{"id":10449,"date":"2026-07-23T07:06:00","date_gmt":"2026-07-23T10:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=10449"},"modified":"2026-07-23T21:26:43","modified_gmt":"2026-07-24T00:26:43","slug":"pesquisadores-da-ufmg-integram-iniciativa-global-de-documentacao-de-dietas-ancestrais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=10449","title":{"rendered":"Pesquisadores da UFMG integram iniciativa global de documenta\u00e7\u00e3o de dietas ancestrais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os professores Adaliene Versiani Ferreira, do Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o da Escola de Enfermagem, e Mauro Martins Teixeira, do Departamento de Bioqu\u00edmica e Imunologia do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas (ICB), integram a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.worlddietinitiative.org\/\">World Diet Initiative<\/a>, cons\u00f3rcio de pesquisa dedicado a documentar e estudar dietas ancestrais e tradicionais ao redor do globo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A World Diet Initiative, que re\u00fane nutricionistas, antrop\u00f3logos, historiadores, m\u00e9dicos, oncologistas, microbiologistas, bi\u00f3logos e outros profissionais de 12 pa\u00edses, foi apresentada no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41591-026-04520-5\">artigo&nbsp;<em>Studying vanishing dietary diversity before it is lost: the World Diet Initiative<\/em>, publicado, neste m\u00eas, na Revista Nature Medicine<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A iniciativa \u00e9 dividida em duas vertentes. A primeira \u00e9 o Atlas da Dieta Mundial, coordenado pela professora Adaliene. Trata-se da constru\u00e7\u00e3o de um reposit\u00f3rio das dietas tradicionais de diversas partes do mundo, detalhando as fontes de alimentos e como eles s\u00e3o preparados e consumidos em diversos pa\u00edses. O mapa ser\u00e1 ampliado ao longo do tempo e estar\u00e1 dispon\u00edvel para consulta por pesquisadores, comunidades e respons\u00e1veis pela elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, que poder\u00e3o usar os dados em seus trabalhos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufmg.br\/\/app\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-20-at-12.33.29-336x445.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Adaliene Versiani: conhecimento precisa ser resgatado<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda vertente da iniciativa \u00e9 o Projeto da Dieta Mundial, que pretende investigar como a exposi\u00e7\u00e3o a dietas de longo prazo molda a imunidade, o metabolismo e a microbiota dos organismos das popula\u00e7\u00f5es. Nesse caso, a inten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores \u00e9 entender os efeitos biol\u00f3gicos das dietas, usando metodologias para comparar os efeitos da alimenta\u00e7\u00e3o em representantes de popula\u00e7\u00f5es que consomem as dietas ancestrais e outros que se alimentam de dietas mais ocidentalizadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora Adaliene Ferreira explica que as dietas ancestrais se desenvolvem ao longo das gera\u00e7\u00f5es e s\u00e3o moldadas pelos alimentos dispon\u00edveis nas regi\u00f5es e pela maneira como eles s\u00e3o preparados. Em comunidades que ainda seguem suas dietas ancestrais, doen\u00e7as cr\u00f4nicas como a diabetes, por exemplo, s\u00e3o mais raras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs dietas s\u00e3o importantes para entendermos como os alimentos podem ser relacionados ao aparecimento de certas doen\u00e7as. Vivemos uma transi\u00e7\u00e3o para um padr\u00e3o \u00fanico de dieta mais ocidentalizado. Houve a introdu\u00e7\u00e3o de alimentos ultraprocessados e uma mudan\u00e7a no modo de preparo dos alimentos e dos h\u00e1bitos alimentares, estes \u00faltimos oriundos dos processos de trabalho das sociedades modernas\u201d, detalha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comunidades Maasai, no Leste da \u00c1frica, por exemplo, s\u00e3o conhecidas por disporem de uma dieta rica em produtos de origem animal, como o leite e a carne. Na Eti\u00f3pia, por outro lado, as dietas s\u00e3o baseadas no alto consumo de produtos de origem vegetal, como gr\u00e3os e legumes. No Brasil, as regi\u00f5es tamb\u00e9m possuem padr\u00f5es alimentares muito diversos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHoje, as dietas est\u00e3o mais globalizadas e sofrendo altera\u00e7\u00f5es. No Esp\u00edrito Santo, por exemplo, a moqueca antes era feita com leite de coco caseiro. Hoje, esse leite de coco \u00e9 comprado no supermercado. Esse tipo de mudan\u00e7a pode trazer consequ\u00eancias para a sa\u00fade em longo prazo pois, dependendo do padr\u00e3o alimentar de uma popula\u00e7\u00e3o, ele pode ter efeitos biol\u00f3gicos no organismo\u201d, argumenta Adaliene Versiani Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u2018Biblioteca de dietas\u2019<\/strong><br>A coordenadora da frente de elabora\u00e7\u00e3o do Atlas Dieta Mundial explica que a organiza\u00e7\u00e3o dos dados em \u00e2mbito global \u00e9 essencial para a realiza\u00e7\u00e3o de estudos futuros. Ela destaca que a cria\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de \u2018biblioteca\u2019 com dados sobre as dietas de v\u00e1rias partes do mundo \u00e9 um trabalho de valor hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEsse tipo de conhecimento precisa ser registrado antes que seja perdido. Ele permitir\u00e1 que pesquisadores comparem padr\u00f5es de dietas ancestrais com dietas modernas e ocidentalizadas, relacionando as mudan\u00e7as alimentares \u00e0s mudan\u00e7as da fisiologia dos povos. As consequ\u00eancias das transforma\u00e7\u00f5es diet\u00e9ticas na biologia poder\u00e3o ser observadas por meio da avalia\u00e7\u00e3o das fezes e dos marcadores biol\u00f3gicos hormonais. A forma como respondemos ao ambiente \u00e9 determinada pela nossa dieta\u201d, diz Adaliene.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufmg.br\/\/app\/uploads\/2025\/09\/Mauro-Teixeira-336x445.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Professor Mauro Teixeira: dietas permitiram o desenvolvimento de civiliza\u00e7\u00f5es<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Mauro Teixeira acrescenta que a iniciativa n\u00e3o \u00e9 uma \u201cbusca romantizada e nost\u00e1lgica pelo resgate das dietas antigas, nem uma afirma\u00e7\u00e3o de que dietas ancestrais s\u00e3o sempre mais saud\u00e1veis\u201d. Segundo ele, as dietas agem nos organismos de maneiras diferentes e organizar esse conhecimento pode ensinar muita coisa \u00e0 humanidade. \u201cH\u00e1 dietas que existiram ao longo da evolu\u00e7\u00e3o humana e que podem ser \u00fateis porque s\u00e3o balanceadas e permitiram o desenvolvimento de civiliza\u00e7\u00f5es. A ideia \u00e9 resgatar as dietas ancestrais e estud\u00e1-las \u00e0 luz do conhecimento atual\u201d. afirma Teixeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pote<em>nc<\/em>ial da iniciativa j\u00e1 foi observado por meio de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41591-025-03602-0\">estudo recente realizado por pesquisadores na regi\u00e3o do Kilimanjaro, no Norte da Tanz\u00e2nia.<\/a>&nbsp;Eles compararam a sa\u00fade de pessoas que se alimentavam em conformidade com a dieta ancestral da regi\u00e3o, composta de gr\u00e3os e fermentados, com a de pessoas que consumiam alimentos ultraprocessados, em uma dieta ocidentalizada. No estudo, os pesquisadores da&nbsp;<em>World Diet Initiative&nbsp;<\/em>observaram que aqueles que haviam abandonado a dieta ancestral apresentaram mudan\u00e7as biol\u00f3gicas relacionadas a doen\u00e7as cr\u00f4nicas.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.worlddietinitiative.org\/\">Outros estudos j\u00e1 realizados pelo grupo est\u00e3o dispon\u00edveis no site da iniciativa.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Artigo:&nbsp;&nbsp;<\/strong><em>Nature Medicine \u2013 Studying vanishing dietary diversity before it is lost: the World Diet Initiative<\/em><br><strong>Autores:<\/strong>&nbsp;Adaliene Versiani Ferreira, Mauro Teixeira, Quirijn de Mast, Carly Brown, Felistar Mwakasungura, Damalie Nakanjako, Godfrey Temba, Vinod Kumar, Adriyan Pramono, Tania Cri\u0219an, Anca Riza, Marien de Jonge, Natascha Wagner, Frank Hoentjen, Anirban Chakraborty, Abebaw Fekadu, Ramnik Xavier, Bruno Sunguya e Mihai Netea.&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41591-026-04520-5\">Publicado na revista Nature e dispon\u00edvel aqui.<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufmg.br\/\/app\/uploads\/2026\/07\/obesidade_infantil-640x445.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ultraprocessados gerou mudan\u00e7a nos h\u00e1bitos alimentares<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>(Centro de Comunica\u00e7\u00e3o da UFMG)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os professores Adaliene Versiani Ferreira, do Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o da Escola de Enfermagem, e Mauro Martins Teixeira, do Departamento de Bioqu\u00edmica e Imunologia do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas (ICB), integram [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10449","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10449","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10449"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10449\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10477,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10449\/revisions\/10477"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}