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Projeto 'Periferia viva' combate a pandemia em vilas e favelas

Lavar as mãos com água e sabão por 20 segundos e usar constantemente álcool em gel 70 são algumas das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para combater o coronavírus. São hábitos que parecem simples, mas que infelizmente não estão ao alcance de todos no Brasil. Como a população mais pobre e em situação de vulnerabilidade pode então seguir essas recomendações? Muitos não têm acesso à água ou condições de comprar álcool em gel e moram em cômodos apertados e superlotados, o que favorece a infecção pelo vírus.

Diante dessas ameaças à vida em tempo de pandemia, foi criada a rede Periferia viva – força-tarefa Covid-19. O objetivo do projeto é conectar as iniciativas, campanhas e demandas da sociedade civil organizada em áreas como segurança alimentar, saúde mental e geração de renda destinadas a populações em situação de vulnerabilidade. A rede, que atua prioritariamente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nasceu de parceria entre a Associação Imagem Comunitária (AIC), o Fórum das Juventudes da Grande BH, a Laço Associação de Apoio Social e o grupo de pesquisa Mobiliza, da UFMG.

Semanalmente, uma equipe da AIC e voluntários fazem contato com os grupos e entidades que atuam nas vilas e favelas para coletar demandas, necessidades e boas práticas. A rede Periferia viva também conta com plataforma on-line de suporte para essas ações e desenvolve estratégias de comunicação para o enfrentamento do problema.

cestas basicasO professor do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, Gilberto Simeone Henriques coordena as ações de segurança alimentar sobre a composição das cestas (quais os alimentos que a compõe) e os critérios de elegibilidade das famílias vulneráveis que recebem. "É uma comissão multidisciplinar que se reúne virtualmente toda semana e que fica de plantão permanente para planejar a logística de recebimento e dispensação de todos os alimentos arrecadados. A princípio a comissão definiu que serão atendidas famílias de ocupações em nove regiões de Belo Horizonte", explicou.

A doutoranda em Comunicação na UFMG Rafaela Lima explicou que a força-tarefa foi criada para dar visibilidade e articular apoios e parcerias aos esforços já em curso de mobilização social e vigilância civil para o enfrentamento da pandemia do coronavírus, na perspectiva da defesa do direito à vida, à dignidade e à cidadania das populações periféricas, que já sofrem sérios impactos da pandemia.

Rafaela Lima explica que os integrantes do projeto fazem rondas e mapeamentos diários: “Nós identificamos as demandas de segurança alimentar das comunidades e ações como campanhas de arrecadação", exemplifica. Esse trabalho tem gerado resultados concretos. A iniciativa conseguiu conectar, por exemplo, um grupo de costureiras da comunidade do Taquaril em busca de renda, uma empresa interessada em comprar máscaras e uma educadora ligada à UFMG que fez o design das máscaras e as instruções para produção.
(Com Centro de Comunicação da UFMG)