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Enfrentamento da pandemia de covid-19 mobiliza programa do Campus Saúde UFMG

Topinho Janela Projetos
Cursos, aplicativo, podcast, ações de vigilância e educação em saúde feitas por professores, alunos e funcionários do Campus Saúde da UFMG atingiram diretamente milhares de pessoas em Minas Gerais, São Paulo e Moçambique, além de outras reverberações indiretas. Cinco meses após seu início, o Programa Campus Saúde UFMG Enfrentando o Coronavírus apresenta números que apontam o protagonismo das universidades não só no desenvolvimento de tratamentos e vacinas para a covid-19, mas também no enfrentamento coletivo e epidemiológico da pandemia.

O Programa de extensão expandiu-se conforme as necessidades sociais foram surgindo. “Começamos apenas como um grupo de pessoas interessadas em ações de promoção e educação em saúde. Com o passar do tempo, docentes, funcionários e alunos passaram a atuar presencialmente e remotamente em várias frentes em municípios mineiros, com repercussão em outros estados. Parcerias foram criadas e atuações passaram a ser notadas em estações de rádio, jornais e secretarias municipais de saúde”, relata a professora do Departamento de Pediatria e coordenadora do Programa, Maria do Carmo Barros de Melo.

No último ano, a série de reportagens “Janelas: da Universidade para a comunidade” apresentou exemplos de projetos de pesquisa, ensino e extensão da Faculdade de Medicina da UFMG que têm como objetivo contribuir com o desenvolvimento da sociedade. A série fica por aqui, mas você pode continuar acompanhando os projetos da Faculdade pelo site e redes sociais.

Além das ações de educação em saúde, produções científicas, capacitações e apoio em vigilância foram implementadas. “O programa foi crescendo em termos de ações e hoje temos repercussão em municípios mineiros, brasileiros e até mesmo fora do país. Com certeza tem contribuído para o enfrentamento do novo coronavírus, abrangendo um público diverso”, segue a professora.

Junto aos docentes, centenas de alunos estão mobilizados direta e indiretamente na resposta da Universidade à crise sanitária. Vitória Palmeira, coordenadora-geral do Diretório Acadêmico Alfredo Balena (DAAB), explica que a mobilização foi rápida, forte e ampla. “Em menos de uma semana mobilizamos dois cursos inteiros – Medicina e Enfermagem. A atuação vai da prevenção até a epidemiologia, com atuação em mais de dez cidades diferentes”, conta.

“É o maior projeto de extensão que eu já vi aqui na Medicina. Com certeza beneficia na formação dos alunos. Além da responsabilidade social, o aluno poder ir para a secretaria de saúde proporciona uma vivência muito rica sobre gestão e epidemiologia”, completa Vitória. Ela destaca também o contato dos alunos com desafios reais e a visão macroscópica de lidar com uma crise de saúde pública.

“Tenho muito orgulho. Não só da Medicina e Enfermagem, mas de todos os projetos da universidade. A UFMG conseguiu se responsabilizar com o que está acontecendo”.

Projetos Medicina

As ações continuam em andamento, em apoio a cidadãos, gestores públicos e profissionais de saúde. Novas ações também estão previstas, como a capacitação em Vigilância Epidemiológica para municípios, que será ofertada em setembro, com parceria da Vital Strategies. Confira alguns destaques na sequência.

App: Covid-19: você sabia?
Em parceria com a Escola de Design e Arquitetura da UFMG, foi desenvolvido um aplicativo voltado para o público adolescente e jovem. No quiz, perguntas sobre uso de máscaras, distanciamento e autocuidado testam os conhecimentos e informam sobre a prevenção ao vírus.
Lançado no início de abril, o número de acessos à página do jogo, chamado, “COVID-19, Você sabia?” ultrapassou a marca de 16.500 em meados de agosto. A professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia e coordenadora do Centro de Informática em Saúde (Cins) da Faculdade de Medicina da UFMG, Zilma Reis, explica que o projeto cresceu em seu escopo, aprimorando a parte técnica e adaptando a científica.

Ilustrações, inclusão de sons, novos menus e um ranking onde o jogador pode avaliar sua taxa de acertos tornaram o jogo mais interessante. Além disso, agora é possível saber quais são os temas que o público-alvo do jogo mais erra. “Assim, descobrimos que as perguntas sobre o autocuidado durante a pandemia são as com maior taxa de erro e reforçamos as orientações com mais infográficos e com a publicação de posts explicativos no Instagram do projeto”, analisa a professora.

Clique aqui para acessar ao jogo.

A quantidade de novos acessos cresce a cada dia. As escolas de ensino fundamental e médio de Belo Horizonte foram procuradas para divulgação entre alunos. “Utilizamos ainda a divulgação de mensagens no Instagram e o Facebook para dar ampla visibilidade à esta estratégia de educação para saúde, que tem foco no adolescente e adulto-jovem”, explica Zilma.

O conteúdo técnico-científico do jogo também é continuamente atualizado, por uma equipe de professores da UFMG. “Acreditamos que a oferta de um conteúdo de base científica e em linguagem acessível aos jovens através de um jogo eletrônico tem trazido uma oportunidade ímpar de ensinar como se prevenir e conviver com as restrições do momento, enquanto diverte”, comenta.

“As medidas preventivas precisam ser mantidas e o desafio deste momento, para esta faixa etária, é manter o distanciamento dos jovens das aulas presenciais e reforçar as medidas de proteção, no caso de contato eventual com pessoas fora de casa”

Escolas de outras cidades mineiras também serão abordadas por e-mail, para aumentar a divulgação das informações entre estudantes. Também está previsto a tradução do conteúdo para o inglês e o espanhol, além de ampliação da divulgação através de instituições educacionais parceiras da UFMG em outros países.

Adote sua Vizinhança
Alunos dos cursos de Medicina e Enfermagem da UFMG promovem boas práticas em saúde nos seus municípios de origem durante a pandemia. O “Adote sua vizinhança em tempos de coronavírus” faz uma ponte entre estudantes e gestores municipais e, sob coordenação de professores da UFMG, atuam em prol da busca de soluções específicas para as realidades locais.

Infográfico Janelas Adote sua vizinhançaEstão em execução serviços de informação à população por telefone, cursos e ações com imprensa. Em uma das entregas, o podcast “Xô Corona” leva informações importantes sobre medidas preventivas população em geral.

Vinte e quatro episódios foram lançados e estão sendo difundidos em estações de rádio de Minas Gerais e São Paulo. Atualmente, o projeto tem parceria com a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

O Adote sua Vizinhança tem parcerias firmadas com Itabirito, Esmeraldas, Itaúna, Minas Novas e ACHANTI (Associação Chapadense de Assistência às Necessidades do Trabalhador e da Infância).

O Boletim Matinal também é outro produto do projeto. Todos os dias, dados sobre covid-19 são difundidos junto à indicação de artigos e informações de credibilidade. O boletim circula pelas redes sociais, tem mais de 1.500 seguidores e já passou de 100 edições, que são distribuídas. “O acesso ocorre por pessoas de todo o país e temos relato de acessos internacionais”, comemora a professora Maria do Carmo.

O Adote sua Vizinhança também contemplou dois cursos, voltados para profissionais e população em geral. Eles se somam a outros cursos do Programa Campus Saúde UFMG Enfrentando o Coronavírus no esforço de preparar pessoas para lidar com a crise sanitária.
Cursos e capacitações do Programa:
– Curso de Capacitação Vigilância Covid-19 para Alunos de Medicina e Educadores;
– Evitando Epidemia Sars-Cov2: Capacitação para Acadêmicos da Área da Saúde UFMG para Tirar Dúvidas da População;
– Inclusão e Conhecimento para Enfrentamento do Coronavirus (acessível para surdos e deficientes visuais);
– Curso Capacitação Covid-19 para Auxiliares em Saúde e Educadores.
Para pessoas surdas e deficientes visuais, o Adote sua Vizinhança proporcionou a capacitação “Inclusão e Conhecimento para Enfrentamento do Coronavirus”. A coordenadora dos cursos e professora do Departamento de Pediatria, Daiana Elias, informa que foram 568 pessoas inscritas na modalidade por e-mail, sendo 201 concluintes. “Desde que começamos o projeto já foi muito trabalho e muitos bons resultados. Tivemos três turmas via email”, conta. Já no curso via página eletrônica “temos atualmente 1.345 inscritos e, até o momento, 426 participantes concluíram o pré-teste e todas as atividades”, completa.

Outro curso originado no Adote sua Vizinhança é a “Capacitação Covid-19 para Auxiliares em Saúde e Educadores”, ofertado em parcerias com secretarias municipais de saúde. Cerca de 2.000 profissionais de vários municípios mineiros realizaram a capacitação.

Cooperação com Moçambique
Em cooperação internacional, o programa capacitou estudantes de Medicina de seis faculdades de Moçambique para trabalhar em linha direta com a população. A primeira turma foi com alunos da Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), sediada em Maputo. À época do início dos trabalhos, o diretor da instituição, Jahit Sacarlal, celebrou a parceria. “A oferta veio no momento exato. Ainda não temos muitos casos, mas já há a necessidade de explicar para a comunidade sobre a doença”, disse Sacarlal.

O Ministério da Saúde de Moçambique, por meio da dr. Vânia Muripa, juntou-se à equipe. “Isto foi crucial para a inclusão e adoção de protocolos de atendimento ao paciente com suspeita de covid-19, na parte do conteúdo mais específico da rede de saúde de Moçambique”, explica a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Maria Cândida Bouzada, que coordena a ação. O primeiro curso com participação de alunos moçambicanos foi em abril, com oferta de 25 vagas. Até o último curso, já foram capacitados mais de 160 alunos.

Os estudantes capacitados à distância atuam no call center “Alô Vida”, que informa a população moçambicana sobre questões de saúde.

“Esta iniciativa reavivou a questão da cooperação internacional entre a UFMG e a Universidade Eduardo Mondlane de Moçambique. A partir da interação, novas propostas estão sendo elaboradas como forma de estreitar as relações”, comemora a professora. Em novembro de 2019, a Faculdade de Medicina da UFMG aderiu à Rede de Cooperação das Escolas Médicas de Língua Portuguesa, que estabelece esforços de compartilhamento de experiências entre Universidades. A UEM também faz parte da rede. O protocolo foi assinado em Lisboa.

Tira dúvidas
O início de março de 2020 marcou a chegada da covid-19 ao Brasil. O professor do Departamento de Clínica Médica e coordenador do projeto “Campus Saúde tira dúvidas sobre o coronavírus”, Unaí Tupinambás, entende que a universidade foi forçada a se reestruturar e se adaptar à nova realidade. “Mais do que nunca uma de suas funções principais, a extensão, ganhou destaque e importância. Se já era atividade relevante por dialogar de forma direta com a comunidade, neste momento foi fundamental para que a universidade mostrasse de forma inequívoca a sua relevância para a sociedade”, afirma.

Infográfico Janelas Tira dúvidasO interesse dos alunos foi imediato: em menos de 24 horas, 200 estudantes já haviam demonstrado interesse na capacitação para a ação. Chamado “Evitando a epidemia Sars-Cov2”, o curso acabou sendo referência para diversas instituições de ensino superior do Brasil (como UFSJ e UFJF, por exemplo) e de Moçambique na preparação de estudantes para o trabalho de informação em saúde envolvendo a covid-19. Aproximadamente 2.000 participantes foram capacitados até agosto.

Clique aqui e acesse a plataforma do Tira Dúvidas

De forma ágil, a população pode interagir com alunos escalados de 7h às 19h, todos os dias, por meio da página eletrônica elaborada e mantida pelo Centro de Tecnologia em Saúde (Cetes) da Faculdade de Medicina da UFMG. “Esta atividade é muito bem avaliada por aqueles que utilizam este serviço e vem contribuindo para disseminar informações corretas, de qualidade, seguras e combatendo as fake news”, comenta Unaí. Em pesquisa de satisfação, 92% dos usuários afirmaram que tiveram as dúvidas respondidas antes ou muito antes dos esperado. Essa e outras ações têm sido desenvolvidas em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA-BH).

Em outras frentes, alunos foram alocados na SMSA-BH e têm contribuído para a execução de ações de enfrentamento do novo coronavírus na capital mineira. Inicialmente um grupo de 10 alunos participou de ação coordenada pela professora do Departamento de Pediatria, Valéria Melo, para apoio à central de telefone 156, como forma de contribuir com a capacitação dos atendentes para tirar dúvidas da população.

Um banco de perguntas e respostas para leigos e para profissionais de saúde foi elaborado e disponibilizado para a SMSA-BH. Parte dos alunos ajudaram a levantar dados sobre óbitos domiciliares atendidos pelo SAMU. No Setor de Notificação, dez alunos foram alocados para auxiliar no registro, análise e vigilância de dados epidemiológicos. Outro grupo de alunos foi alocado na coleta, compilação e análise de dados de swab realizados em profissionais de saúde em Belo Horizonte.

À época da criação das barreiras sanitárias em Belo Horizonte, um grupo de alunos de Medicina previamente capacitados foi inserido na ação da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Até julho, cerca de 1,1 milhão de pessoas foram abordadas em veículos e 103 mill em estações de ônibus. No total, 2.874 pessoas foram encaminhadas para os serviços de saúde. A seguir, um novo grupo de alunos da UFMG foi recrutado para fazer monitoramento das pessoas abordadas nas barreiras sanitárias e por meio de um questionário semiestruturado, a evolução dos casos e encaminhamentos foram pesquisados.

O professor Unaí avalia que as ações beneficiam igualmente o sistema de saúde e a formação dos alunos. “O projeto propiciou interação da universidade com o setor público de saúde, apoiando iniciativas para a promoção e educação em saúde, além de atuação em setores importantes como a notificação, barreiras sanitárias e monitoramento por telefone de pacientes abordados nas barreiras”, analisa.

“Os alunos tiveram oportunidade de vivenciar uma experiência ímpar em termos de vigilância epidemiológica e coleta de dados e de exames, colaborando para que atividades importantes pudessem ser realizadas em nosso município”

(Com Centro de Comunicação da Faculdade de Medicina da UFMG)