Calendário

Novembro 2020
Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
20
21
22
23
24
29

1º Seminário do RECRIA destaca atendimento multiprofissional no cuidado aos recém-nascidos, crianças e adolescentes

Na última sexta-feira, 6 de dezembro, foi promovido o 1º Seminário sobre o cuidado aos recém-nascidos, crianças, adolescentes e suas famílias, organizado pelo RECRIA, grupo de estudos sobre recém-nascido, criança, adolescente e suas famílias, coordenado pelas professoras Elysângela Dittz Duarte e Bruna Figueiredo Manzo. O evento, realizado no Auditório Maria Sinno da Escola de Enfermagem da UFMG, teve o objetivo de discutir as possibilidades para o cuidado integral às crianças e suas famílias em diferentes espaços de atenção com enfoque multiprofissional.

A programação contou com palestras, mesas- redondas e apresentações de trabalhos, com eixo central “As perspectivas para o cuidado às crianças e suas famílias” divididos em três eixos temáticos: Rompendo barreiras: estratégias para o cuidado integral; Caminhos para uma infância segura e A enfermagem na tomada de decisão: conduzindo o cuidado.

mesa recria2A mesa de abertura foi composta pela diretora da Escola, professora Sônia Maria Soares, pelas coordenadoras do evento, professoras Elysângela Dittz e Bruna Manzo; Coordenadora do Colegiado de Pós-Graduação em Enfermagem, professora Kênia Lara e pela presidente da SOBEP, Myriam Mandetta

“Discutimos sobre os cuidados com as crianças, adolescentes e suas famílias em diferentes perspectivas. Buscamos trazer temas que percebemos que havia uma necessidade de produzir conhecimentos mais consistentes para qualificar as nossas práticas e nos preparar melhor para o cuidado. A relevância deste evento está tanto na temática que se propõe a discutir, quanto na forma em que foi pensado de fortalecer a rede de atenção ao recém-nascido e suas famílias. Contamos com a participação de diversos profissionais multidisciplinares, discentes e docentes locais e de instituições parceiras”, relatou a professora Elysângela Dittz.

A palestra de abertura “Perspectivas no cuidado às crianças e suas famílias” foi ministrada pela professora da Universidade Federal de São Paulo e presidente da Sociedade Brasileira de Enfermeiros Pediatras (SOBEP), Myriam Mandetta. De acordo com ela, a ideia central da palestra foi destacar o papel do enfermeiro no cuidado da criança hospitalizada e da sua família. “Um dos pontos chave para a elaboração do plano terapêutico e do cuidado que o enfermeiro vai realizar é trazer a experiência dessa criança e família em relação aos cuidados em saúde. A doença e a hospitalização provocam uma espécie de crise na família, quando um adoece, todos os demais se reorganizam para se reequilibrar. Toda a família se mobiliza para o melhor cuidado e poder confiar na equipe que está fazendo o atendimento é fundamental para se alcançar resultados positivos no tratamento”, enfatizou.

Mesa RedondarecrialA professora do Departamento de Enfermagem Aplicada da Escola de Enfermagem da UFMG, Amanda Márcia dos Santos Reinaldo, abordou o tema “Enfermagem na promoção a saúde na escola: uso de drogas por crianças e adolescentes”. Ela comentou sobre a importância da parceria entre a saúde, as escolas e a família no trabalho de prevenção. “É primordial fazer essa prevenção desde a infância, porque assim as chances de termos adultos e adolescentes utilizando qualquer tipo de drogas são muito menores. Além disso, fazer esse trabalho de prevenção juntamente com os pais e o ambiente estudantil é essencial, já que a criança aprende por reprodução. Se ela vê os pais ou os adolescentes em sua escola usando algum tipo de substância, ela normaliza esse comportamento e pode vir a repeti-lo no futuro”, afirmou.

“A enfermagem na tomada de decisão: conduzindo o cuidado” foi o tema central da segunda mesa redonda, que contou com a participação do professor da Universidade Federal de São João Del Rei, Alexandre Ernesto. Em sua palestra, intitulada “Decisão ética de Enfermagem na terminalidade”, o professor explorou a dificuldade dos profissionais da saúde nos casos terminais e como melhor lidar com a situação. “Discuti a respeito de quais os parâmetros éticos que a enfermagem tem que considerar para definir condutas nas pessoas, especialmente crianças e adolescentes, quando em terminalidade. Além disso, também explorei o que o próprio código de ética sinaliza quanto à tomada de decisão e à pertinência dos cuidados paliativos, refletindo o cuidado paliativo quanto a qualidade de vida dos pacientes em terminalidade”, relata Alexandre.

Caminhos para uma infância segura
A mesa-redonda “Caminhos para uma infância segura” contou com a presença de dois professores da EEUFMG: Bruna Figueiredo de Manzo e Ed Wilson Rodrigues Vieira, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública. Bruna tratou em sua palestra sobre “Família como aliada à segurança do paciente”. Ela destacou a importância de fortalecer a participação da família na prevenção de eventos adversos. “É preciso que a equipe de enfermagem saiba instruir e orientar as famílias para que eles tornem parceiros no cuidado e possam agir ativamente na busca de um cuidado qualificado e seguro”.

DSC 0727Mesa-redonda “Caminhos para uma infância segura”

Já a palestra “Atenção à saúde a crianças vítimas de violência”, do professor Ed Wilson, tratou sobre a importância da abordagem da violência contra crianças e adolescentes nos currículos de graduação em todas as instituições e os índices de violência sexual contra os vulneráveis. “Por muitos anos esse evento foi tratado como fenômeno social, de certa forma aceitável sob a justificativa de ser um método de educação e correção de crianças e adolescentes. Contudo, por causa da tamanha complexividade dos números, virou um problema brasileiro e mundial. Atualmente, cerca de 36 mil meninas com menos de 13 anos de idade são estupradas anualmente e isso sem considerar outras formas de violência. Mas, grandes estudos internacionais também mostram que aproximadamente 15% das vítimas de estupro são meninos, que muitas vezes não são visibilizados e, consequentemente, não recebem atenção médica adequada”, contou o professor.
Redação: Vívian Mota - estagiária de jornalismo
Edição: Rosânia Felipe- Jornalista