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Violência e acidentes de trânsito são abordados em seminário

deeeborahNa última segunda-feira, 7 de agosto, profissionais da área da saúde, da sociedade civil, professores e estudantes estiveram reunidos, no auditório Laís Neto da Escola de Enfermagem da UFMG para o seminário “Violência, acidentes e o Projeto Vida no Trânsito”. O evento foi promovido e ministrado pela professora da EEUFMG, Deborah Malta; com a participação da integrante do Grupo Gestor da Informação do Projeto Vida no Trânsito de Belo Horizonte, da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Lúcia Paixão e da professora da Faculdade de Medicina da UFMG, Waleska Caiffa.

Segundo a professora Deborah Malta, o objetivo foi discutir e debater os impactos dos acidentes de trânsito em Belo Horizonte e no Brasil; chamando a atenção para o número de acidentes de trânsitos, as taxas e as medidas de prevenção; apontar os projetos de prevenção que tem tido êxito e pesquisas que tem sido conduzidas para avaliar o impacto destas medidas.

A professora falou sobre a importância dessa discussão na Escola de Enfermagem, como papel fundamental a contribuir com a difusão das informações acadêmicas para a sociedade, tanto para mostrar os problemas existentes, quanto as políticas publicas que tem sido implementadas para minimizar estes problemas. “A pesquisa tem que ser altamente implicada. Ela tem um papel social, tem que atingir as pessoas, e não pode ficar só nos artigos científicos, tem que ganhar vida, dinamicidade, ganhar prática. Esse é o sentido da universidade”, pontuou.

Durante sua palestra, a professora Deborah abordou alguns dados sobre os custos dos acidentes de trânsito, como: os acidentes nas rodovias federais, que significam uma perda superior a R$ 12 bilhões para a sociedade, considerando toda a malha rodoviária brasileira, tendo os custos estimados de R$ 42 bilhões por ano; o custo relativo à perda de produção responderia pela maior fatia desse valor cerca de 43%, ou 18,5 bilhões por ano, seguido pelos custos veiculares e hospitalares, criando um custo em cerca de 8,4 bilhões em saúde.

De acordo com a professora, os acidentes de transportes terrestres (carros, ônibus, caminhos, motos, etc) foram responsáveis por 1,2 milhão de mortes em todo o mundo em 2012, sendo que acometem principalmente jovens de 15 a 29 anos do sexo masculino. No Brasil, a taxa de mortalidade é quatro vezes maior em homens, sendo esse risco maior em todos os tipos de vítimas – 7,5 vezes em ocupantes de motocicleta e 3,4 vezes em ocupantes de veículos a motor. “Visando ao enfrentamento da morbimortalidade por acidentes de trânsito no Brasil, algumas intervenções foram implementadas ao Código de Trânsito Brasileiro, que incluem: Lei Seca (Lei nº 11.705/2008 e Lei nº 12.760/2012), a Lei da Cadeirinha (Resolução nº 277/2008, do Conselho Nacional de Trânsito – Contran), e o Projeto Vida no Trânsito (PVNT)”, destacou.

luuuciaProjeto Vida no Trânsito
A gestora da Informação do Projeto Vida no Trânsito de Belo Horizonte, da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Lúcia Paixão, explicou que o Projeto Vida no Trânsito existe desde 2010 e é basicamente uma melhoria na qualidade da informação sobre os acidentes e as vítimas dos acidentes de trânsito: vítimas graves e vítimas fatais. É uma abordagem intersetorial para propor intervenções que possam diminuir essas mortes, um projeto integrado, onde atuam setores como: a saúde, trânsito, mobilidade urbana e sociedade civil com a intenção de discutir com base nas evidências, nos dados disponíveis de mortalidade, com os dados de internação, de Boletim de Ocorrência (BO), e com os dados de outros setores.

“O Projeto visa discutir quais são os principais fatores de risco e quais intervenções devem ser feitas de forma integrada. Como o problema do trânsito é muito complexo e abrange uma gama imensa de intervenções, é importante que os parceiros tenham de fato uma articulação e um consenso sobre quais são as prioridades. E com isso conseguimos colocar quase todos os movimentos disponíveis para uma causa única”, explicou Lucia.

De acordo com a gestora, o projeto teve inicio em fator da realização da Primeira Conferência de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito, em Moscou, em 2009, coordenado pela Organização das Nações Unidas (ONU). “O relatório do evento apontou um número muito significativo de mortes, 1,3 milhões por ano, em decorrência aos acidentes de trânsito no mundo. O Brasil era uma das dez nações que tinham o maior número desses óbitos. “ Em 2010, a Organização Pan-Americana da Saúde e Organização Mundial de Saúde, propuseram realizar um programa em conjunto com 10 países prioritários, dentre eles o Brasil. O Ministério da Saúde do Brasil indicou cinco capitais, dentre elas Belo Horizonte 2010. O município aderiu ao programa e implementou o Projeto Vida no Transito na cidade. Assim, “estamos trabalhando com diversos órgãos do transito, BHTRANS, Educação e outros, melhorando as informações e com ações educativas e de infraestrutura urbana. Assim, com a melhoria das informações sobre as ocorrências dos acidentes estamos estabelecendo medidas para reduzir os acidentes de trânsito”.

A professora da Faculdade de Medicina da UFMG, Waleska Caiffa, destacou em sua palestra a importância do monitoramento feito pelos estudos do Projeto Vida no Trânsito. Segundo ela, para que se possa monitorar alguma coisa, é preciso ter qualidade na informação, porque se não existe uma boa qualidade na informação, fica impossível ter um monitoramento adequado que auxilie na redução dos acidentes. As informações sobre o transito são coletadas por diferentes Instituições. O boletim de ocorrência (BO) é preenchido pela polícia, o atestado de óbito e a autorização de internação pelo Hospital. Cada sistema de informação coleta informações especificas, que se complementam. Torna-se um grande desafio relacionar esses dados”, elucidou Waleska.

waleskaProfessora Waleska Caiffa

Devido a essas dificuldades na qualidade da informação, a professora abordou a criação de uma plataforma digital para o monitoramento desses dados, que podem auxiliar na criação de intervenções mais adequadas. “A plataforma ainda está no inicio do desenvolvimento e não tem data prevista para ser lançada. Ela tem o objetivo de ser usada pelas 31 cidades que participam do PVT, e estará em posse administrativa do Ministério da Saúde. Ela será ótima, pois, a partir de uma boa informação, podemos criar intervenções de qualidade que possam reverter na diminuição do número de acidentes no trânsito e na fatalidade”, finalizou.