HC- UFMG é oficialmente Centro de Referência em Minas Gerais para o Método Canguru


Há um mês, a cuidadora de idosos Daniele de Sousa Santos (27) deu à luz Vitória Rafael de Sousa Santos, que nasceu prematura com 27 semanas de gestação. Desde então, mãe e filha, que estão internadas no Hospital das Clínicas da UFMG (HC-UFMG/Ebserh), têm um compromisso diário: alguns minutos de contato pele a pele entre elas, assistência conhecida como parte do Método Canguru. na última terça-feira (23), o HC-UFMG tornou-se oficialmente Centro de Referência para o Método Canguru em Minas Gerais em solenidade que reuniu representantes do hospital, da UFMG, do Ministério da Saúde e das secretarias estadual e municipal de saúde.

Solenidade no Hospital das Clínicas. Da esquerda para direita: Ana Amélia Miglio, enfermeira aposentada do HC,  professora Sônia Soares, diretora da EEUFMG, Zeny Carvalho Lamy, do Ministério da Saúde, professora Eunice Martins e Maria Cândida Bouzada Viana – Médica neonatologista do HC

Com o credenciamento, o HC-UFMG torna-se referência para esse modelo de assistência humanizada que incentiva o contato pele a pele entre mãe e bebê prematuro ou de baixo peso, resultando em um menor tempo de internação. Além disso, a partir de agora ele é também polo de capacitação estadual para o Método Canguru dentro do Sistema Único de Saúde, cumprindo também o seu importante papel como instituição de ensino e pesquisa.

O superintendente do HC-UFMG, Alexandre Rodrigues Ferreira, ressaltou o cuidado integral materno-infantil prestado. “Dentro desse complexo hospitalar temos a nossa maternidade, onde o cuidado é integral, desde o atendimento à gestante ao cuidado com os nossos neonatos. Nela, temos as nossas unidades de terapia intensiva, de cuidado intermediário e de cuidado intermediário do Método Canguru”, disse ele, lembrando ainda que o hospital possui um ambulatório de acompanhamento dessas crianças de alto risco, o Acriar, que oferece assistência a esse público até os sete anos de idade.

A consultora nacional da Coordenação de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente do Ministério da Saúde, Zeni Carvalho Lamy, disse que ser um centro estadual de referência para o Método Canguru é levar à frente uma prática que é modelo para todo o mundo. “O professor César (Coelho Xavier) implantou o modelo no HC-UFMG muito antes dele se tornar uma política nacional, em 2001, então isso está no DNA dessa casa”, afirmou.

O professor César Coelho Xavier foi o responsável pela implantação do Método Canguru no HC-UFMG em 1994. Na solenidade, ele foi representado pela enfermeira Ana Amélia Migleo, que recebeu a homenagem prestada ao médico. Outras lideranças que fazem parte da história do hospital com o Método Canguru também foram agraciadas. Em seguida, aconteceu o descerramento da placa de credenciamento.

A assistência
A Unidade de Cuidados Intermediários – Método Canguru do HC-UFMG conta com quatro leitos e equipe multiprofissional especializada. A cuidadora de idosos Daniele de Sousa Santos, mãe da pequena Vitória, afirma que conseguiu se recuperar após o início dos cuidados. “O Canguru não deveria ser chamado de Canguru, mas sim de cura, porque além de curar nossos filhos, ele cura também a mãe”, afirmou.

No HC-UFMG, o cuidado materno-infantil de bebês pré-termos acontece até os sete anos de vida para os que nascem com idade gestacional abaixo de 34 semanas e/ou peso ao nascimento menor ou igual a 1.500 gramas. Este serviço de seguimento é oferecido pelo Ambulatório da Criança do Risco – Acriar, que completou 35 anos no ano passado.

Histórico
Em 2024, o HC-UFMG completa 30 anos de instituição do Método Canguru. A instituição foi uma das pioneiras no Brasil na implantação dessa estratégia de saúde de forma sistematizada, em 1994, sendo o primeiro hospital de Belo Horizonte. Trata-se de um método idealizado pelos médicos Edgar Sanabria Rey e Héctor Gomes Martínez, da Universidade Nacional de Bogotá, na Colômbia, na década de 1970.

Eles inspiraram-se nos cuidados que o canguru-fêmea dispensa ao seu recém-nascido, que carrega o bebê na sua bolsa abdominal, em aleitamento materno exclusivo, até ele adquirir a capacidade de bebê prematuro e de baixo peso.

(Redação: Luna Normand com revisão de Danielle Campos)


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