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Prevenção de doenças e maior QI: aleitamento traz benefícios até vida adulta

Banner peito aberto 1024x342O aleitamento materno exclusivo até seis de vida do bebê também traz benefícios a médio e longo prazo, como prevenção na fase adulta de doenças metabólicas, obesidade, diabetes e hipertensão. A lista de ganhos inclui até maior inteligência no futuro. E não são apenas os bebês que se beneficiam: as mamães e até mesmo o ecossistema saem ganhando com a amamentação.

Pesquisa do Children´s National Health System, nos Estados Unidos, mostra que o leite materno ajuda a desenvolver mais rapidamente o cérebro de recém-nascidos em comparação às formulas. Já outro estudo do mesmo grupo mostra que bebês prematuros tiveram melhor desenvolvimento neurológico com o aleitamento materno.

Além disso, pesquisa brasileira, da Universidade de Pelotas, concluiu que quando a criança é amamentada até um ano de vida, ela terá quociente de inteligência (QI) mais elevado aos 30 anos.

O programa de rádio Saúde com Ciência apresenta série sobre os desafios e benefícios do aleitamento. Confira!

Crononutrição
Mas não é preciso esperar tanto tempo para constatar os benefícios do aleitamento. Quando exclusivo até o sexto mês, reduz até 19% o risco de leucemia infantil.
Um estudo realizado por psicólogos da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, mostrou que o leite materno ajuda os bebês a se manterem mais ativos ou mais sonolentos, tudo na hora certa. Isso porque o leite do amanhecer tem maior quantidade de cortisol, que deixa a criança mais ativa, e o elite do final do dia contém mais melatonina, que é o hormônio que ajuda dormir.

A professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Maria Cândida Ferrarez Bouzada Viana, também explica que a amamentação protege contra doenças infeciosas e ajuda na defesa do organismo.

“Além dos aspectos nutricionais, ajuda na imunologia, defesa do organismo, auxilia na aquisição e manutenção da microbiota mais saudável”, ressalta.

De acordo com a professora, o aleitamento deve ser exclusivo até os seis meses de idade, complementado com outros alimentos até dois anos de vida. Mas, se mãe e criança quiserem, pode ser estendido até por período superior a dois anos.

Prevenção contra Alzheimer e outras doenças nas mães
Twitter programas De peito aberto 03 1024x509As mamães que recebem apoio e orientações e conseguem superar os desafios da amamentação, também podem colher muitos frutos desse momento. Entre as vantagens, está a diminuição do risco de câncer de mama em 20%

A professora do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, Luana Caroline dos Santos, destaca outros benefícios para a mulheres, como o auxilio na perda de peso e, em longo prazo, redução de desordens neurodegenerativa, mal de Alzheimer e escleroses múltiplas.

“A cada dia a gente descobre mais maravilhas. Por mais que tenhamos substitutos, é impossível que qualquer técnica seja capaz de imitar o leite humano”, avalia Luana.

Mais barato e sustentável
Além de contribuir para mães e bebês mais saudáveis, amamentar também ajuda na saúde financeira da família e a construir um mundo melhor. Uma mãe que desmama antes do tempo, gasta em torno de um salário mínimo para adquirir fórmulas infantis. E como a criança que não recebe o leite materno exclusivo até os seis meses tem mais chances de ter doenças infecciosas, o gasto pode ser aumentando com a compra de medicamentos.

A amamentação contribui, inclusive, para alcançar dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que é uma agenda do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento que estabelece metas até 2030. A professora da Escola de Enfermagem, Luana Carolina, explica que o aleitamento é importante para a sustentabilidade, uma vez que não há desperdício. A mãe vai produzir aquilo que o bebê precisa e, se houver excedente, ela pode doar e ajuda muitas outras crianças.

Também evita desperdício dos recursos naturais. “Criação das vacas demanda grande volume de água e gera desflorestamento, sem contar que a compra de fórmulas gera lixo”, explica.

Mas para que todos esses ganhos ocorram, as mães precisam receber apoio, informações de qualidade e orientações médicas para que consigam superar todos os desafios da amamentação.

Amamentar mesmo na pandemia
As mamães com suspeita ou confirmação covid-19 devem continuar amamentando os filhos. Isso, é claro, desde que seja a vontade delas e que tenham condições clínicas. Não há nenhuma evidência científica significativa de transmissão vertical do novo coronavírus pelo leite materno, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde e o CDC Center for Diseases Control and Prevention, dos Estados Unidos.

Mas as mães com confirmação ou suspeita de covid-19 devem conversar com os profissionais de saúde sobre como proceder durante a amamentação. A professora do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública, Fernanda Penido, orienta sobre alguns cuidados com a saúde e com higiene nesse período.

“É importante lavar as mãos e os braços antes da amamentação, usar máscara facial e evitar falar enquanto amamenta”, destaca Fernanda. A professora coordena estudo epidemiológico, longitudinal e do tipo coorte retrospectiva e prospectiva na Escola de Enfermagem da UFMG sobre os impactos da pandemia na manutenção da amamentação.

Reportagens especiais
Confira mais sobre os benefícios do aleitamento materno no programa de rádio do Saúde com Ciência, que também aborda:

-> Doação de leite humano: como funciona?
-> Amamentação da pandemia
-> Relatos sobre amamentação
-> Nutrição das mães e aleitamento.

Programa Saúde com Ciência
O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa em formato de podcast pelo serviço de streaming Spotify.
(Com Centro de Comunicação da Faculdade de Medicina da UFMG)