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Trabalho remoto gera esforço por soluções e inspira reflexão e debate

Soluções e reflexões sob o ponto de vista da tecnologia, em áreas como computação, educação a distância, comunicação e inovações no ensino, dominaram o webinar que abriu a programação da Semana do Servidor nesta quarta, 28. Sob o mesmo enfoque, representantes de técnicos e docentes expuseram preocupações e reivindicações relacionadas ao trabalho remoto que se impôs com as restrições de convívio presencial neste período de pandemia.

Dorgival Guedes, titular da Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI), disse que as medidas de emergência nessa área foram facilitadas por ações de 2019, como a renovação do parque de computadores, que elevou o poder de processamento, e a atualização da rede sem fio. Quando os servidores passaram a trabalhar de casa, foi preciso viabilizar para todos, ele lembrou, acesso a arquivos, aplicativos e e-mails institucionais, redirecionamento de ramais, reuniões remotas e outras possibilidades.

Para o ensino remoto emergencial (ERE), segundo o relato de Dorgival, a DTI e o Cecom trabalharam para ampliar acesso ao Moodle, melhorar conectividade nas moradias universitárias, criar soluções mais robustas de backup, incrementar o desempenho das redes cabeadas e sem fio e implantar sistema de consultas on-line, que vai viabilizar, por exemplo, eleições nas unidades.

Eliane Seman a ServidorO Centro de Apoio à Educação a Distância (Caed), por sua vez, ofereceu, nos últimos meses, orientações sobre o uso da tecnologia no ensino remoto, tendo sempre em vista, como salientou Eliane Palhares Guimarães, diretora do órgão e professora da Escola de Enfermagem da UFMG, que o ERE se diferencia da EaD por ser uma opção temporária e não uma modalidade educacional. Sobre a educação a distância, Eliane destacou que se realiza em ambientes virtuais dotados de funcionalidades coo compartilhamento de arquivos, fóruns de discussão, chats e produção coletiva de textos.

“A EaD elimina a rigidez de horários e as fronteiras geográficas e é capaz de atender a pessoas com necessidades especiais. Ao mesmo tempo, exige incorporação tecnológica, ação comunicativa e corresponsabilidade. Seu potencial é otimizado pelo comprometimento dos participantes e pela integração das instituições envolvida”, explicou Eliane Palhares. Ela acrescentou que o momento sugere que se avalie a experiência com ensino remoto emergencial, que mudanças geradas pela incorporação podem permanecer e o impacto de todas essas novidades no pós-pandemia.

Plano e execução simultâneos
Coordenador executivo do Cedecom, Centro de Comunicação da UFMG, Marcílio Lana ressaltou uma característica peculiar do trabalho desde que se iniciou o regime de atividades remotas. “O planejamento e a execução ocorreram simultaneamente, começando pela reorganização das atividades considerando a mediação intensiva da internet e o envolvimento inevitável das questões pessoais na vida profissional e institucional”, comentou.

De acordo com Lana, uma das primeiras ações do Cedecom foi produzir uma página no portal da UFMG dedicada ao trabalho de enfrentamento da covid-19 e orientações à comunidade, tanto no aspecto sanitário quanto nos campos acadêmico e administrativo. Ele afirmou que o Cedecom teve modificada, de certa forma, a natureza de seu trabalho. Deixamos de ser produtores exclusivos de conteúdo para nos tornar mediadores e organizadores da produção realizada por outras instâncias da Universidade. E isso caracteriza mesmo a comunicação institucional contemporânea.”

Ao falar pelo GIZ – Diretoria de Inovação e Metodologias de Ensino – Kênia Herédia contou que foi possível manter todas as ações, no modo virtual, dos percursos formativos ao congresso anual, passando pelas publicações e pelas assessorias pedagógicas. “Fizemos os ajustes e adaptações, mesmo sentindo falta das reuniões presenciais, que sempre foram fundamentais para nosso trabalho colaborativo”, disse Kênia, adicionando que a experiência tem oferecido ganhos importantes como a intensificação do trabalho conjunto com outras instâncias da Universidade. Ela falou ainda sobre a série de oficinas criadas especialmente para a formação para o trabalho remoto.

Também servidor do GIZ, Marcos Vinícius Tarquínio propôs reflexão sobre a “tecnologização” dos tempos atuais. Ele citou o historiador Peter Burke para alertar que, diferentemente do que ocorre com outras situações – a democracia, por exemplo, se contrapõe ao autoritarismo –, a tecnologia não tem antagonista, e a adesão a ela é acrítica. “É preciso estarmos atentos aos efeitos do uso da tecnologia como mediadora das relações de trabalho, da circulação de afetos, da comunicação e das relações humanas”, sugeriu.

Para Tarquínio, “de nossas escolhas políticas, éticas e pedagógicas vão depender questões como a substituição da mediação humana pela tecnológica na educação, a intensificação e a precarização do trabalho, a individualização de responsabilizações por problemas estruturais e o apelo à tecnologia como solução para a política”.

Perda de identidade
A pressão por produtividade nas universidades públicas, com consequências negativas para a saúde física e mental, foi um dos temas da apresentação de Denise Maduro, coordenadora adjunta da Comissão Interna de Supervisão do Plano de Carreira (CIS), que representou o Sindifes, sindicato dos servidores. Segundo ela, os avanços tecnológicos, aliados às novas técnicas de gestão, avaliação e controle, levam os trabalhadores à exaustão. “Tem-se perdido a distinção entre os tempos pessoal e profissional, e o isolamento social leva também à perda da identidade da categoria, que já está sob ataques do governo e da sociedade”, afirmou.
Dia do Servidor2

Ela citou pesquisas recentes sobre o trabalho em casa que demonstram a aceleração do ritmo de atividade e das metas de produtividade, o crescimento dos gastos pessoais e a menor disponibilidade de equipamentos para o home office no setor público do que nas empresas privadas. Também mencionou nota da Fasubra, federação de sindicatos de servidores públicos, que alerta para desvantagens do trabalho remoto como a alienação do trabalhador com relação aos objetivos e processos do trabalho e a dificuldade de manter, a distância, ações de desenvolvimento de pessoal. Denise também defendeu que haja políticas institucionais robustas de inclusão digital, com provimento de equipamentos e capacitação dos servidores para as novas tecnologias.

Presidente do Apubh, sindicato dos docentes, Maria Rosaria Barbato informou que a entidade tem trabalhado para, em conjunto com a administração da UFMG, assegurar condições de trabalho satisfatórias para os professores. Sondagens feitas pelo Apubh revelam questões de ergonomia, falta de tempo para preparar aulas, falhas na plataforma de ensino e problemas como cefaleia, cansaço e alteração do ciclo do sono. “Precisamos discutir estrutura e equipamentos e a questão da saúde física e mental. Os professores tendem a não expor problemas laborais e vulnerabilidades, porque se sentem obrigados a dar conta sempre, para caber no modelo de excelência acadêmica”, disse a professora da Faculdade de Direito.

Uma das queixas mais comuns é a frustração com a distância física dos alunos, a ausência do debate e da troca de experiências, segundo Maria Rosaria, que defendeu o esforço coletivo na busca de soluções, com base no conhecimento da realidade dos docentes. “Estamos repassando as demandas para a Reitoria e mantemos diálogo permanente com o Dast [Departamento de Atenção à Saúde do Trabalhador] e a Comissão de Saúde Mental, sempre com o objetivo de combater a precarização do trabalho”, afirmou.

A Semana do Servidor segue até o próximo sábado, 31.
(Com Centro de Comunicação da UFMG)