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No Dia Nacional do Surdo, professora faz reflexões sobre a inclusão, acessibilidade e garantia de direitos de cidadania

O dia 26 de setembro foi instituído como Dia Nacional do Surdo, em 2008, através da Lei nº 11.796, data essa em que são feitas reflexões sobre a inclusão, acessibilidade e garantia de direitos de cidadania a esse grupo de pessoas, as quais constituem cerca de 5% da população, mais de 10 milhões de brasileiros.

A surdez pode decorrer de diferentes causas, como viroses, meningites, uso de alguns medicamentos ototóxicos, predisposição genética, exposição ao ruído de alta intensidade, presbiacusia (em decorrência da idade), traumatismo cranioencefálico, deformações congênitas, doenças metabólicas, tumores, nascimento prematuro e infecções congênitas, dentre outros. O tratamento, de acordo com cada caso, pode ser feito com medicamentos, cirurgias, uso de aparelho auditivo, implante coclear e reabilitação fonoaudiológica.

Há diferentes tipos e graus de perda auditiva e, na maioria das situações, as pessoas acometidas encontram grandes dificuldades para se comunicar. Em muitos casos, os surdos se utilizam da leitura labial, sendo que esta forma de comunicação está, neste momento de pandemia, bastante comprometida mediante a necessidade do uso de máscaras faciais. O uso da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é outra forma de comunicação utilizada pelos surdos, a qual vem se expandindo cada vez mais, representando uma importante forma de inclusão e de interação entre os mesmos e com a sociedade.

Em alguns casos a surdez pode ser prevenida, cabendo aos profissionais de saúde, dentre os quais a enfermagem, orientar a população para a vacinação contra a rubéola, cuidados no pré-natal e na exposição a ruídos intensos. Além disso, devem ser dadas orientações para a identificação precoce da presença de anormalidades, como na realização do teste da orelhinha em recém-nascidos, e no encaminhamento de crianças com atraso no desenvolvimento da fala (primeiras palavras surgem entre 10 e 12 meses). As pessoas devem ser orientadas a não introduzir objetos nos ouvidos, uma vez que pode causar sérias lesões, como perfuração do tímpano. O uso de fone de ouvido também deve ser feito com responsabilidade, pois volumes acima de 80 dB já causam riscos para a audição.

Os profissionais de saúde precisam dedicar atenção especial no atendimento a essas pessoas, considerando suas especificidades e estratégias de comunicação. Falar de frente para a pessoa, articular bem as palavras, auxiliar a comunicação com gestos e expressões faciais são estratégias que todos podem utilizar para maximizar a comunicação com pessoas surdas. Tais estratégias não demandam muito treino ou conhecimento técnico específico.

A tecnologia tem ampliado as possibilidades de inserção e comunicação mais efetiva com esse grupo, que tem explorado a internet e os aplicativos para se informarem e interagirem. Contudo, ainda há muito a avançar, como na produção de materiais educativos apropriados que considerem as demandas e limitações das pessoas surdas, e no aprendizado de LIBRAS por maior número de pessoas. Cabe pontuar que na internet encontram-se disponibilizados cursos de LIBRAS online e gratuitos. Na UFMG também é ofertado o ensino de LIBRAS, o que se estimula. A inclusão é responsabilidade de todos!

Fonte: Ministério da Saúde
Autora: Profa. Jaqueline A. Guimarães Barbosa
Membro do Projeto Promoção da Inclusão Social e da Acessibilidade de Pessoas com Deficiência no Campus Saúde/UFMG
Programa de Apoio à Inclusão e Promoção à Acessibilidade (PIPA) - NAI/UFMG.