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Resultados do Vigitel Brasil apresentam aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis

balaançaA prevalência de obesidade na população brasileira aumentou 72% desde 2006. Esse foi um dos resultados obtidos pelo Vigitel Brasil 2019, projeto do Ministério da Saúde, por meio da Coordenação-Geral de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis (CGDANT), que tem o objetivo fornecer subsídio para o planejamento de políticas públicas de saúde para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). O estudo contou com a participação do professor do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, Rafael Moreira Claro, e das egressas do curso de Nutrição e pós-graduandas em Saúde Pública pela UFMG, Luíza Eunice Sá da Silva e ThaísCristina Marquezine Caldeira.

Para se chegar aos resultados apurados pelo Vigitel, no ano de 2019 foram realizadas 52.443 entrevistas com adultos residentes nas capitais do país e no Distrito Federal. De acordo com o estudo, a prevalência de diabetes mellitus teve um aumento de 34,5%, desde o início do projeto em 2006, sendo que as mulheres apresentam prevalências mais elevadas em relação aos homens, 7,8% e 7,1% respectivamente. Além disso, foi observado que a prevalência de diabetes aumenta com a idade: em adultos com 65 anos ou mais foi de 23,0%.

Os resultados com relação à hipertensão arterial foram semelhantes. Segundo o CGDANT, os dados de 2019 mostram que a prevalência de hipertensão, assim como a de diabetes, também aumentou com a idade, chegando a acometer 59,.3% dos adultos com 65 anos ou mais. As mulheres também apresentaram maior taxa da doença em comparação aos homens: 61,.6% das mulheres e 55,.5% dos homens”.

O excesso de peso passou de 42,6% para 55,.4% em 2019. O percentual de excesso de peso entre homens foi de 57,.1% e entre mulheres, 53,.9%. “A prevalência de excesso de peso tende a aumentar com a idade, uma vez que fatores como atividade física e alimentação são levados em consideração. Para os jovens de 18 a 24 anos, a prevalência foi de 30.1% e entre os adultos com 65 anos ou mais, 59,8%”, explicou a Coordenação-Geral.

Já a prevalência de obesidade aumentou 72,0% desde o início do monitoramento. Em 2019, a prevalência de obesidade entre mulheres foi de 21% e entre homens 19,5%. Assim como o excesso de peso, a obesidade também tende a aumentar com a idade e a diminuir com a escolaridade: para as pessoas com até oito anos de escolaridade, a prevalência foi de 24,2% e entre aqueles com 12 anos ou mais, 17,.2%.

Foi observado pelo estudo uma diminuição no hábito de fumar de 37,.6%. Segundo o CGDANT, no ano de 2019, a prevalência de fumantes foi menor nas faixas extremas de idade: entre adultos com 18 a 24 anos (7,.9%) e adultos com 65 anos ou mais (7,8%). Foi notado que a prevalência do hábito de fumar diminuiu com o aumento da escolaridade, uma vez que com mais acesso a informação, as pessoas se conscientizam sobre os riscos a saúde que o ato de fumar trás.

O consumo abusivo de álcool passou de 15,7% em 2006, para 18.8% em 2019, sendo que o consumo foi maior entre as mulheres mais jovens, na faixa de 18 a 24 anos, e menor entre as mais velhas, em adultos com 65 anos ou mais. De acordo com o estudo, a prevalência de consumo entre as mulheres mais jovens foi de 23,0%, enquanto a de mulheres mais escolarizadas apresentam 18,0% de prevalência.

No que tange aos indicadores de atividade física, a prevalência de adultos ativos no lazer passou de 30,3% em 2009, para 39,3% em 2019. O CGDANT esclarece que em 2019, os homens foram mais ativos que as mulheres: a prática foi referida por 46,7% dos homens e apenas 32,4% das mulheres. Além disso, a prática diminuiu com a idade: 49,4% na faixa de 18 a 24 anos e 24,4% nos adultos com 65 anos e mais. A prevalência também aumenta com a escolaridade, passando de 25,8% nos indivíduos com até oito anos de estudo, para 50,0% para aqueles com 12 anos ou mais de estudo.

Sobre a prevalência de adultos inativos, ou seja, aqueles que não referiram ter praticado qualquer atividade física no tempo livre nos últimos três meses, em 2006 era de 15,.9%, passando para 13,9% em 2019. Essa redução pode ser justificada pelas diversas campanhas de incentivo à prática de atividade física.

Para os indicadores de consumo alimentar, o consumo recomendado de frutas e hortaliças passou de 20,0% em 2008, para 22,9% em 2019. De acordo com a Coordenação-Geral, no ano de 2019 o consumo foi maior entre mulheres (26,8%) do que entre os homens (18.4%). O consumo aumentou com a idade: 19,0% na faixa de 18 a 24 anos e 26,6% nos adultos com 65 anos ou mais; e com a escolaridade: passando de 19,0% nos indivíduos com até oito anos de estudo, para 29,.5% para aqueles com 12 anos ou mais”.

Novidade
No ano de 2019 foram coletados dados de dois novos indicadores, de acordo com a recomendação do Guia Alimentar para a População Brasileira: consumo de alimentos não ou minimamente processados e consumo de alimentos ultraprocessados.

Em relação ao consumo de alimentos não ou minimamente processados, a prevalência de adultos que consumiram cinco ou mais grupos de alimentos dessa categoria no dia anterior à data da pesquisa foi de 29,.8%, sendo maior entre as mulheres (32,3%) que entre os homens (26,9%). Segundo o CGDANT, o consumo aumentou com a idade, 22.,9% na faixa de 18 a 24 anos e 32,6% nos adultos com 65 anos e mais. “O fator pode ser motivado pela necessidade de se alimentar de forma saudável para melhorar a qualidade de vida”.

Já a prevalência de adultos que consumiram cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados no dia anterior à data da pesquisa, foi de 18,2%, sendo maior entre os homens (21,8%), que entre as mulheres (15,1%). Além disso, foi observado que o consumo diminuiu com a idade, com índices de 29,3% na faixa de 18 a 24 anos e 8,0% nos adultos com mais de 65 anos. “Esses dados reforçam a necessidade de medidas mais assertivas no enfrentamento dessas condições. Os resultados fornecem base para o monitoramento de metas nacionais previstas no Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis 2011-2022, além de subsidiar gestores, em âmbito nacional e nas capitais do país, no planejamento e na avaliação de políticas públicas voltadas à promoção de saúde da população”, finaliza a Coordenação Geral.

Redação: Vívian Mota - estagiária de jornalismo
Edição: Rosânia Felipe- Jornalista