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OMS reconhece risco de transmissão do SARS-CoV-2 suspenso no ar

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu novas evidências relacionadas ao contágio pelo novo coronavírus. O consenso estabelecido era o de que o Sars-CoV-2, vírus causador da covid-19, dissemina-se principalmente por meio de gotículas lançadas no ambiente quando pessoas infectadas tossem ou espirram. Elas logo caem no chão ou em outra superfície. Porém, na semana passada, a OMS admitiu que existem evidências científicas de que o vírus pode ficar suspenso no ar em gotículas minúsculas emitidas inclusive na fala e na simples exalação de ar.

Essa revisão da OMS ocorreu depois que 239 cientistas de 32 países publicaram um documento alertando que várias pesquisas mostram que essas gotículas podem pôr em risco pessoas que estão a vários metros de distância de alguém infectado pelo vírus, sobretudo em lugares fechados ou pouco ventilados.

A professora do Departamento de Microbiologia da UFMG e chefe do Laboratório de Biologia Celular de Microrganismos, Viviane de Souza Alves, explicou em entrevista ao programa Conexões, da Rádio UFMG Educativa, que pesquisas com esse teor não são novidade no meio científico. "Desde o início da pandemia, havia estudos indicando um potencial de transmissão do vírus por aerossol, que é o contágio por meio de microgotículas lançadas pelo simples ato de falar ou respirar. Elas são até mil vezes menores do que as que chamamos de ‘perdigotos’, expelidos quando tossimos ou espirramos. Em ambientes fechados, essas microgotículas que carregam o vírus podem ficar suspensas no ar por até 16 horas, e a contaminação pode ocorrer nessas condições”, esclarece a pesquisadora.

Mesmo com os indícios científicos, uma autoridade técnica de prevenção e controle de infecções da OMS afirmou que as evidências desse tipo de transmissão não são definitivas e que ainda precisam ser reunidas e interpretadas. A professora Viviane Alves explica por que a confirmação de transmissão do novo coronavírus por vias aéreas é um processo complexo, analisado minuciosamente pelas autoridades internacionais. "A maioria dos estudos que indicam essa possibilidade é feita em ambientes controlados, onde se consegue determinar a viabilidade do vírus. Quanto a ambientes da ‘vida real’, porém, apesar de os estudos conseguirem detectar a presença de material genético do vírus do ar, as organizações científicas ainda exigem evidências mais palpáveis de que esse material tenha condições viáveis para infectar os humanos”, ressalta a pesquisadora.

Para a professora do ICB, as evidências reunidas até o momento são suficientes para que as recomendações de combate à transmissão da covid-19 levem em conta a possibilidade de contágio do vírus por vias aéreas. “Além das observações feitas em laboratórios, existem outros indícios indiretos, que são os dados de vários trabalhos publicados que mostram infecção de pessoas em shoppings, restaurantes e ambientes fechados, mesmo sem contato próximo com pessoas infectadas. Esse acúmulo de evidências basta para que se passe a considerar também a viabilidade da transmissão por aerossol”, ressalta a professora.

Novas precauções
De acordo com Viviane Alves, a confirmação das novas evidências implica grandes mudanças para as medidas preventivas. "A distância de segurança entre as pessoas deve ser estendida para além de dois metros, o uso de máscara deve ser obrigatório, e os ambientes precisam de ventilação constante para evitar a transmissão por aerossol", exemplifica.

Devido à complexidade das novas medidas que devem ser tomadas, Viviane Alves considera inviável pensar na reabertura do comércio no atual momento da pandemia no Brasil. “Estamos numa fase de alta transmissibilidade da doença e grande número de pessoas infectadas pelo vírus. Uma reabertura sem conscientização e sem extensão das medidas de segurança representa risco enorme para os brasileiros”, defende a pesquisadora.

A professora do Departamento de Microbiologia da UFMG e chefe do Laboratório de Biologia Celular de Microrganismos, Viviane de Souza Alves, foi a entrevistada da última quinta-feira, dia 9, do programa Conexões, da Rádio UFMG Educativa.

O estudo discutido na entrevista pode ser acessado, em inglês, neste site.

Viviane Alves também é coordenadora de ação educativa do Departamento de Microbiologia, que desenvolve trabalho de divulgação de informações científicas sobre a covid-19 e outras doenças, recomendações práticas de sobrevivência e soluciona dúvidas da população sobre o enfrentamento à pandemia. Conheça o site e as redes sociais do projeto (Instagram e Facebook).
(Com Rádio UFMG Educativa)