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A volta do sarampo: por que as taxas de vacinação diminuíram?

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que o Brasil está entre os países que tinham altos níveis de cobertura vacinal contra o sarampo, mas que retrocederam nos últimos anos. De acordo com os números da ONU, a média brasileira caiu de 99%, entre 2010 e 2017, para 84% em 2018.

sarampoFoi neste mesmo ano que aconteceu o surto de sarampo concentrado na região Norte do País, atribuído à entrada de venezuelanos pela fronteira, com mais de 10 mil casos registrados no período de um ano. Em fevereiro de 2019, a circulação ativa do vírus por mais de 12 meses levou à perda do certificado de erradicação da doença, que havia sido obtido em 2016.

Um novo surto está concentrado em 192 municípios do estado de São Paulo, onde foram notificados 96% dos 5.404 casos confirmados no País, desde o último dia 7 de julho. Treze mortes já foram confirmadas nesse período, sete de crianças com menos de cinco anos de idade.

Nesta semana, o Outra Estação apresenta um panorama da situação e das medidas tomadas para tentar conter o avanço da doença. O programa também aborda a obrigatoriedade da vacina, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Programa Nacional de Imunizações. Nós ouvimos especialistas para ajudar a entender as razões das recentes quedas na cobertura vacinal do País e para esclarecer mitos e verdades sobre a vacinação.

Menores de um ano, os mais vulneráveis
No primeiro bloco do programa, especialistas explicam a importância da manutenção da cobertura vacinal mínima de 95% da população, índice de segurança recomendado pela OMS. Também detalhamos as taxas de vacinação entre as diferentes faixas etárias. O maior número de casos do atual surto está nos adultos com idade entre 20 e 29 anos. Mas são as crianças de até cinco anos, especialmente as menores de um ano, as mais vulneráveis, já que o sistema imunológico delas ainda está em formação. Isso levou o Ministério da Saúde a antecipar a primeira dose da vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo e também contra a rubéola e a caxumba, para bebês com seis meses de vida.

Foram ouvidos a para-atleta Izabela Campos, que ficou cega depois de contrair sarampo na infância; o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha; a professora da Escola de Enfermagem da UFMG, Tércia Moreira Ribeiro da Silva; as professoras Lilian Diniz e Regina Lunardi, da Faculdade de Medicina da UFMG; e a diretora de Vigilância de Agravos Transmissíveis da Secretaria de Estado de Saúde, Janaína Almeida.

"Vacina é um direito da criança"
O apelo foi feito pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante o lançamento da Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo, que será realizada em duas fases. A primeira vai vacinar crianças de zero a cinco anos, até o dia 25 de outubro, com o dia D no sábado, 19. Na segunda fase, que será realizada de 18 a 30 de novembro, o público-alvo são adultos de 20 a 29 anos.

O advogado Paulo Roberto Garcia de Carvalho, da Comissão de Direito Médico da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Minas Gerais, detalhou a legislação que prevê a vacina como um direito da crianças e a obrigação legal dos pais ou tutores de manter em dia o calendário vacinal básico . "É, sim, uma obrigação e um dever dos pais manter as crianças vacinadas nos casos determinados pelas autoridades sanitárias", alertou.

A médica Eliane Matos dos Santos, da assessoria clínica do Instituto Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também falou sobre o aumento da demanda pela vacina tríplice viral, hoje totalmente produzida na unidade, que levou o governo a adquirir doses extras no mercado internacional.

Nesse bloco, também apresentamos mitos e verdades sobre o sarampo. De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em 2018, quase 350 mil casos de sarampo foram registrados em todo o mundo - mais que o dobro do ano anterior.

A OMS incluiu o movimento anti-vacina na lista das 10 ameaças para a saúde global em 2019. No entanto, uma pesquisa em andamento na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, trabalha com a hipótese de que, no Brasil, outros fatores são mais influentes na menor adesão às campanhas de vacinação. Falta de informação sobre o calendário vacinal e dificuldade de acesso às salas de vacinação são alguns deles, como relatou o coordenador do estudo, José Cássio de Morais.

Ao final do programa, o professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Mateus Westin, esclareceu alguns mitos que podem levar à falta de confiança na vacinação.
(Com Rádio UFMG Educativa)