as mulheres com 12 anos ou mais de estudo, 74,4% haviam realizado o exame. O percentual foi de 65,8% entre aquelas com nove a 11 anos de escolaridade e de 46,4% entre as que tinham de zero a oito anos de estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1bitos saud\u00e1veis, como a pr\u00e1tica regular de atividade f\u00edsica e o n\u00e3o tabagismo, indicaram um aumento da probabilidade de realizar um exame de mamografia. Entre as mulheres que praticavam atividade f\u00edsica regularmente, 73,3% afirmaram ter realizado o exame nos \u00faltimos dois anos. Entre aquelas que avaliaram o pr\u00f3prio estado de sa\u00fade como positivo, o percentual foi de 61,3%. O estado civil tamb\u00e9m pode influenciar a ades\u00e3o das mulheres, visto que o percentual foi de 53,1% para as que vivem com companheiros em compara\u00e7\u00e3o com 46,9% entre mulheres solteiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O coordenador da pesquisa, professor Gustavo, sinaliza que as pessoas com h\u00e1bitos saud\u00e1veis s\u00e3o mais propensas a agendar consultas m\u00e9dicas e a se preocupar com o estado de sa\u00fade. \u201cO estudo constatou que maior escolaridade, estilo de vida saud\u00e1vel, excesso de peso e possuir plano de sa\u00fade privado estavam associados \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da mamografia, uma vez que esses fatores est\u00e3o relacionados ao maior acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e aos servi\u00e7os de sa\u00fade. A atividade f\u00edsica, especialmente em n\u00edveis de alta intensidade, \u00e9 um forte indicativo de comportamento preventivo em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer de mama. O tabagismo ao longo da vida, por sua vez, aumenta o risco de c\u00e2ncer de mama invasivo em at\u00e9 85% se tiver in\u00edcio mais de 10 anos antes do primeiro parto.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Desigualdades sociodemogr\u00e1ficas<br><\/strong>O estudo tamb\u00e9m analisou aspectos contextuais relativos \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de mamografias, como acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade, profissionais de sa\u00fade especializados, servi\u00e7os de detec\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico, pol\u00edticas p\u00fablicas, \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) e \u00cdndice de Desenvolvimento Sociodemogr\u00e1fico (IDS). A maior preval\u00eancia de rastreamento do c\u00e2ncer de mama foi observada entre as mulheres residentes das regi\u00f5es Sudeste (62,3%) e Sul (60%), enquanto as regi\u00f5es Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram os menores \u00edndices, com 33%, 41,9% e 48,6%, respectivamente. De acordo com os pesquisadores, estados com \u00edndices mais elevados de IDH e IDS apresentaram maiores chances de realiza\u00e7\u00e3o de mamografias, enquanto locais com maiores desigualdades econ\u00f4micas apresentam maiores disparidades em sa\u00fade, levando a uma menor cobertura do exame.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Gustavo Vel\u00e1squez explica que as desigualdades socioecon\u00f4micas tendem a resultar em um acesso desigual aos servi\u00e7os de sa\u00fade e em indicadores de sa\u00fade menos favor\u00e1veis. \u201cRegi\u00f5es menos favorecidas, como o Norte do pa\u00eds, enfrentam a escassez de equipamentos e especialistas, bem como taxas mais baixas de rastreamento devido \u00e0 dificuldade de acesso a conhecimentos sobre a doen\u00e7a e a realiza\u00e7\u00e3o do autoexame das mamas. H\u00e1 evid\u00eancias que apontam que mulheres residentes em \u00e1reas economicamente desfavorecidas no Brasil enfrentam maiores desafios para acessar a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade e diagnosticar precocemente o c\u00e2ncer de mama.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o professor, esfor\u00e7os para combater o c\u00e2ncer de mama envolve o planejamento adequado de pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade da mulher que considerem o contexto socioecon\u00f4mico para al\u00e9m das caracter\u00edsticas individuais. \u201cA exist\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento socioecon\u00f4mico dos estados poderia levar a um aumento na cobertura de mamografias. Al\u00e9m disso, concentrar esfor\u00e7os em um programa de rastreamento organizado e estrat\u00e9gico ser\u00e1 fundamental para prevenir mortes por c\u00e2ncer\u201d. Ele ressaltou, ainda, a relev\u00e2ncia do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) brasileiro para alcan\u00e7ar regi\u00f5es menos favorecidas e melhorar o acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade, especialistas e equipamentos. \u201cO SUS desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de estrat\u00e9gias de sa\u00fade que facilitam o diagn\u00f3stico precoce e reduzem as disparidades no acesso a exames\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do professor Gustavo Vel\u00e1squez Melendez, tamb\u00e9m participaram do estudo os pesquisadores da EEUFMG, egressa do curso de Doutorado, Sabrina Daros Tiensoli e a professora Mariana Santos Felisbino Mendes; al\u00e9m de pesquisadores parceiros, Amanda Maria de Sousa Romeiro e Erika Aparecida Silveira, da Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Goi\u00e1s e C\u00e9sar de Oliveira, da University College London.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Outubro Rosa<br><\/strong>O Outubro Rosa \u00e9 uma campanha internacional de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o c\u00e2ncer de mama, que alerta principalmente para a import\u00e2ncia do acompanhamento regular, do diagn\u00f3stico precoce e do tratamento da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O c\u00e2ncer de mama pode afetar mulheres cisg\u00eanero e pessoas trans, especialmente mulheres trans que fazem uso prolongado de horm\u00f4nios e homens trans que n\u00e3o realizaram a cirurgia de retirada das mamas. Mesmo entre homens que passaram pelo procedimento, h\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o de consultas peri\u00f3dicas quando existe risco gen\u00e9tico identificado, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como parte das a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o, o Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), vinculado \u00e0 HU Brasil, promover\u00e1 uma s\u00e9rie de atividades em alus\u00e3o ao Outubro Rosa. As a\u00e7\u00f5es ocorrem ao longo dos pr\u00f3ximos 30 dias, com participa\u00e7\u00e3o gratuita e aberta a toda a comunidade. Saiba mais aqui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, 54,4% das mulheres entre 50 e 69 anos realizam mamografias a cada dois anos, percentual abaixo das diretrizes propostas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, que sugerem cobertura m\u00ednima [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-11791","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11791","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11791"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11791\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11854,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11791\/revisions\/11854"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11791"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}