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O cuidado e o trabalho da enfermagem é tema de palestra magna da 28ª Semana da Enfermagem do campus Saúde da UFMG

Na manhã da última segunda-feira, 14 de maio, teve início a 28ª edição da Semana da Enfermagem do campus Saúde da UFMG, com o tema: “A Centralidade da Enfermagem nas Dimensões do Cuidar”. A abertura solene aconteceu no Auditório do CAD, no Hospital das Clínicas, seguida pela palestra “O Cuidado e o Trabalho da Enfermagem”, ministrada pela professora Isabela Silva Cancio Velloso, da Escola de Enfermagem da UFMG.

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A mesa de abertura foi composta pela vice-diretora da Escola de Enfermagem da UFMG, professora Sônia Maria Soares; pela superintendente do HC, professora Luciana de Gouvêa Viana; Gerente de ensino e pesquisa, professor Alexandre Rodrigues Ferreira; gerente de Atenção à Saúde, professora Andréa Maria Silveira; chefe da Divisão de Enfermagem e professora da EEUFMG, Márcia Santos Pereira e pela chefe adjunta da Divisão de Enfermagem, enfermeira Paula Cristina Vasconcelos.

Isabela Cancio discutiu os desafios que se colocam para o cuidado e o trabalho da enfermagem na pós-modernidade, destacando como as práticas de saúde são afetas no mundo globalizado, em um contexto de profundas transformações no campo tecnológico, na produção econômica, na cultura, nas formas de sociabilidade, na vida política e na vida cotidiana.

"Para o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos a era da modernidade líquida, os tempos são líquidos porque, assim como a água, tudo muda muito rapidamente. Na sociedade contemporânea, nada é feito para durar. Dessa forma, podemos ver que estamos diante de um mundo virtual, onde imagem, som e texto têm uma velocidade instantânea. Há predomínio do instantâneo, da perda de fronteiras, gerando a ideia de que o mundo está cada vez menor através do avanço da tecnologia", explicou.

A professora disse que a realidade pós-moderna é construída a partir de múltiplas vozes e há vários olhares possíveis sobre ela. Essa pluralidade também se aplica aos conhecimentos e às práticas de enfermagem. "Alcione Leite da Silva, em seu artigo ‘A enfermagem na era da globalização: desafios para o século XXI’, afirma que na era pós-moderna e globalizada, a enfermagem é desafiada a buscar caminhos que respondam de forma crítica e efetiva às questões de saúde que estão postas na vida em sociedade”. 


Embora a enfermagem tenha passado por inúmeras transformações em pouco mais de um século, os contornos e tendências dos processos de globalização no mundo contemporâneo trazem novos e grandes desafios no século XXI. "Dessa forma é importante questionarmos como se posiciona e quais os desafios se colocam para a enfermagem na era da pós-modernidade. Não se trata questionar se as profissões de saúde vão mudar para atender a essa nova sociedade, mas em que sentido se darão as mudanças", destacou Isabela.

Professora IsabelaA professora explicou que o cuidado de enfermagem se estrutura em pilares fundamentais, tais como: a assistência, o ensino, a pesquisa e a gestão. A enfermagem, inscrita na era do conhecimento, deve agir crítica e reflexivamente, em uma perspectiva intersetorial, gerando informações e conhecimentos que subsidiem o resgate dos aspectos humanos envolvidos em sua prática assistencial, como um compromisso ético e de responsabilidade social. Destacou que, como afirmam os autores João Mário Pessoa Júnior; Vannucia Karla de Medeiros Nóbrega; Francisco Arnoldo Nunes de Miranda, no artigo O cuidado de enfermagem na pós-modernidade: um diálogo necessário, “não se trata de instituir um novo cuidado, mas uma atitude de 're-encantamento' pelo cuidar como instrumento valioso da prática humana".

No âmbito do ensino formal da enfermagem deve propor uma educação emancipadora, com a formação de profissionais capazes de refletirem criticamente sobre as questões de saúde em nível global e de agirem localmente, de forma transformadora, com responsabilidade e sustentabilidade. No que se refere à pesquisa na enfermagem, a professora afirma que o conhecimento produzido deve ser inovador, além de ter potencial para impactar substancialmente a realidade social, a saúde e o bem estar de indivíduos, famílias e comunidades, em especial das populações mais carentes e excluídas dos bens e serviços. “Alcione Leite da Silva afirma que a força da pesquisa em Enfermagem deve estar em considerá-la como espaço importante para o cuidado, enquanto ativismo político, não só no sentido da construção de novos marcos de conhecimento teórico-prático, mas, principalmente, para as ações em prol de níveis crescentes de qualidade de vida em sociedade”, explicou Isabela.

No que diz respeito à gestão, Isabela pontuou que trata-se de um elemento de transformação do cuidado e deve ser tratada como algo científico e racional, do qual procedem análises e relações de causa e efeito. Assim, cabe aos enfermeiros promoverem reflexões junto à equipe de enfermagem acerca de seu trabalho, pois reestruturações em sua organização só serão possíveis se os profissionais forem efetivamente atores do processo. “Ressalta-se que a disposição para questionamentos sobre as práticas e para mudanças devem ser uma constante na gestão na enfermagem”, finalizou.