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Cuidados com pacientes idosos são abordados em webconferência

A webconferência sobre ‘’Cuidados com Pacientes Idosos’’ foi ministrada dia 4 de setembro, pela Terapeuta Ocupacional do Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) Adriane Figueiredo, especialista em gerontologia.

Adriane afirmou que atualmente o crescimento da população idosa e a diminuição da taxa de natalidade vêm proporcionando maior durabilidade de vida e que o Brasil é o 5º país do mundo com maior população idosa.

ADRIANE FIGUEIREDOSegundo ela, os idosos que possuem pelo menos uma doença crônica apresentam prevalência de 82% e os que possuem mais que quatro doenças, apresentam 65% de prevalência. “O questionamento resultante dessas mudanças é de que forma estamos preparados para essa transformação crescente deste mundo idoso”, disse. Ela destacou também que o envelhecimento é um processo benigno para o ser, com alterações fisiológicas, sensoriais, motoras, cognitivas e também de contexto sócio familiar, que interferem de maneira significativa na vida das pessoas. "A conquista de mais anos de vida trouxe desafios que precisam ser refletidos entre várias disciplinas e profissões. Nesse cenário, é necessário haver estratégias e cuidados de abordagem terapêutica que procurem melhorar a qualidade de vida dos idosos”.

A realidade antropossocial e multidimensional, de acordo com Adriane, contém sempre uma dimensão individual social e biológica. “Neste contexto, a terapia ocupacional é uma profissão da saúde focada no cliente, facilitando a participação das pessoas em suas próprias atividades diárias”, disse.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou a Classificação Internacional de Funcionalidade Incapacidade de Saúde (CIF), com o objetivo geral de proporcionar uma linguagem padronizada que permita a descrição de saúde e estados relacionados a ela. Esta classificação serve para auxiliar os profissionais de saúde em seus atendimentos.

A terapeuta falou sobre a relação entre saúde, ocupação e pessoa e explicou que ocupação é um conjunto de atividades determinadas que a pessoa realiza em seu cotidiano, dando significado a sua realidade e identidade de vida. “Os problemas de saúde, privação de autonomia e independência em desenvolver satisfatoriamente as ocupações diárias ameaçam a saúde mental, alterando a conformidade e o significado da vida do sujeito ao decorrer do tempo. Atividades como preparar um almoço, regar plantas, tomar banho, arrumar o cabelo, fazer caminhada, quando são inviáveis, causam ao indivíduo tristeza e frustração. A lentidão dos movimentos, nas respostas aos estímulos, o esquecimento, a lentidão de pensamento e raciocínio, problemas oftálmicos, somados a problemas de auto-estima, isolamento social e depressão são fatores críticos que deterioram a qualidade de vida e saúde do idoso, ainda que sejam mudanças naturais da vida. Contrapondo-se ao mundo atual acelerado, automático, instantâneo e muitas vezes limitado para quem possui dificuldades e deficiências”, destacou.

Diante disso, segundo Adriane, a equipe de saúde deve estar integralizada para realizar ações que contribuam para a resolução de problemas do idoso. “O terapeuta ocupacional é o profissional capaz para avaliar os aspectos que comprometem o desempenho ocupacional do idoso, sejam eles causados por patologias, fatores contextuais ou ambientais. Questionando o cliente sobre as atividades que ele gosta de realizar, se tem algo que ele não realiza mais por motivos de doenças. Buscando utilizar objetos e propor adaptações de tarefas que facilitem a vivência diária”.

Ela ressaltou, ainda, a importância dos grupos de convivência que contribuem para a redução do isolamento social, fomentando novos interesses e possibilitando novos vínculos afetivos. Citou o programa ‘’Maior Cuidado’’, que identifica os idosos a partir do acompanhamento de famílias realizado pelas equipes do Serviço de Proteção e Atendimento Integral às Famílias - PAIF, nos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), pelas Equipes de Saúde da Família e do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) nos centros de saúde. Falou, ainda, sobre o ‘’O Grupo Aconchego’’ de Convivência na Terceira Idade, que acontece na sede da Cruz Vermelha de Belo Horizonte, aberto à população idosa que realiza encontros semanais promovendo a amizade, a autoestima, a saúde e o desenvolvimento de todos e todas. “Todas as estratégias têm com função demonstrar que a velhice não é mais concebida como etapa final de vida, mas um processo de evolução com padrões mutáveis, com os objetivos de apoiar as famílias no cuidado com os idosos e aumentar a qualidade de vida de todos através de cuidados integrados entre os múltiplos profissionais de saúde”.