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Cerimônia de abertura da Residência em Enfermagem Obstétrica aborda visibilidade feminina e a mulher como protagonista

mesaresidenciaAs alunas da primeira turma de Especialização em Enfermagem Obstétrica – Modalidade Residência da Escola de Enfermagem/UFMG (CNRMS) participaram, na última quinta-feira, 15 de março, no auditório Maria Sinno da EEUFMG, da cerimônia de abertura do curso. A palestra de abertura da residência foi ministrada pela advogada Nicole Gondim Porcaro que abordou o tema "Visibilidade feminina: A mulher como protagonista".

A mesa contou com a presença da diretora da Escola de Enfermagem da UFMG, professora Eliane Marina Palhares Guimarães; da presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO Nacional), professora Kleyde Ventura de Souza; do chefe do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública da EEUFMG, professor Jorge Gustavo Velásquez Melendez; da presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiras Obstetras Seccional Minas Gerais, Juliana Maria Almeida do Carmo; e da coordenadora do Curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica – Modalidade Residência da Escola de Enfermagem da UFMG; professora Torcata Amorim.

A diretora da EEUFMG parabenizou os novos residentes e falou sobre a importância da pedagogia na obstetrícia. “A disponibilidade, o respeito e o carinho são essenciais para nossa profissão, e isso nós adquirimos através da educação e da prática, algo que a residência com certeza irá trazer para todas vocês”, enfatizou Eliane.

De acordo com a coordenadora da Residência, professora Torcata Amorim, o objetivo da Cerimônia foi acolher os novos alunos e marcar um novo ciclo na história da EEUFMG. “Esse curso está iniciando um novo ciclo na universidade, que é a concretização da residência e ao mesmo tempo a inserção da residência num curso de especialização na modalidade residência na Pró-reitoria de Pós-graduação. E isso é importante, porque ele vem a regularizar todas as residências que são ofertadas na universidade, pela modalidade que a gente conseguiu que o curso fosse aprovado”, ressaltou.

A professora também destacou que o tema abordado nessa primeira aula é de grande auxílio para os novos residentes. “A enfermagem é uma profissão eminentemente feminina. E a enfermagem obstétrica trabalha com a mulher em diferentes fases: mulher gestante, não gestante, a mulher pós-menopausa, entre outros. Dessa forma, nós sempre trabalhamos com a mulher, e é muito importante discutirmos o feminismo em nossa profissão. Precisamos estar mais informadas, mais empoderadas, para atendermos da melhor forma possível, enquanto mulheres, enfermeiras e enquanto enfermeiras obstétricas”.

Segundo Torcata, é muito importante que os novos residentes tenham em mente, sempre, que a residência em enfermagem obstétrica é um projeto do Ministério da Saúde, e que visa mudar o modelo de atenção obstétrico. “Nós temos taxas altíssimas de mortalidade. Nós conseguimos reduzir, mas pouco. E já é comprovado que a enfermagem obstétrica faz diferença nessa assistência, nessa mudança de modelo. Então, é um projeto que é da Escola de Enfermagem, mas também é uma política dos Ministérios da Saúde e Educação, juntos”, contou.

Visibilidade feminina: A mulher como protagonista
Durante a palestra, a advogada Nicole Gondim Porcaro, militante do direito das mulheres, abordou sobre o protagonismo feminino, o papel político da mulher na sociedade e estratégias para a mulher ganhar maior espaço na sociedade. Ela contou que é uma das fundadoras da associação sem fins lucrativos chamada: “Visibilidade Feminina”, que surgiu nas eleições de 2016, lutando pela visibilidade das candidatas e pela eleição de mulheres.

“Quando passou a eleição, vimos a necessidade de expandir nosso campo de atuação, porque a invisibilidade e a sub-representatividade não estão presentes só na política. A política é um espelho da sociedade, ela também está presente em todas as profissões, dentro de casa, na vida pessoal, inclusive no cotidiano das mulheres”, explicou.

samire                                                                                                                     Nicole Porcaro

De acordo com Nicole, uma das estratégias mais importantes para fortalecer o protagonismo feminino é através da criação e formação de redes de apoio, pois enfrentar os desafios de maneira solitária traz mais dificuldades e menos resoluções. “Precisamos compartilhar as nossas experiências com as outras mulheres para conseguirmos levantar e continuar com força, porque, às vezes, nos sentimos muito sozinhas nas nossas batalhas. E a estratégia principal é essa: se fortalecer, qualificar, porque nós somos sempre questionadas da nossa capacidade”.

A advogada disse que é muito difícil a mulher alcançar o protagonismo, pois existe um espaço finito para o exercício de lideranças, e para pessoas novas entrarem outras precisam sair. “Vemos que a resistência é muito grande, por mais que, por exemplo, na política, alguns homens façam discurso por ter mais mulheres eleitas, acaba sendo complicado, porque ninguém quer perder o espaço. E para uma mulher entrar, necessariamente um homem terá que sair. Por isso é preciso que as pessoas que já estão lá, consolidadas no poder, enxerguem a necessidade de aumentar a diversidade das pessoas. Não só de mulheres, mas também de negros e lideranças indígenas. Porque para a sociedade crescer de uma forma igualitária, justa e com o futuro promissor, todos os pontos de vista precisam estar representados. E para as nossas prioridades serem realizadas, precisamos estar lá, ninguém vai representar por nós”, elucidou Nicole.

Expectativas
Samire Lopes Pereira conclui o curso de graduação em Enfermagem na EEUFMG no ano passado, e é uma das novas residentes do curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica – Modalidade Residência da Escola de Enfermagem/UFMG (CNRMS).

alunas residenciaEla disse que escolheu fazer o curso por ser apaixonada pela área obstétrica. “Eu sempre gostei de crianças, mas no sétimo período do curso de enfermagem, quando fui para a maternidade fazer estágio, me descobri totalmente. Acompanhei as gestantes e foi amor a primeira vista”, declarou.

De acordo com a residente, as expectativas para o curso são as melhores possíveis, principalmente por já conhecer a EEUFMG e os professores. “É uma Escola muito boa. Fiquei na EEUFMG durante cinco anos e as professoras aqui são excelentes, são minhas mestres, meus exemplos na obstetrícia. E assim, minhas expectativas são as melhores. Acho que a gente não pode vir com muita coisa pronta, porque sempre é bom se surpreender, então eu estou aberta a essa nova fase da minha vida profissional e acadêmica”.