Calendário

Novembro 2020
Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
20
21
22
23
24
29

O home office no Brasil é tema do 'Outra estação', da Rádio UFMG Educativa

Home OfficeA disseminação do novo coronavírus aumentou o índice de desemprego no Brasil. A taxa oficial subiu para 13,3% no trimestre encerrado em junho, atingindo 12,8 milhões de pessoas, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE. A situação seria ainda pior se parte das empresas não tivesse implantado o home office. Cerca de 8,2 milhões de pessoas trabalhavam de forma remota na terceira semana de julho, de acordo com levantamento do IBGE.

Em meio à pandemia, como o home office, também chamado de teletrabalho, impactou a rotina dos brasileiros? Quais os pontos negativos e positivos do trabalho remoto? Como conciliar a rotina profissional e a vida familiar? O ambiente doméstico deve ser adaptado? Quais os desafios que o Brasil precisa enfrentar para ampliar e melhorar a adoção dessa modalidade? Essas são algumas das questões abordadas no episódio 54 do programa Outra estação, da Rádio UFMG Educativa.

“Em home office, a rotina é muito mais instável. Tenho horário para começar o trabalho, mas não tenho horário para terminá-lo. E a gente vai trabalhando até não aguentar mais", conta Vanessa Fagundes, de 40 anos, assessora de comunicação de um órgão público. Ela mora em Belo Horizonte e, há cerca de quatro meses, está em regime de trabalho remoto juntamente como marido. Já o filho do casal tem 5 anos e vem tendo aulas a distância. "Fico muitas vezes até 10 horas [da noite] tentando adiantar coisas [do trabalho], porque sei que no dia seguinte meu filho vai ter aula, então durante uma parte da tarde não poderei estar disponível no meu serviço", acrescenta.

Durante a pandemia, empresas e órgãos públicos recorreram ao teletrabalho, em uma mudança que precisou ser feita rapidamente, muitas vezes com pouco ou nenhum planejamento e sem que trabalhadores conseguissem adequar suas casas a essa novidade. A situação prejudicou a saúde e o bem-estar de muita gente, como apontam várias pesquisas realizadas no Brasil.

No primeiro bloco do programa, a Rádio UFMG Educativa conversou com a coordenadora de um desses estudos, feito pelo Grupo Estudo Trabalho e Sociedade da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em parceria com a Rede de Monitoramento Interdisciplinar da Reforma Trabalhista. A professora Maria Aparecida da Cruz Bridi explicou sob que condições o home office vinha sendo realizado, segundo informações prestadas pelas cerca de 900 pessoas entrevistadas pela pesquisa.

Como cuidar da saúde? E o que esperar para o futuro do home office?
Apesar das dificuldades vividas por muitas pessoas que passaram a exercer o teletrabalho, é possível que essa atividade ocorra de forma saudável. No segundo bloco do Outra estação, a professora Carla Aparecida Spagnol, da Escola de Enfermagem da UFMG, explicou algumas das condições ideais para o exercício do home office. "Podemos citar uma boa luminosidade, a temperatura do ambiente, nem muito frio nem muito quente, ser um local arejado, com o mínimo de barulho possível”, enumera. Carla Spagnol também destacou qual deve ser o papel do empregador.

Um levantamento feito pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP) e pela Fundação Instituto de Administração entrevistou, entre maio e junho, cerca de 1,3 mil pessoas que trabalhavam em home office, das quais 70% disseram querer continuar exercendo o teletrabalho quando o Brasil retomar alguma normalidade. Por sua vez, uma pesquisa feita pela Fundação Instituto de Administração, divulgada em julho, mostrou que, de um total de 139 pequenas, médias e grandes empresas atuantes no país, 63% pretendiam continuar com o teletrabalho após a pandemia para, pelo menos, parte dos funcionários.

Quais os desafios que o Brasil precisa enfrentar para expandir e melhorar a prática do teletrabalho? Essa é uma das questões abordadas em nossa conversa com Rogério Jerônimo Barbosa, um dos coordenadores de um estudo realizado pela Rede de Pesquisa Solidária, grupo de pesquisadores vinculados a instituições brasileiras e estrangeiras. A pesquisa mostra que a desigualdade no acesso a tecnologias digitais é um dos obstáculos para o país ampliar sua capacidade de implantar o home office, como destaca Rogério, pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole da USP e pesquisador associado do Brazil Lab, da Universidade de Princeton.

Para saber mais
Pesquisa sobre impactos do home office na saúde de trabalhadores brasileiros, realizada pelo Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde, vinculado à Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, em parceria com o Institute of Employment Studies e a empresa Sharecare

Estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), segundo o qual 23% dos empregos no Brasil podem ser realizados inteiramente em home office. Porém, segundo a pesquisa, esse percentual varia entre os tipos de atividades ocupacionais e entre as unidades da federação, e o acesso ao teletrabalho está relacionado diretamente à renda per capita dos trabalhadores

Lei de 2017 que inseriu o teletrabalho na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT); a modalidade é abordada no Capítulo II-A

Produção
O episódio 54 do programa Outra estação é apresentado por Beatriz Kalil. A produção é de Arthur Bugre, Beatriz Kalil e Tiago de Holanda. A edição é de Tiago de Holanda. Coordenação de jornalismo de Paula Alkmim. Trabalhos técnicos, de Breno Rodrigues.

O programa aborda, semanalmente, um tema de interesse social. Na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM), ele vai ao ar às quintas-feiras, às 18h, com reprise às sextas, às 7h30. O conteúdo também está disponível nos aplicativos de podcast, como o Spotify.
(Com Rádio UFMG Educativa)