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Professores do curso de Enfermagem de Universidades Públicas de MG discutem a situação do ensino

Nesta terça-feira, 16 de maio, representantes de dez Universidades Públicas de Minas Gerais se reuniram em seminário online com o objetivo de discutir a situação do ensino nos cursos de Enfermagem no contexto da pandemia do novo Coronavírus. O evento, promovido pelo Colegiado de Graduação em Enfermagem e Núcleo Docente Estruturante da Escola de Enfermagem da UFMG, reuniu cerca de 100 pessoas e ofereceu um espaço para compartilhar estratégias e desafios que os cursos de enfermagem vêm enfrentando desde a suspensão das atividades acadêmicas presenciais.
seminario enfDurante a abertura do evento, a professora Sônia Maria Soares, diretora da Escola de Enfermagem da UFMG destacou a importância desta parceria extremamente importante. “Estamos vivenciando um período que eu considero como especial, porque estamos em meio a uma situação inédita do ponto de vista deste contexto de pandemia. Nesse seminário, nós estamos constituindo uma rede de possibilidades, uma rede onde reafirmamos nosso compromisso ético com a nossa profissão e com os alunos que confiam em nós para guiá-los”, enfatiza.

A presidente da Associação Brasileira de Enfermagem – Seção MG, Quésia Nayrane Ferreira considera que é um desafio para a questão de adequar o ensino remoto, sem perder a qualidade do presencial, principalmente para as instituições públicas, que referência no país.

A professora Fabíola Carvalho Almeida Lima Baroni, coordenadora do Colegiado de Graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem UFMG, destacou a importância da solidariedade nesse momento tão incerto. “É com grande satisfação que estamos aqui hoje discutindo o ensino da enfermagem no estado. Mas, para falarmos de ensino, precisamos falar também de solidariedade. É um momento de nos solidarizarmos com todos aqueles que adoeceram, estão vivenciando a enfermidade e infelizmente, faleceram vítimas da Covid-19. É importante pensar nos profissionais de saúde que estão na linha de frente, como todo e qualquer trabalhador, nesse isolamento social, que tem que sair de sua casa para ter o seu sustento e de sua família. Discutir o ensino e formação em enfermagem em tempos de pandemia é imprescindível, que façamos a inclusão de todos, sem perder a atenção em seus contextos”.

Desafios
O objetivo do seminário, ao reunir as Escolas de Enfermagem que estão no mesmo cenário de manutenção da excelência na formação dos futuros enfermeiros, é contribuir para o reconhecimento das possibilidades a serem adotadas no ensino da enfermagem nas Universidades Públicas do Estado e fomentar reflexões para o planejamento da retomada das atividades acadêmicas inclusivas e de qualidade. Nesse contexto, os representantes das universidades participantes foram convidadas a apresentar, em um momento de troca de experiências, os seus principais desafios enfrentados.

A representante da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), professora Luciana Barbosa, relata que a maior dificuldade encontrada é realizar de forma positiva a manutenção da relação ensino-aprendizagem enquanto as atividades presenciais permanecerem suspensas. “Alguns dos principais fatores que estamos levando em consideração para planejarmos nossas atividades de retomada são a inclusão dos alunos com difícil acesso à internet, o ajuste do calendário acadêmico, considerando as diferentes realidades e a garantia da qualidade de ensino para todos”.

Já para a professora Cristiane Silveira Monteiro, representante da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL), o maior desafio é com relação aos alunos que estão realizando o Estágio Supervisionado. “A maioria dos locais de Estágio Supervisionado e práticas se tornaram, nesse momento, local de referência no combate a pandemia do Covid-19. Então tivemos que analisar se os alunos estavam correndo risco de contaminação e se seria melhor suspender as atividades, além de oferecer os equipamentos de proteção individual”.

A professora Fabíola Baroni, coordenadora do Colegiado de Graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem da UFMG que a escola não abre mão da qualidade do ensino. “Além disso, precisamos garantir a acessibilidade de todos e todas as propostas deverão primar pelo princípio da equidade. A educação remota não pretende ser definitiva, mas temporária e o nosso lema nesse momento é de que não podemos deixar ninguém para trás”.

O representante da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), professor Elias José Oliveira, contou que a maior preocupação de sua instituição é com relação à saúde mental dos discentes e docentes. “Nesse momento de tensão e medo, nós percebemos que os alunos estão com dificuldade de lidar com as questões voltadas ao distanciamento social e aos sentimentos relacionados ao retorno às aulas e estágios. Já os professores, se encontram ansiosos com o cenário de terem que reinventar suas formas de darem aula, tendo que entrar em contato com novas tecnologias que não estão familiarizados”.

Experiência
No período da tarde, a professora da Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo (EPE-UNIFESP), Cassiane Dezoti da Fonseca, discorreu sobre “A experiência do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo sobre o estágio curricular em tempo de Pandemia Covid-19”. Ela explicou que a princípio a escola lidou com dois tipos de desafios: o econômico e o pedagógico. “Para lidarmos com o desafio econômico, a Escola Paulista de Enfermagem lançou três editais para auxílio financeiro dos alunos, além de auxílio digital para a aquisição de pacote de dados móveis e auxílio para aquisição de equipamentos tecnológicos. Por sua vez, no desafio pedagógico nós tivemos que fornecer uma formação docente para o ensino remoto, de forma a garantir o pleno controle das ferramentas virtuais que serão utilizadas nas aulas à distância”.

cassianeA professora Cassiane também deu destaque aos pontos positivos e negativos na condução do processo de ensino e aprendizagem. “Positivamente, nós temos a mobilização da comunidade acadêmica, integrando professores e alunos, para o desenvolvimento de ações no enfrentamento da pandemia, como: lives, campanhas de vacinação e produção de campanhas e materiais educativos. Além disso, temos reuniões frequentes para a avaliação do cenário epidemiológico e planejamento das atividades acadêmicas e inserções em atividades extensionistas com o objetivo de auxiliar a população mais vulnerável, como doação de sangue e doação para o banco de leite. Negativamente, percebemos o sentimento de medo diante do risco de contaminação por Covid-19 e ansiedade, em função dos impactos da pandemia na formação dos estudantes”.

Entre as estratégias que a Escola Paulista de Enfermagem adotou para planejar e garantir o ensino no contexto da pandemia, a professora Cassiane citou a capacitação docente para ministrar conteúdos remotamente, a participação dos alunos nas discussões e tomada de decisão do retorno das atividades acadêmicas e a oferta de equipamentos de proteção individual para professores e alunos do quarto ano do curso. Ela também relatou que houve oferta de treinamento em biossegurança para discentes e docentes com equipe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital São Paulo e manutenção de canais efetivos de comunicação entre alunos, professores e coordenadores do curso, de modo a rapidamente identificar necessidades e provê-las dentro das possibilidades institucionais.
Estratégias
Em um outro momento do seminário, foram discutidas as estratégias que os cursos de Enfermagem das Escolas Públicas de Minas Gerais têm utilizado ou planejado para o ensino remoto. O foco da discussão foram os processos de ensino remoto e organização e planejamento dos ensinos clínicos juntos aos serviços de saúde.

A professora Luciana Barbosa, da UNIMONTES, relatou que reduzir o tempo de aula juntamente com atividades mais atrativas aumentou a adesão dos alunos ao Ensino Remoto Emergencial. “É de extrema importância realizar as discussões de retorno com os alunos, de forma a evolvê-los no processo de tomada de decisões. De acordo com resultados de questionários que implementamos, observamos que há maior adesão às atividades como exercícios e aulas gravadas e disponibilizadas aos estudantes, ao invés de ao vivo”.

Para a professora Cristiane Monteiro, da UNIFAL, minimizar a desigualdade de acesso é a principal estratégia para um ensino mais eficiente. “Nós buscamos promover para os alunos auxílios para contratação de planos de dados e o empréstimo de notebooks. Além disso, ofertamos cursos sobre tecnologias digitais também aos alunos, preparando-os para ter total conhecimento sobre as plataformas de estudo”.

Fabiola baroniJá a professora Fabíola Baroni, ressaltou a importância da integração de todo o corpo estudantes e professores. “Nós estamos realizando várias reuniões semanalmente, chamando os professores de todos os períodos para participar, e buscando estratégias para garantir a segurança, a qualidade e a equidade do ensino. Tanto a heterogeneidade do corpo discente, quanto a diversidade do corpo docente, estão sendo levadas em consideração no planejamento das ações. Nosso objetivo é realizar um trabalho de construção que seja colaborativo, de escuta e diálogo nesse momento desafiador que estamos vivendo”.

O professor Elias José Oliveira, da UFU, contou que o estabelecimento de metas de curto, médio e longo prazo incentivou o desenvolvimento das ações de retomada. “Começamos a definir temas e direcionamentos para que pudéssemos consolidar no colegiado medidas cabíveis a cada tipo de contexto. Definimos de precisaríamos de no mínimo três comissões para definir os aspectos pedagógicos voltados para as questões teóricas, práticas e o contexto discente/docente. Todas as medidas devem garantir o retorno seguro, de qualidade e com equidade para todos os assistidos pela escola”.

Encerramento
O momento de encerramento do seminário contou com a homenagem da aluna do curso de graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem da UFMG, Ana Paula Moreira, que cantou uma música dedicada a todos os professores e coordenadores presentes. Com uma mensagem de esperança, a música pedia para que não deixássemos de ter fé na vida.

“Esse compartilhamento de ideias é extremamente importante. Podemos perceber que alguns estão mais adiante, outros, começando agora a criação de estratégias, mas temos a certeza de que todos nós, coordenadores de curso, estamos trabalhando incansavelmente. Agradeço mais uma vez pela presença de todos e espero que possamos nos reunir mais vezes em prol de avançarmos juntos” conclui a professora Fabíola Baroni.

A diretora da EEUFMG, Sônia Soares, deixou seu recado. “Encerramos uma tarde cheia de propósitos. Os desafios vão continuar e é importantíssimo nós construirmos essa rede de apoio e trabalho, onde possamos nos fortalecer e encarar como frente unida esse momento que trouxe mudanças tão profundas e especiais. As ações coletivas realmente tendem a nos dar possibilidades de enfrentamento com mais coragem. Precisamos confiar, andando juntos e compartilhando nossos saberes e nossas realizações”, finaliza.

Participaram também deste seminário, os professores e coordenadores Lucia Aparecida Ferreira da Universidade Federal do Triângulo Mineiro; Thiago Cesar Nascimento da Universidade Federal de Juiz de Fora; Izabela Rocha Dutra da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri; Pedro Paulo Prado Junior da Universidade Federal de Viçosa; e Humberto Ferreira de Oliveira da Universidade Federal de São João Del Rei.

Redação: Vívian Mota - estagiária de jornalismo
Edição: Rosânia Felipe- Jornalista