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Professora Delma Simão participa de webconferência sobre Puericultura para enfermeiros

No dia 30 de outubro, a professora do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem/UFMG, Delma Simão, foi conferencista da webconferência do Projeto Telenfermagem/EEUFMG sobre Puericultura como atividade do enfermeiro – um olhar sobre as crianças em condições crônicas para os municípios cadastrados pelo Programa de Telessaúde Brasil Redes.

Delma afirmou que crianças em condições crônicas são cada vez mais prevalentes na população e que o enfermeiro precisa ter um olhar atento para identificação precoce de comprometimento na saúde global dessas crianças, bem como para atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, a fim de promover a saúde da criança e a atuação multidisciplinar para intervenção precoce nos quadros detectados. Estudos recentes apontam, por exemplo, que a incidência de Transtorno do Espectro Autista (TEA), antes considerado raro, é atualmente identificado em uma de cada 59 crianças. “Atualmente há avanços na assistência neonatal que reduzem a mortalidade de recém-nascidos com comprometimentos congênitos ou perinatais. O atendimento de crianças em condições crônicas é atribuído ao Sistema Único de Saúde, porém não está preconizado ou sistematizado dentro da Atenção Básica”, explicou.

Delma SimãoA professora destacou que a puericultura não é um simples cuidado de saúde, não envolve apenas higiene, alimentação ou avaliação antropométrica, ainda que sejam importantíssimos. Acrescentou, ainda, que é necessário levar em conta aspectos sociais, ambientais, de moradia, afeto e vínculo, os quais influenciam diretamente no papel da criança para si, para a família e para a sociedade. “Dentro do contexto de cuidado, o enfermeiro faz parte da equipe de acompanhamento da criança, portanto, é necessário que ele busque conhecimento sobre o assunto, sendo capaz de oferecer uma assistência de qualidade a todas as crianças, inclusive àquelas em condições crônicas”, ressaltou.

De acordo com Delma, a criança não é um adulto em menor escala, mas um ser humano em crescimento e desenvolvimento rumo a sua autonomia na vida adulta. Para a especialista, o primeiro passo na consulta de puericultura é não ver a criança como o diagnóstico de sua doença e sim como uma criança em sua integralidade, percebendo quem ela é, o que ela precisa saber, como ela consegue aprender, quais as suas potencialidades e quais as suas limitações. “Ainda que a criança necessite de cuidados específicos de saúde, ela não pode ser isolada dos demais, ao contrário, precisa estudar, brincar, ter amigos e ser amada”.

A condição crônica pode ser de base biológica, psicológica ou cognitiva e que produzem uma ou mais das seguintes consequências: limitações de função, atividade ou papel social; dependência de medicamentos, alimentação especial, dispositivo tecnológico ou cuidados; necessidade de assistência em serviços de saúde ou educacionais acima do usual para a idade da criança, esclareceu a professora. Podem ser consideradas condições crônicas a prematuridade, síndromes genéticas, transtornos de desenvolvimento global e doenças como câncer, cardiopatias, diabetes, entre outras.

Segundo a professora, é imprescindível que a criança em condição crônica seja acompanhada por consultas de puericultura, ainda que seja atendida por especialidades que realizem cuidados diferentes. “A puericultura é a ciência que reúne as ações fundamentais para promover o seu crescimento e o desenvolvimento pleno, desde o período da gestação até a puberdade. Portanto, é a porta de entrada para toda criança na rede de atenção à saúde, independentemente de sua condição. Deve envolver a família, os pais, os irmãos, os parentes para que consiga reconhecer seu potencial para trabalhar habilidades e desenvolver competências que irão contribuir para o desenvolvimento da criança”, explicou Delma.

Ela esclareceu também que os problemas capazes de interferir negativamente no crescimento e desenvolvimento da criança são: estresse dos pais; instabilidade econômica e social da família; os recursos da comunidade; a discriminação; a exposição em casa ou em outros ambientes de convivência (bullyng, cyberbullyng) e ainda falta de orientação sexual pelos pais às crianças.

Delma propõe quebrar estereótipos quando esclarece a inadequação do termo ‘’portador’’, adjetivo de quem carrega ou conduz alguma coisa, enquanto que as condições crônicas não podem ser deixadas pelos indivíduos que as possuem. Sugere o termo “pessoa com necessidades específicas ou pessoa com necessidade de cuidados especializados”, que vem sendo amplamente divulgados e adotados pelo Ministério da Saúde. Além disso, ela ressalta que ter uma condição crônica não é sinônimo de doença, pois muitas pessoas vivem com diferentes condições como a perda de uma visão, de uma função motora, alterações genéticas entre outras e são plenamente saudáveis. “Exemplo disso são as pessoas com trissomia do cromossomo 21 (Síndrome de Down), que em muitos casos têm o risco aumentado para diferentes doenças, mas que podem viver com qualidade de vida, funcionalidade e com saúde”. Também instrui sobre a necessidade de evitar outros termos, como: deficiente, inválido, doente excepcional, retardo mental, retardamento mental, doença genética e pessoa especial.

Para que o acompanhamento da criança e da família seja realizado de forma adequada, segundo a professora, o enfermeiro deve sistematizar a consulta, utilizando como ferramenta de educação a caderneta da criança. Delma conclui que na consulta de puericultura, o enfermeiro deve ser capaz de avaliar o caso através de anamnese e exame físico; de levantar possíveis problemas e diagnósticos de enfermagem; planejar o cuidado; prescrever, orientar e intervir e avaliar as ações tomadas em acordo com a família, sendo o trabalho em equipe interprofissional fundamental no caso da identificação de um possível comprometimento no crescimento e desenvolvimento da criança.
Assista aqui a webconferência.