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Práticas integrativas no tratamento da dor crônica são discutidas em seminário

Salete e Celia

Na última quarta-feira, 2 de março, estudantes da Escola de Enfermagem da UFMG estiveram reunidos para o seminário da disciplina “Estudo da Dor” sobre o tema: “Práticas Complementares e Integrativas no tratamento de pacientes com dor crônica”, coordenada pelas professoras Célia Maria de Oliveira e Salete Maria de Fátima Silqueira.

De acordo com a professora Célia, o evento faz uma intersecção com o projeto de extensão “Atendimento ao paciente com dor aguda e crônica” que desde 2017, está sob a sua coordenação. “Esse evento é um espaço para discutirmos um pouco sobre o trabalho do enfermeiro na assistência ao paciente com dor. Demos ênfase ao paciente com dor crônica e as práticas integrativas que foram instituídas pelo SUS. A Musicoterapia, o Reiki, a Arteterapia, fazem parte dessas práticas que já são reconhecidas e são desenvolvidas no Sistema Único de Saúde. Meu grupo de extensão oferece o Reiki como atividade e nós fazemos os atendimentos e consultas de enfermagem no Ambulatório Bias Fortes”, explicou.

A palestra de abertura foi ministrada pelo professor da Escola de Música da UFMG, Renato Sampaio. Ele explicou que a Musicoterapia é a utilização da música num contexto clínico, educacional e social para prevenção e apoio a problemas de saúde, promovendo qualidade de vida e bem-estar para os pacientes e destacou a importância dela para o tratamento da dor. “A musicoterapia é mais uma alternativa importante de tratamento as pessoas com dor, seja aguda ou crônica. É uma terapia de baixo custo e existem várias pesquisas que mostram a sua eficácia. Além disso, é fácil de realizar e também existem resultados imediatos e alguns resultados, eventualmente, a longo prazo. Assim, dentro de um hospital, por exemplo, conseguimos, muitas vezes, reduzir a quantidade de medicações como analgésicos que essas pessoas usam e melhorar a qualidade de vida dessa pessoa durante o tempo de internação. Por exemplo, com pessoas em cuidados paliativos, é possível trazer vários benefícios de qualidade de vida por meio da musicoterapia”, contou.
Segundo Renato, na Musicoterapia existem quatro tipos de experiências musicais: a audição, que é quando o paciente escuta a música; a composição, quando o paciente cria a música; a recreação, quando ele toca ou canta uma música que já existe; e a improvisação, que é quando o paciente cria e executa a música em tempo real. “Dependendo do tipo de necessidade e da condição de cada paciente, o terapeuta vai selecionar o tipo de experiência que é mais adequado de acordo com o objetivo clínico e a condição de cada paciente”, destacou.

DSC 0389Professor Renato Sampaio

Ele também falou que há um grande desconhecimento das pessoas sobre a Musicoterapia. Porém quando ela é apresentada para os pacientes, com os resultados que proporciona, as pesquisas que já existem, os relatos de caso, ela normalmente tem uma aceitação muito grande. “O que nós temos, infelizmente, ainda, é um modelo de saúde muito centrado na atuação do médico, então, as outras formas de tratamento, como as terapias integrativas, acabam, muitas vezes, sendo deixadas de lado pelas instituições de saúde”. 

Para Renato, é de extrema importância que os alunos da área de saúde conheçam sobre a Musicoterapia. Primeiro para que os enfermeiros, médicos e gestores, saibam que existe um outro profissional que tem essa especialidade da terapia musical, e que eles podem trabalhar em conjunto em prol de um determinado paciente. E em segundo lugar, para que haja uma divulgação dessa área de conhecimento. “Nós precisamos divulgar que o curso de graduação em Musicoterapia existe no Brasil; que é ele que forma esse profissional músico terapeuta; que a musicoterapia é uma profissão da saúde que já tem uma classificação brasileira de ocupações e que ela já está inserida no SUS. Por isso, temos que mostrar quem nós somos, para ajudar cada vez mais as pessoas”, declarou Renato.

O Reiki e a Massoterapia
O estudante de Enfermagem da EEUFMG, Helbert Júnio de Oliveira, faz parte do projeto de extensão coordenado pela professora Célia e falou sobre as terapias integrativas que ele trabalha: a Massoterapia e o Reiki. Segundo ele, o Reiki é uma terapia de origem oriental, que se baseia na existência de uma energia universal vital que permeia todas as coisas e promove a harmonização. A terapia é feita a partir de uma técnica de imposição de mãos nos pontos específicos que são centros de energia do corpo para promover, tanto a energização positiva, quanto a drenagem de energias que estejam estagnadas e bloqueadas.

“A Massoterapia, dependendo da prática, segue esse mesmo caminho do Reiki. As práticas que eu trabalho que são a Compressão e o Shiatsu também se baseiam em pontos de energia nos quais a gente exerce pressão e massagem para poder liberar o fluxo energético dentro do corpo. Todas as terapias de origem oriental se baseiam na existência do Chi, chinês, que simboliza a energia como sendo algo que flui no corpo através de vários meridianos e canais, como uma corrente sanguínea”, explicou.

Aplicação do ReikiHelbert contou que antigamente havia mais preconceito em relação a essa terapia, mas, atualmente existem vários estudos científicos, tanto com as técnicas de Massoterapia, quanto com o Reiki que tem demonstrado seu benefício. “Pela mudança de paradigma a assistência passou a ser voltada para o ser humano na integralidade. Então quando você trata integralmente o ser humano, você precisa de múltiplas técnicas que levam em consideração também a parte subjetiva do paciente”, explicou.

O estudante também disse que os benefícios do Reiki e Massoterapia são inúmeros e dependem de como eles são trabalhados. “Eu utilizo Reiki para tratar pacientes que possuem dor crônica. Promovemos um processo de relaxamento, uma prática meditativa que ajuda no alívio do estresse, de questões emocionais, que tem um efeito também sobre a parte somática. Conduz para a diminuição da dor e pode, inclusive, levar à redução da necessidade de medicação. Existem inúmeras questões que podemos trabalhar através do Reiki e Massoterapia”, explicou.

Ele também pontuou que as técnicas: Reiki, Massoterapia, Ioga, Tai Chi foram reconhecidas na última Portaria do SUS. “São técnicas que vêm para serem adjuvantes no tratamento. E o objetivo é trazer uma melhora para o paciente dentro de um quadro terapêutico complexo e multiprofissional”, destacou Helbert.

Arteterapia
A enfermeira Taiana Barroso abordou a Arteterapia, sua importância, a história dessa terapia e sua experiência com a Arteterapia no âmbito profissional. De acordo com ela, atualmente há um maior crescimento dessa área. “Essa terapia começou com a psiquiatra Nise da Silveira, no Rio de Janeiro, e desde então tem aumentado o número de cursos em Arteterapia e atualmente está sendo bem recebido, principalmente nessa área da dor e dos cuidados paliativos”, contou.

Taiana explicou que a Arteterapia é uma terapia integrativa complementar que se utiliza dos vários ramos da arte: teatro, música, artes plásticas e visuais. “Utilizamos, na maioria das vezes, as artes plásticas, mas todas as outras áreas da arte podem ser usadas. E para tratamento de dor, ela é utilizada como uma forma integrativa e complementar, em que o paciente tem uma melhor percepção de si mesmo e do outro também, ampliação do poder criativo, entre outras coisas”.

enfermeira Taiana Barroso

A Arteterapia trouxe para ela uma sensibilidade muito grande no âmbito profissional. “Profissionalmente eu estou muito grata, porque consegui ver os pacientes de uma forma ainda mais humana. A enfermagem já é uma área conhecida por ver o ser humano integralmente, mas a Arteterapia veio para reforçar isso em mim, pois você vê mudança que a arte promove no comportamento das pessoas, na qualidade de vida. A arte tem um poder muito grande de transformação”.

A enfermeira também destacou que é muito importante que os estudantes de enfermagem conheçam sobre a Arteterapia, para ampliarem seus horizontes em relação ao cuidado. “Acho bem legal os estudantes procurarem saber dessa técnica, e de outras técnicas integrativas também. Porque foge um pouco da visão biomédica, daquela questão que só o remédio cura. Quanto mais nós pudermos abrir nossas mentes para outras técnicas, para outras práticas, vamos realmente entender o que é a integralidade”, enfatizou Taiana.