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Resultados da pesquisa de comportamento mostram o que mudou nos hábitos dos brasileiros durante a pandemia

Nesta sexta-feira, 22 de maio, foram divulgados os resultados do projeto “ConVid – Pesquisa de Comportamento”, que tem o objetivo de verificar como o isolamento social consequente a pandemia do novo coronavírus afetou ou mudou a vida da população brasileira. O estudo, da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), é realizado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No período de 24 de abril a 8 de maio de 2020, 44062 indivíduos participaram da pesquisa.

atividadefisica2A amostra foi calibrada por meio dos dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD, 2019) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para obter a mesma distribuição por Unidade da Federação, sexo, faixa etária, raça/cor e grau de escolaridade da população brasileira. Os resultados estão apresentados de acordo com os aspectos considerados na pesquisa: atividades de rotina e trabalho, rendimento, situação de saúde e acesso aos serviços de saúde, estado de ânimo e comportamentos saudáveis como fumo, atividade física e sedentarismo, álcool e alimentação.

A coordenação é da professora da Escola de Enfermagem da UFMG, Deborah Carvalho Malta, com Celia Landmann, da Fiocruz e Marilisa Barros da UNICAMP. “A chegada da pandemia provocada pelo novo coronavírus no Brasil levou a uma série de iniciativas e recomendações para a proteção das pessoas, que incluiu o isolamento social. As pesquisas de comportamento são fundamentais para entendermos o contexto em que os brasileiros estão vivendo e promovermos ações para ajudá-los a desenvolver bons hábitos nesse momento”, explica a professora Deborah Malta.
Isolamento social
De acordo com os dados obtidos, apenas 15% da população ficou rigorosamente em casa. Entre os idosos, o percentual alcançou 31%. A maioria da população brasileira (60%) ficou em casa, só saindo para atividades essenciais (compras de supermercado e farmácia). Entre as pessoas que continuaram saindo e tomaram apenas certos cuidados, tais como não visitar idosos e manter distância de outras pessoas, os maiores percentuais (35%) ocorreram nas faixas de idade de 30-39 e 40-49 anos.
Relacionados à infecção pelo novo coronavírus
O percentual de pessoas que tiverem pelo menos um sintoma de gripe após o início da pandemia no Brasil foi de 28%, variando de 16%, entre idosos, a 36% entre os mais jovens (18-29 anos). Entre as pessoas que tiveram pelo menos um sintoma de gripe, apenas 4% realizaram o teste para saber se estavam infectadas pelo novo coronavírus. Dessas, 51% tiveram o resultado negativo, 33% tiveram resultado positivo e 16% não receberam o resultado.
Impacto socioeconômico
Em relação aos rendimentos, 55% das pessoas relataram diminuição da renda familiar e 7% ficaram sem rendimento. As perdas de rendimento se agravaram na população mais pobre - renda per capita inferior a meio salário mínimo-. Em relação à situação de trabalho, 3% perdeu o emprego e 21% ficou sem trabalhar.
Dificuldades nas atividades de rotina e trabalho
Cerca de 40% das pessoas entrevistadas relatou dificuldades em grau moderado e intenso para realização das atividades de rotina e de trabalho. Em relação ao trabalho doméstico, mais de um quarto das mulheres (26%) relatou aumento intenso.
Quanto ao trabalho de cuidar de pessoa idosa do domicílio que precisa de ajuda para realizar as atividades de vida diária, aproximadamente 29% dos indivíduos relataram intenso aumento das dificuldades em cuidar da pessoa idosa. Para aqueles que tinham cuidador contratado antes da pandemia e que não continuou trabalhando durante a pandemia, 60% relatou que os cuidados à pessoa idosa aumentaram intensamente.
Efeito no estado de saúde e acesso aos serviços de saúde
Na população, 29% achou que a sua saúde piorou durante a pandemia, sendo o percentual maior em indivíduos que relataram pior autoavaliação de saúde. Entre os indivíduos com diagnóstico de depressão, 47% avaliou que a sua saúde piorou. O percentual de pessoas com risco de agravamento de Covid-19 por ter uma doença crônica (diabetes, hipertensão, asma/doença do pulmão, doença do coração) é de 34%, alcançando 59% entre os idosos. Para os indivíduos que têm algum problema crônico de coluna, 50% relatou aumento da dor; e para os que não tinham problema de coluna antes da pandemia, mais de 40% passou a ter dores da coluna devido às mudanças nas atividades habituais.
Durante a pandemia do novo coronavírus, 22% procurou atendimento de saúde com um médico, dentista ou outro profissional de saúde. Desses, 86% conseguiram atendimento. As maiores dificuldades relacionadas aos cuidados à saúde foram marcação de consulta (19%), cancelamento de consulta (15%), e realização de exames solicitados (12%).
Estado de ânimo
No período da pandemia, grande parte da população apresentou problemas no estado de ânimo: 40% se sentiu triste/deprimido e 54% se sentiu ansioso/nervoso frequentemente. Entre os adultos jovens (18-29 anos), os percentuais alcançaram 54% e 70%, respectivamente.
As mulheres relataram problemas no estado de ânimo com maior frequência que os homens: o percentual de mulheres que se sentem tristes/deprimidas frequentemente durante a pandemia foi de 50%, enquanto entre os homens foi de 30%. Já o percentual que se sentiu ansioso/nervoso frequentemente foi de 60%, entre as mulheres, e de 43%, entre os homens.
Quanto à qualidade do sono, 29% passou a ter problemas no sono e 16% relatou piora nos problemas no sono durante a pandemia.
Hábito de fumar
No total na população entrevistada, 12% são fumantes. Entre os fumantes, quase 23% aumentou cerca de 10 cigarros por dia e 5% aumentou mais de 20 cigarros por dia. Entre as mulheres, o percentual de aumento de cerca de 10 cigarros por dia (29%) foi maior que o de percentual entre os homens (17%). Já entre os indivíduos de menor escolaridade, 25% aumentou certa de 10 cigarros por dia e 10% mais de 20 cigarros por dia.
Atividade física
A atividade física foi muito afetada pela pandemia: no total da população, 62% não está fazendo atividade física. Entre as pessoas que faziam atividade física 3-4 dias por semana, 46% deixou de fazer atividade física; e entre as que realizavam 5 dias ou mais por semana, 33% deixou de fazer atividade física durante a pandemia.
Antes da pandemia, 30% fazia atividade física por mais de 150 minutos (tempo recomendado pela OMS). Durante a pandemia, o percentual passou a ser de apenas 13%.
Sedentarismo
Quanto ao sedentarismo, durante a pandemia, o tempo médio assistindo televisão foi de 3 horas, aproximadamente, representando um aumento de 1 hora e 20 minutos em relação ao tempo médio antes da epidemia. Durante a pandemia, 22,5% relatou o uso de tablet/computador por nove horas ou mais. O tempo médio de uso dessas tecnologias foi de mais de cinco horas, representando um aumento de 1 hora e meia em relação ao tempo de uso antes da pandemia; e de 7 horas e 15 minutos entre os adultos jovens (18-29 anos), representando um aumento de quase três horas no tempo de uso.
Alimentação
O consumo de alimentos saudáveis diminuiu durante a pandemia. A maior diminuição ocorreu para o consumo de verduras/legumes em 5 dias ou mais por semana, passando de 37% para 33%. Durante a pandemia, o consumo de frutas, legumes e verduras em 5 dias ou mais por semana foi de apenas 13% entre os adultos jovens (18-29 anos); e na população de baixa renda, de 16%.
Por outro lado, durante a pandemia o percentual de consumo de alimentos não saudáveis em dois dias ou mais por semana aumentou 5%, para os embutidos e hamburgers; 4% para os congelados; e 6% para os chocolates e doces. Quase metade das mulheres está consumindo chocolates e doces em dois dias ou mais por semana durante a pandemia, representando um aumento de 7% em relação ao consumo antes da pandemia. Entre os adultos jovens (18-29 anos), 63% está consumindo chocolates e doces em dois dias ou mais por semana.
Bebida alcoólica
Na totalidade da população, 18% relatou aumento no uso de bebidas alcoólicas durante a pandemia, sendo, similar para homens e mulheres. O maior aumento (26%) no uso de bebidas alcoólicas ocorreu entre as pessoas de 30 a 39 anos de idade, e o menor (11%) entre os idosos. O aumento do consumo de álcool foi associado à frequência de se sentir triste ou deprimido: quanto maior a frequência, tento maior o aumento do uso de bebida alcoólica, alcançando 24% entre as pessoas que têm se sentido sempre tristes ou deprimidas durante a quarentena.
Participe da pesquisa de Comportamento
A pesquisa é realizada via web. As respostas são anônimas e sem qualquer outro tipo de identificação dos participantes. Para participar e contribuir com uma melhor compreensão sobre os impactos da quarentena no Brasil.
Redação: Vívian Mota - estagiária de jornalismo
Edição: Rosânia Felipe- Jornalista