{"id":10838,"date":"2026-08-06T06:43:00","date_gmt":"2026-08-06T09:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=10838"},"modified":"2026-08-06T11:23:29","modified_gmt":"2026-08-06T14:23:29","slug":"aula-magna-do-programa-de-pos-graduacao-em-gestao-de-servicos-de-saude-debate-interseccionalidade-como-caminho-para-uma-gestao-mais-equitativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=10838","title":{"rendered":"Aula magna da P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o de Servi\u00e7os de Sa\u00fade debate interseccionalidade como caminho para uma gest\u00e3o mais equitativa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>A gest\u00e3o em sa\u00fade precisa acompanhar as transforma\u00e7\u00f5es da sociedade e reconhecer a diversidade das pessoas que acessam o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Essa foi a principal reflex\u00e3o apresentada pela professora Amanda M\u00e1rcia dos Santos Reinaldo, do Departamento de Enfermagem Aplicada da Escola de Enfermagem da UFMG, durante a aula magna do programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o de Servi\u00e7os de Sa\u00fade, no dia 3 de agosto, que abordou o tema &#8220;Gest\u00e3o em Sa\u00fade e Interseccionalidades: caminhos para a equidade, o cuidado e a transforma\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo da confer\u00eancia, a docente destacou que os desafios contempor\u00e2neos da gest\u00e3o v\u00e3o muito al\u00e9m da administra\u00e7\u00e3o de recursos. &#8220;Talvez o maior desafio da gest\u00e3o contempor\u00e2nea n\u00e3o seja administrar recursos, mas administrar desigualdades&#8221;, afirmou. Segundo ela, decis\u00f5es consideradas estritamente t\u00e9cnicas carregam implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que podem ampliar ou reduzir as desigualdades no acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade.A professora tamb\u00e9m provocou uma reflex\u00e3o sobre a forma como os servi\u00e7os enxergam as pessoas que procuram atendimento. &#8220;Quem \u00e9 o &#8216;usu\u00e1rio&#8217; do SUS? Ser\u00e1 que as pessoas que procuram os servi\u00e7os se sentem, se percebem ou se nomeiam &#8216;usu\u00e1rias&#8217;? O sistema de sa\u00fade enxerga quem est\u00e1 diante dele ou apenas trata todos como se fossem iguais?&#8221;, questionou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_9288-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10840\" style=\"width:432px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_9288-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_9288-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_9288-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_9288-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_9288-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Professora Amanda Reinaldo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a exposi\u00e7\u00e3o, Amanda Reinaldo explicou que a interseccionalidade representa uma ferramenta essencial para compreender como diferentes marcadores sociais, como ra\u00e7a, g\u00eanero, classe social, sexualidade, idade, defici\u00eancia e outras dimens\u00f5es da identidade, interagem entre si, produzindo experi\u00eancias distintas de acesso ao cuidado e de viv\u00eancia em sa\u00fade. Para a professora, n\u00e3o se trata da simples soma de desigualdades, mas de uma intera\u00e7\u00e3o que potencializa vulnerabilidades e exige respostas mais sens\u00edveis por parte da gest\u00e3o.<br>Segundo ela, incorporar uma abordagem interseccional significa reconhecer que as experi\u00eancias de sa\u00fade s\u00e3o moldadas por m\u00faltiplos fatores e que um atendimento verdadeiramente equitativo depende da capacidade dos profissionais e gestores de compreender essas complexidades. &#8220;Cuidar \u00e9 produzir encontros reais. Quando algu\u00e9m chega ao servi\u00e7o de sa\u00fade, chega inteiro, com sua hist\u00f3ria, seu corpo, suas opress\u00f5es ou privil\u00e9gios. Precisamos nos perguntar se estamos preparados para esse encontro. Esse encontro acontece com &#8216;usu\u00e1rios&#8217; ou com pessoas e suas demandas?&#8221;, refletiu.<br><br><strong>Um novo olhar para a gest\u00e3o em sa\u00fade<\/strong><br>Ao discutir o papel dos gestores, a professora destacou que esse profissional deixou de ocupar apenas uma fun\u00e7\u00e3o administrativa. Atualmente, segundo ela, a gest\u00e3o exige compet\u00eancias relacionadas \u00e0 lideran\u00e7a, \u00e0 media\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o e \u00e0 articula\u00e7\u00e3o de redes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Amanda Reinaldo ressaltou que decis\u00f5es aparentemente t\u00e9cnicas, como os hor\u00e1rios de funcionamento das unidades, as formas de marca\u00e7\u00e3o de consultas, a utiliza\u00e7\u00e3o da telemedicina, o fechamento de servi\u00e7os ou a defini\u00e7\u00e3o do tempo destinado \u00e0s consultas, podem produzir impactos diferentes para grupos sociais distintos e, por isso, precisam ser analisadas sob a perspectiva da equidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_9301-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10841\" style=\"aspect-ratio:1.4993209597102761;width:445px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_9301-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_9301-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_9301-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_9301-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.enf.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_9301-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Docentes e alunos da 10\u00aa turma do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o de Servi\u00e7os de Sa\u00fade<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, apresentou cinco perspectivas que podem orientar uma gest\u00e3o comprometida com a transforma\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade. A primeira \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o das evid\u00eancias, com decis\u00f5es fundamentadas em dados e pesquisas. A segunda coloca as pessoas no centro da gest\u00e3o, compreendendo que o cuidado come\u00e7a em quem cuida e repercute em quem \u00e9 cuidado. A terceira enfatiza a equidade, reconhecendo as desigualdades para enfrent\u00e1-las. A quarta prop\u00f5e a presen\u00e7a e a escuta ativa como formas de conhecer as diferentes interseccionalidades presentes na vida das pessoas. Por fim, a quinta perspectiva \u00e9 a justi\u00e7a social, que busca garantir direitos para al\u00e9m da oferta de servi\u00e7os, por meio de uma vis\u00e3o decolonial capaz de repensar as estruturas de poder que sustentam e, ao mesmo tempo, fragilizam os sistemas de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A gest\u00e3o \u00e9 um ato pol\u00edtico&#8221;, enfatizou a docente ao defender que as decis\u00f5es gerenciais devem contribuir para reduzir iniquidades e fortalecer o direito \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como proposta para fortalecer a equidade nos servi\u00e7os de sa\u00fade, a professora Amanda apresentou o conceito de &#8220;gest\u00e3o interseccional equitativa&#8221;, fundamentado em oito pr\u00e1ticas consideradas essenciais: compet\u00eancia cultural; dados individualizados; cuidado personalizado, comunica\u00e7\u00e3o inclusiva; for\u00e7a de trabalho diversa; envolvimento comunit\u00e1rio, realiza\u00e7\u00e3o de treinamentos voltados ao enfrentamento de preconceitos e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas institucionais de promo\u00e7\u00e3o da equidade em sa\u00fade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gest\u00e3o em sa\u00fade precisa acompanhar as transforma\u00e7\u00f5es da sociedade e reconhecer a diversidade das pessoas que acessam o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). 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