Nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2025, estudantes e pesquisadores da Escola de Enfermagem da UFMG dos cursos de Enfermagem, Nutrição e Gestão de Serviços de Saúde desenvolveram um conjunto de ações relacionadas à prevenção e cuidado das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) no Centro de Saúde Dom Cabral (CSDC). As ações fazem parte do projeto de extensão “Clínica ampliada como estratégia para a prevenção e seguimento dos usuários com doenças crônicas não transmissíveis nos serviços de Atenção Básica de Belo Horizonte”, coordenado pela professora Ana Carolina Micheletti Gomide Nogueira de Sá, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da EEUFMG, com a parceria de pesquisadores de Belo Horizonte e outros locais do Brasil.
Além disso, algumas ações foram feitas de forma integrada entre estudantes do projeto e do curso de enfermagem do 8° e 9° período durante estágio na unidade. As iniciativas contemplaram diferentes frentes de cuidado e educação em saúde: rastreamento de anemia, parceria entre o CSDC e a Escola de Enfermagem UFMG; caminhada e monitoramento de usuários idosos; ações educativas e outras atividades, organizados e conduzidos pelas estudantes do internato Metropolitano de Enfermagem.
Estudante Jade Alycia conduzido a apresentação para o grupo de idosos
Rastreamento de Anemia
Durante os mutirões de rastreamento de anemia no CSDC, os estudantes desenvolveram atividades de educação em saúde, esclareceram dúvidas e incentivaram a realização do exame de hemoglobina e hematócrito, realizado por punção capilar, com resultado imediato. Segundo a estudante voluntária de extensão e do curso de enfermagem, Júlia Ferreira Costa, que participou de três mutirões, observou-se uma expressiva adesão dos usuários e da comunidade, incluindo a participação ativa dos profissionais de saúde do próprio centro. “Durante as conversas com os usuários, foi possível perceber que muitos possuíam algum conhecimento sobre anemia, ainda que de forma limitada, enquanto outros demonstravam maior familiaridade com o tema. A troca de informações permitiu não apenas esclarecer dúvidas, mas estimular o interesse pelo autocuidado e pela disseminação das informações, visto que diversos participantes solicitaram os folders e convites para entregar a familiares e vizinhos”, relatou. A estudante conclui que “A atividade contribuiu para aproximar a comunidade dos estudantes e dos profissionais da unidade, fortalecendo o vínculo entre ensino, serviço e usuário, consolidando o papel da extensão na formação em Enfermagem e no fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS)”.
Professora Ana Carolina na ação de rastreamento de anemias
Caminhada com os usuários Idosos
No dia 30 de outubro, as estudantes do Internato Metropolitano do CSDC, Tallita Braga Lima Lopes e Larissa Lacerda Resende, idealizaram e executaram uma ação de promoção à saúde voltada para o público idoso, com objetivo de incentivar a prática regular de atividade física e promover a formação de um novo grupo, fortalecendo os vínculos sociais entre os participantes. A atividade contou com a participação da farmacêutica da unidade, Micaelle Sousa Oliveira Costa, de estudantes de Fisioterapia do Centro Universitário Newton Paiva, da estudante Júlia Ferreira, e do internato metropolitano. A ação incluiu diálogo com os usuários idosos, definição coletiva de dias e horários para continuidade da prática, alongamento e caminhada até a Academia da Cidade, com grande adesão e entusiasmo dos participantes. De acordo, com a estudante Larissa, “Todos gostaram muito da caminhada e ficaram animados para tornar essa atividade fixa”.
Estudante Tallita Braga na caminhada com os usuários idosos
Monitoramento grupo de pessoas Idosas
Na tarde do mesmo dia, 30 de outubro, foi realizada a ação de monitoramento dos usuários idosos que fazem parte do projeto de extensão no CSDC. A ação teve como foco o reforço do autocuidado e da prevenção das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs). A estudante de graduação do curso de Nutrição e membro do projeto de extensão, Sarah Camilo de Oliveira, elaborou o jogo “Trilha do Cuidado”, com apoio da equipe de extensão, em que foi produzido um tabuleiro, com as cartas e toda a estrutura da dinâmica. Ao longo da dinâmica, os participantes foram estimulados a refletir sobre hábitos saudáveis, com explicações em linguagem acessível para facilitar a compreensão. Ao final, foram agendadas consultas de enfermagem para os participantes. Segundo a estudante Sarah “o aprendizado aconteceu de forma leve e divertida, acredito que conseguiram entender melhor a importância do cuidado diário com a saúde.”
Detecção de infecções sexualmente transmissíveis e monitoramento dos usuários idosos
Nos dias 7 e 12 de novembro e 1 e 5 de dezembro, foi realizada uma ação de monitoramento de pessoas idosas no CSDC, em parceria com a Escola de Enfermagem da UFMG, com participação de estudantes de Enfermagem, do 8º período durante o ensino clínico e 9º período nas atividades do internato metropolitano e estudantes do projeto de extensão, orientados pela professora Ana Carolina Micheletti. Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) indicaram pessoas idosas da sua área de abrangência a pedido da Gerente da Unidade, Heleodora Lamounier Miranda. A atividade incluiu aplicação da ferramenta IVCF-20, educação em saúde sobre ISTs, testes rápidos (Hepatite B e C) e coleta de dados como IMC, circunferência da panturrilha e abdominal, glicemia, hemoglobina, hematócrito e sinais vitais. Os usuários idosos foram classificados como robustos, potencialmente frágeis ou frágeis e encaminhados conforme a necessidade para geriatria, matriciamento e acompanhamento na APS. Participaram mais de 50 usuários idosos, que estão sendo acompanhados pela equipe do projeto de extensão, incluindo consultas individuais e atividades coletivas.
Equipe do projeto de extensão e a gerente Heleodora Mirante com o grupo com os idosos
Durante a ação de IVCF-20 e de Dezembro Vermelho que visou a prevenção de ISTs, no dia 5/12, o usuário João Lobato Neto, de 71 anos, compartilhou a sua experiência e contou que, apesar de nunca ter utilizado os serviços do SUS ao longo da vida, passou a conhecer melhor o sistema ao acompanhar o cuidado oferecido à sua mãe, de 94 anos, que após uma queda, realizou curativos no Centro de Saúde e se impressionou com a atenção da equipe do local. “Até ligam para saber como minha mãe está. Não sabia que o SUS era tão bom”, afirmou. Atendido pelos estudantes durante a ação, ele agradeceu e elogiou muito o cuidado recebido durante a ação.
Outras atividades
Também foram desenvolvidas atividades como a ação educativa na creche sobre higiene bucal e prevenção de tabagismo com crianças, Oficina de Comunicação Não Violenta e Treinamento de Primeiros Socorros para profissionais do CSDC pelas estudantes do internato metropolitano, Tallita e Larissa. A estudante Tallita enfatizou que a atividade na creche “Foi uma vivência muito enriquecedora, em que precisamos criar estratégias para envolver as crianças e transmitir conteúdos de forma acessível. Foi possível identificar fatores de risco presentes em seus cotidianos, o que nos faz refletir sobre ações de acompanhamento e promoção de uma infância mais saudável.” Ademais, os estudantes de enfermagem Gabriel Soares Damaceno e Raissa Mourão, apresentaram quatro trabalhos no 8º Congresso de Extensão da Associação de Universidades do Grupo Montevidéu. As produções resultaram de atividades do projeto de extensão desenvolvidos no CSDC e abordaram: triagem de vulnerabilidade em idosos, educação em saúde por meio de materiais didáticos, cessação do tabagismo e prevenção e cuidados com ISTs. A participação no congresso permitiu divulgar as ações do projeto e promover a troca de experiências entre estudantes e profissionais do Brasil e da América Latina.
De acordo com a professora Ana Carolina Micheletti, as iniciativas reforçaram a potência da integração entre ensino, pesquisa e extensão nas ações realizadas no CSDC, no âmbito da APS. “A atuação sensível e crítica dos estudantes, que conectam o conhecimento científico à prática cotidiana e estabelecem vínculos reais com a comunidade, evidencia o quanto essas vivências qualificam a formação profissional e ampliam o olhar sobre o cuidado integral na APS. Ao mesmo tempo, cada ação representa uma devolutiva concreta para a sociedade, contribui para a identificação precoce de vulnerabilidades, fortalece o autocuidado e promove a saúde em diferentes ciclos de vida. Mais do que satisfação, sinto um profundo compromisso com a continuidade dessas iniciativas, pois a pesquisa que conduzimos dialoga diretamente com as necessidades do território, impacta na vida dos usuários, fortalece a APS e reafirma o papel social da universidade pública”.
Texto, materiais educativos e participação nas atividades: professora Ana Carolina Micheletti Gomide Nogueira de Sá, da Escola de Enfermagem da UFMG, com estudantes dos cursos de Enfermagem, Nutrição e Gestão de Serviços de Saúde da UFMG: Gabriel Soares Damaceno, Emília Garcia dos Santos, Filippe Lima Cavalcante, Júlia Ferreira Costa, Sarah Camilo de Oliveira, Luiz Filipe Santiago Campolina Viana, Larissa Lacerda Resende, Talitta Braga Lima Lopes, Ana Carolina Abreu Ribeiro, Brígida Maria Nolasco Clemente, Hosana Mendes Figueiró, Jade Alycia Ribeiro e Santos, Lara de Oliveira Brito, Maria Eduarda de Rezende Amaral Alvarenga, Maria Eduarda Silva Cota, Maria Eduarda Duarte Gonçalves, Roany Cistellis Silva Domingos, Matheus Duarte e Mariana Moreira. Também contribuíram pesquisadores e profissionais de saúde: Antonio Tolentino Nogueira de Sá (UFMG/HRTN), Patrícia Vieira de Luca (Associação Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar/Fórum CCNTs), Tércia Moreira Ribeiro da Silva (EE-UFMG), Elton Junio Sady Prates (SES-MG/EE-UFMG) e a equipe do CSDC: Heleodora Lamounier Miranda, Micaelle Sousa Oliveira Costa, Gláucia Galizzi, Neuza Maria de Oliveira e Amanda Batista Prates.


