{"id":11349,"date":"2026-08-27T12:56:30","date_gmt":"2026-08-27T15:56:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=11349"},"modified":"2026-08-27T15:50:07","modified_gmt":"2026-08-27T18:50:07","slug":"estudo-aponta-reducao-de-casos-graves-de-doencas-respiratorias-em-bebes-apos-vacinacao-de-gestantes-contra-virus-associado-a-bronquiolite-e-pneumonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=11349","title":{"rendered":"Estudo aponta redu\u00e7\u00e3o de casos graves de doen\u00e7as respirat\u00f3rias em beb\u00eas ap\u00f3s vacina\u00e7\u00e3o de gestantes contra v\u00edrus associado \u00e0 bronquiolite e pneumonia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O v\u00edrus sincicial respirat\u00f3rio (VSR) \u00e9 um dos principais agentes causadores de infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias em crian\u00e7as menores de dois anos e est\u00e1 associado, principalmente, a casos de bronquiolite e pneumonia. Entre os beb\u00eas, a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus \u00e9 uma importante causa de hospitaliza\u00e7\u00e3o e pode evoluir para quadros graves, configurando um relevante problema de sa\u00fade p\u00fablica. Um estudo do Observat\u00f3rio de Pesquisas e Estudos em Vacina\u00e7\u00e3o (OPESV) da Escola de Enfermagem da UFMG, em parceria com a Secretaria de Estado de Sa\u00fade de Minas Gerais (SES-MG), revelou que, ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o materna contra o VSR no Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es (PNI), em 2025, a incid\u00eancia de S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SRAG) por VSR apresentou redu\u00e7\u00e3o expressiva entre crian\u00e7as menores de dois anos. Entre janeiro e julho de 2026, a incid\u00eancia caiu em todos os meses analisados em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2025, com redu\u00e7\u00e3o de 58% entre menores de um ano e de 59,7% entre menores de dois anos em Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, a mediana da taxa de incid\u00eancia passou de 82,9 para 44,1 casos por 100 mil habitantes, uma redu\u00e7\u00e3o de 39,2%, enquanto o Sudeste registrou queda de 56,3%. Em Minas Gerais, destaca-se a maior redu\u00e7\u00e3o entre menores de dois anos: de 59,7%, e os picos de mortalidade tamb\u00e9m diminu\u00edram em 2026, em meio \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da cobertura da vacina\u00e7\u00e3o materna.Foram consideradas as notifica\u00e7\u00f5es de S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave por v\u00edrus sincicial respirat\u00f3rio registradas no Sistema de Informa\u00e7\u00e3o da Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica da Gripe (SIVEP-Gripe) e os dados do painel de Cobertura Vacinal de Gestantes por Local de Resid\u00eancia, disponibilizado pelo Departamento de Monitoramento, Avalia\u00e7\u00e3o e Dissemina\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00f5es Estrat\u00e9gicas em Sa\u00fade (DEMAS), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Foi analisado o comportamento da SRAG associada ao VSR antes e ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o materna, considerando o per\u00edodo de 2019 a julho de 2026. A pesquisa avaliou a incid\u00eancia e os \u00f3bitos registrados entre crian\u00e7as menores de dois anos, a cobertura vacinal de gestantes e a distribui\u00e7\u00e3o dos indicadores em diferentes n\u00edveis territoriais. Em Minas Gerais, tamb\u00e9m foi analisada a incid\u00eancia entre menores de um ano nas diferentes macrorregi\u00f5es de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"564\" src=\"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cartao-de-vacina-1024x564.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11353\" style=\"aspect-ratio:1.815625432885441;width:393px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cartao-de-vacina-1024x564.jpeg 1024w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cartao-de-vacina-300x165.jpeg 300w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cartao-de-vacina-768x423.jpeg 768w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cartao-de-vacina.jpeg 1320w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Vacina\u00e7\u00e3o contra o v\u00edrus sincicial come\u00e7ou em 2025<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora da Escola de Enfermagem da UFMG e coordenadora do estudo, Fernanda Penido Matozinhos, explica que a vacina\u00e7\u00e3o materna contra o VSR foi incorporada ao PNI em 2025 como estrat\u00e9gia de prote\u00e7\u00e3o dos beb\u00eas, especialmente nos primeiros meses de vida. \u201cA imuniza\u00e7\u00e3o durante a gesta\u00e7\u00e3o possibilita a transfer\u00eancia de anticorpos maternos para o feto, contribuindo para a prote\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a no per\u00edodo de maior vulnerabilidade \u00e0s formas graves da infec\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ela, neste estudo, observou-se um padr\u00e3o sazonal da incid\u00eancia de S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave por v\u00edrus sincicial respirat\u00f3rio em menores de 1 ano, com eleva\u00e7\u00e3o das taxas principalmente no primeiro semestre de cada ano. \u201cEm 2025, antes da introdu\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o materna, foram observados picos expressivos de incid\u00eancia em Minas Gerais e em todas as macrorregi\u00f5es analisadas, com maior magnitude na regi\u00e3o Central do estado. Ap\u00f3s a implementa\u00e7\u00e3o da vacina no \u00faltimo trimestre de 2025, em 2026, apesar de um novo aumento sazonal, os picos de incid\u00eancia foram visualmente menores que os registrados em 2025 na maioria das regi\u00f5es, concomitantemente a elevados n\u00edveis de cobertura vacinal. Esse padr\u00e3o foi observado em Minas Gerais e, de forma geral, nas macrorregi\u00f5es do estado: Central, Leste-Sudeste, Nordeste-Leste, Norte, Oeste-Tri\u00e2ngulo e Sul\u201d, enfatizou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre janeiro e julho de 2026, em Minas Gerais, as maiores quedas foram registradas nas regi\u00f5es Leste-Sudeste (77,3%) e Nordeste-Leste (69,0%), seguidas pelas regi\u00f5es Central (58,3%), Norte (45,5%) e Sul (37,7%). J\u00e1 o Oeste-Tri\u00e2ngulo apresentou a menor redu\u00e7\u00e3o, de 17,1%, e chegou a registrar aumento da incid\u00eancia em alguns meses de 2026. \u201cDiferen\u00e7as dessa magnitude podem refletir desigualdades na cobertura e oportunidade da vacina\u00e7\u00e3o, no acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade, na distribui\u00e7\u00e3o dos nascimentos, na circula\u00e7\u00e3o viral ou na capacidade de detec\u00e7\u00e3o e notifica\u00e7\u00e3o dos casos. Essas diferen\u00e7as tamb\u00e9m podem estar relacionadas a caracter\u00edsticas epidemiol\u00f3gicas e assistenciais pr\u00f3prias de cada territ\u00f3rio, sendo importante considerar tais particularidades na interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados\u201d, explicou a professora Fernanda Penido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise das macrorregi\u00f5es de sa\u00fade de Minas Gerais tamb\u00e9m evidenciou diferen\u00e7as na distribui\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia, refor\u00e7ando a necessidade de considerar as desigualdades territoriais no acompanhamento da vacina\u00e7\u00e3o e da ocorr\u00eancia de SRAG associada ao VSR.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mortalidade tamb\u00e9m apresentou redu\u00e7\u00e3o<\/strong><br>A taxa de \u00f3bitos registrados apresentou comportamento semelhante, com picos mais elevados em 2025 e redu\u00e7\u00e3o da magnitude em 2026. \u201cEssa diminui\u00e7\u00e3o foi particularmente evidente em Minas Gerais, onde os valores de mortalidade em 2026 permaneceram substancialmente abaixo do pico observado em 2025. O mesmo padr\u00e3o, embora menos acentuado, foi observado no Sudeste e no Brasil\u201d, destacou a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernanda Penido ressalta, ainda, que os resultados configuram um cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico favor\u00e1vel ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o materna contra o v\u00edrus sincicial respirat\u00f3rio e contribuem para o monitoramento inicial da estrat\u00e9gia no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Al\u00e9m disso, ela refor\u00e7ou a necessidade de acompanhamento cont\u00ednuo para avaliar seu impacto populacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A enfermeira e doutoranda do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Enfermagem da EEUFMG, Bruna Nicole Soares dos Santos, gestante de 35 semanas, destacou que j\u00e1 se vacinou contra o v\u00edrus sincicial e destacou a import\u00e2ncia. &#8220;Como gestante, considero a vacina\u00e7\u00e3o uma forma importante de proteger minha beb\u00ea. J\u00e1 me vacinei porque sei que, nos primeiros meses de vida, o sistema imunol\u00f3gico do beb\u00ea ainda est\u00e1 em desenvolvimento. As vacinas salvam vidas, e proteger nossos beb\u00eas come\u00e7a ainda na gesta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O v\u00edrus sincicial respirat\u00f3rio (VSR) \u00e9 um dos principais agentes causadores de infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias em crian\u00e7as menores de dois anos e est\u00e1 associado, principalmente, a casos de bronquiolite e pneumonia. 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