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Pandemia ameaça aldeias indígenas brasileiras

Portaria da Fundação Nacional do Índio (Funai), publicada em março, impede a entrada de não índios em terras demarcadas, com o objetivo de conter o avanço da epidemia nas comunidades. Enquanto alguns grupos habitam grandes áreas – o que facilita o deslocamento e extração de recursos –, outros vivem em territórios reduzidos e próximos a áreas urbanas, tornando essas aldeias mais vulneráveis.

Sejam isoladas ou próximas aos centros urbanos, um aspecto comum a todas as comunidades indígenas é a precariedade de estruturas de saúde destinadas a elas, como unidades de terapia intensiva e equipes médicas disponíveis. No caso dos territórios demarcados, há ainda o temor da possibilidade de invasão de madeireiros e mineradores nas terras indígenas.

Os professores Ruben Caixeta, do Departamento de Antropologia e Arqueologia da Fafich, e Erica Dumont, do curso de Formação Intercultural de Educadores Indígenas da UFMG, analisam a situação dos indígenas no contexto da pandemia do novo coronavírus.

Atenção de alta complexidade
O assunto também foi abordado pelo programa Conexões, da Rádio UFMG Educativa, que entrevistou a professora Lívia de Souza Pancrácio de Errico, da Escola de Enfermagem da UFMG. Ela lembra que a saúde indígena é pensada apenas na dimensão da atenção primária, mas a pandemia do novo coronavírus requer atenção terciária, de alta complexidade, o que pode provocar gargalos.

"Quanto mais distante dos centros urbanos de referência, mais dificuldade as populações terão de acessar esses leitos. A gente já vê isso em Manaus, que tem apenas um hospital de referência para atender toda a região", afirma a professora. Ouça a entrevista.

Em reportagem publicada pelo Portal da Faculdade de Medicina da UFMG, a socióloga e líder indígena Avelin Buniacá explica que a Covid-19 é mais um fator a agravar a situação de vulnerabilidade dos povos indígenas. “Nossos parentes enfrentam a falta de segurança alimentar causada pelo desmatamento e invasões, assim como os avanços de pistoleiros em terras indígenas, que se aproveitam desse período de isolamento”, denuncia.

Residente em Belo Horizonte, Avelin conta que nas cidades a situação também é de insegurança. “Os que estão na cidade não conseguem gerar a sua renda e ficam sem condições de se alimentarem e sem saber quando o auxílio emergencial do governo irá chegar, pois alguns não têm CPF e outros têm apenas RG”, diz. Leia a matéria.
(Com TV UFMG)