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Ciência e Universidade Pública no Brasil são discutidas em aula inaugural do Mestrado em Nutrição e Saúde

Aula inaugural do Mestrado Nut e Saude“Ciência e Universidade Pública no Brasil: desafios e falácias” foi tema da aula inaugural da Pós-graduação em Nutrição e Saúde ministrada na última terça-feira, 17 de setembro, pela professora do Departamento de Bioquímica e Imunologia do ICB – UFMG, Ana Maria Caetano de Faria.

A professora pontuou que o discurso contra a ciência e a universidade pública foi construído baseado em falácias como: a dicotomia entre ciência aplicada e ciência básica; o financiamento privado da pesquisa; a qualidade das universidades públicas no Brasil; o elitismo das universidades federais; a produção de Tecnologia e Inovação e o Future-se.

Sobre quem financia a pesquisa brasileira, ela destacou os sistemas de fomento: CNPq, Finep, CAPES, FNDCT, BNDES, além das FAP – Fundações Estaduais de Amparo a Pesquisa agrupadas no CONFAP. “Em uma menor proporção, existem leis de incentivo fiscal e fomento à inovação, financiamentos empresariais e institucionais”, enfatizou.

No que diz respeito aos cortes no financiamento da pesquisa brasileira, Ana Maria destacou o de 127 milhões em 2018 e 17 milhões em 2019. “A escassez de recursos dos últimos 3 anos afetou dramaticamente o CNPq em todas as modalidades de financiamento”.

No Ranking Internacional das Universidades 2019, Times Higher Education, que inclui mais de 1396 universidades de 92 países do mundo, UFMG está entre as universidades na faixa 601-800, juntamente com outras universidades federais brasileiras e universidades internacionais conceituadas como a University of Haifa (Israel), University of Granada (Espanha) e a Fordham University (EUA).

O perfil dos estudantes de Universidades Federais no Brasil foi lembrado pela professora. Segundo dados da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior ( Andifes), em 6 anos, 97.366 estudantes conseguiram uma vaga nas universidades do estado. No Brasil, foram 723.447 vagas. 70% dos estudantes são de famílias de baixa renda (1.5 sálario mínimo) e apenas 0,63% são de famílias que ganham mais de 10 salários mínimos. 60,4% concluíram o ensino médio em escola pública. 51.2% dos estudantes são negros (sendo 39,2% pardos e 12% pretos) e 62,7% dos estudantes são filhos de mães que não têm curso superior e 66,2% são filhos de pais sem curso superior.
Future-se
O programa Future-se, proposto pelo MEC para a gestão das universidades e institutos federais, também foi destaque na aula inaugural. A professora Ana Maria afirmou que ele que altera 17 leis que balizam a educação superior no país com mudanças como sistema de governança, financiamento e forma de autonomia das universidades públicas e institutos federais (IFES) – problemas das modernas instituições de Educação Superior (OCDE). “É um projeto inacabado e obscuro que revela uma profunda desvalorização do sistema de ensino superior e pós-graduação existente no país pela atual gestão do MEC. O grande desafio agora é de nos mantermos onde estamos, preservar o que já conquistamos”, concluiu”.