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Professora Delma Simão ministra webconferência sobre Puericultura

A enfermeira e professora do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem da UFMG, Delma Simão, realizou a webconferência sobre conceitos novos e atualizados de ‘’Puericultura por Enfermeiros’’ para o Projeto Telenfermagem, no dia 3 de julho, para a equipe de enfermagem da Estratégia Saúde da Família (ESF) dos municípios do estado de Minas Gerais cadastrados pelo Programa Nacional de Telessaúde Brasil Redes.

ProfaDelma SimãoSegundo a professora, ações de puericultura são direcionadas à crianças de 0 a 6 anos e tem como objetivo promover e acompanhar o crescimento e desenvolvimento da criança nesta faixa etária por meio de estratégias de promoção da saúde e prevenção de agravos. Destaca que a puericultura acontece no período da vida em que ocorre o maior desenvolvimento da potencialidade humana. “É nessa etapa da vida que a neuroplasticidade cerebral, um processo coordenado, dinâmico e contínuo que promove a remodelação dos mapas neurosinápticos a pequena, média e longa duração está potencializada”. Ela explicou que a neuroplasticidade é a habilidade do cérebro de reorganizar os neurônios e os circuitos neurais, moldando-se a níveis estruturais por meio de aprendizagem e vivências. A primeira infância, especialmente os primeiros 1100 dias de vida da criança (período que vai do último trimestre de gestação até os 2 anos de vida), são conhecidos como uma janela de oportunidades em que o potencial para aquisição de diferentes e novas habilidades são maximizados, enquanto o esforço para isso é mínimo. “Desta forma, as experiências da primeira infância podem repercutir na vida adulta inclusive impactar na qualidade de vida da pessoa, seja por meio de uma maior ou menor autonomia ou mesmo na prevenção ou aumento do risco de doenças crônicas”.

Delma afirmou que a puericultura tem papel importante na saúde das crianças e populações se realizada de forma contínua, segundo um calendário mínimo e por profissionais habilitados para tal. Na atenção básica, a consulta de puericultura é realizada por enfermeiros, pediatras e médicos generalistas em momentos alternados pela sua realização. “A equipe multiprofissional do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), a Equipe Complementar de Saúde Mental, bem como as escolas por meio de seus educadores, devem ser importantes aliados para que o crescimento e o desenvolvimento da criança sejam garantidos”, explicou.

Além disso, de acordo com ela, para que as ações de puericultura sejam efetivas é fundamental que o enfermeiro estabeleça um relacionamento terapêutico com a criança e a família, compreendendo inclusive a rede de apoio familiar e os recursos da comunidade disponíveis. “A puericultura precisa ser espaço para criar oportunidades para que a família reconheça suas competências e as habilidades que já possui e desenvolva aquelas que serão necessárias ao atendimento das suas próprias necessidades e as da criança sob seus cuidados”. A professora destacou, ainda, que a “nova” puericultura precisa abordar, sem discriminar, os diferentes tipos de famílias do contexto atual da sociedade tais como famílias nucleares, de mães/pais solteiros, intergeracionais, adotivas, nunca casadas, avós como pais, pais do mesmo sexo, dentre outras.

“A equipe de saúde tem o dever de recomendar a conduta que considera mais adequada, com base nas melhores evidências disponíveis, mas respeitando o direito da criança e de seus familiares de escolher livremente o que mais lhes convém, ao considerar seus próprios valores culturais, religiosos, espirituais, morais, éticos”, enfatizou.

A conferencista concluiu que a puericultura exercida pelo enfermeiro precisa ter um olhar para além de roteiros estabelecidos e abrange a compreensão de seu papel dentro da equipe multidisciplinar. Deve ser reconhecida como estratégia real para intervenções oportunas no crescimento e desenvolvimento integral e seguro da criança, as quais poderão se refletir na vida adulta.
Confira aqui a webconferência completa.