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Professora Sônia Soares fala sobre como manter os idosos em casa e protegidos contra o novo coronavírus

A maioria das vítimas do novo coronavírus tem acima de 60 anos, e por isso, formam o chamado “grupo de risco”. Mesmo assim, os idosos têm resistido ao distanciamento social. Muitas pessoas têm relatado as dificuldades que estão enfrentando para convencer os seus pais, tios ou avós a ficar em casa e evitar aglomerações. É preciso conscientizar essas pessoas sobre os perigos da Covid-19 e da necessidade de permanecer em suas residências, cuidando da higiene pessoal e tendo o mínimo de contato possível com o mundo exterior.

A diretora da Escola de Enfermagem da UFMG, professora Sônia Maria Soares, do Departamento de Enfermagem Básica da Escola de Enfermagem da UFMG, em entrevista à Rádio UFMG Educativa comentou as dificuldades em suspender, temporariamente, a rotina ativa que grande parte dos mais idosos tem hoje. Sônia também deu dicas para a criação de uma rotina diária e de atividades para serem realizadas pelos idosos durante o período de isolamento social.

Passeios em praças, shoppings, bancos, supermercados, abandonar a rotina diária e ficar de quarentena não é fácil para ninguém, mas é extremamente necessário neste momento. Principalmente para os mais velhos, que fazem parte do grupo de risco da Covid-19. Algumas pessoas têm compartilhado na internet, nas redes sociais, a dificuldade para convencer seus pais e avós a praticar o isolamento social e se proteger do novo coronavírus, mas será que é realmente tão difícil assim convencer os mais velhos a ficar em casa? Qual a origem dessa dificuldade? “O idoso tem dificuldade de ficar em casa? Nem sempre, mas as políticas públicas hoje em vigência têm falado muito do envelhecimento ativo, então se a gente considerar um idoso na década de 70, eles realmente tinham outros hábitos. Os idosos de hoje estão mais ativos, participam mais da vida social, têm os grupos de convivência, então tudo isso faz parte de uma política pública que tem trazido o idoso mais para esse movimento. Então estar nesse movimento é importante, mas no momento distanciar-se dele também é importante, considerando todas as prerrogativas que têm sido colocadas para contermos essa pandemia”, explica a professora.


idosos2A professora Sônia destaca que se o idoso gosta de costurar, é o momento para desenvolver algumas ações nesse sentido. Créditos: Pixabay

Frequentar a academia, ou apenas uma caminhada pela praça, para quem estava acostumado a fazer exercícios físicos diariamente, ficar em casa não é nada fácil. Nesse momento, vale usar a criatividade para não ficar parado. Quem gostava de fazer uma caminhada pelo bairro pode, por exemplo, caminhar ao redor da própria casa, ou, para quem mora em apartamento, dá para andar em volta da garagem. E para quem não fazia nenhum exercício, que tal começar agora, em casa mesmo? Além de manter a mente ocupada, você mantém o corpo ativo e a sua saúde em dia.

Para o período de isolamento ser aceito mais facilmente pelas pessoas mais velhas, e também ser melhor aproveitado, a professora Sônia deixou outras dicas como planejar sua rotina. “ Geralmente ficar em casa a gente acaba ficando muito isolado, eu tenho um pai de 91 anos e para ele tem sido também muito difícil, mas é muito importante estabelecer um horário. Um horário que vai acordar, que vai tomar café, que vai almoçar, como que você vai desenvolver o seu dia, o horário que você vai separar para fazer uma leitura, enfim, são algumas ações imediatas que a gente pode pensar como será o decorrer do dia. Como que eu posso trazer esse momento que estou vivenciando para também um momento de reflexão, um momento que eu vou estar comigo, que eu vou poder pensar na minha história, no meu legado, aquilo que estou deixando para as futuras gerações”, enfatiza.

Trabalhar com a sua história e com a memória foi a segunda dica da professora. “Tem algumas práticas que são muito interessantes nesse momento. Que tal o idoso fazer uma colagem relatando a sua trajetória de vida? Pode destacar alguns pontos na sua trajetória de vida que foram fundamentais. Além disso, pode fazer a colagem e depois divulgar para os netos, para os parentes, trazer a sua história de vida contada de uma forma ilustrada. Isso é uma ação extremamente rica, trazer a sua história para o papel, por meio de recorte de revistas, às vezes, pode até mesmo escrever uma crônica sobre alguns casos interessantes que ele gostaria de deixar registrado da sua história de vida. Isso fica como um legado, algo para a família”, sugere a professora.

Fazer o que você gosta também é uma ótima sugestão. “Se o idoso gosta de costurar, é o momento para desenvolver algumas ações nesse sentido. Trazer uma costura, um bordado, algo que ele vai elaborar, com prazer, deixando registrado algo da sua memória. No nosso contexto brasileiro, a gente desenvolve pouco essa ideia de registro da memória, e este é o momento de resgatar um pouco isso. Aquela receita que ele gosta de fazer, pode deixar escrito e reproduzir. Outra coisa que eu acho interessante, para os que gostam de ler, são os livros de poesia, algumas edições estão sendo disponibilizadas novamente. Os filmes que demonstram alguma relação com a vida dessas pessoas idosas. Aqueles que gostam de se exercitar, podem aproveitar uma música que traga lembranças e realizar o exercício”.

Por último, mas não menos importante, a professora Sônia Soares deixa mais um recado: “É necessário reafirmar a importância de ficar em casa e de estabelecer os contatos virtualmente. Para aquelas pessoas que não têm condições de estabelecer contatos virtuais, de ligar e pedir apoio, nós estamos na universidade com o telefone 136, que vai funcionar dando dicas sobre a questão do coronavírus, e, se a pessoa estiver passando mal, pode ligar também para esse número. Tem alguns idosos que ficam na condição de não poder sair e não possuem uma rede de apoio, então nós, nesse telefone, estamos disponíveis para fazer esse contato e trazer as informações da melhor forma possível”, finaliza.
(Com Rádio UFMG Educativa)