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Inclusão social e acessibilidade são discutidas em seminário

Com o objetivo de proporcionar a reflexão sobre os desafios para a acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência, apontar possíveis percursos para esse processo no âmbito social e acadêmico e discutir a questão da Saúde Mental na perspectiva da inclusão foi realizado um seminário nesta quarta-feira, 12 de junho, na Escola de Enfermagem da UFMG.

O evento é produto do projeto “Ação Multiplicadora: Uma proposta de inclusão social e acessibilidade na Escola de Enfermagem da UFMG”, idealizado por servidores técnico-administrativos da Unidade, com apoio da Diretoria e aprovado pelo Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI-UFMG). De acordo com a servidora da Secretaria Geral Fernanda Costa, a escolha do tema “Conecte-‘si’” refere-se à interlocução com as mídias e ferramentas digitais e, por outro lado, ao equilíbrio na perspectiva emocional do ser.

A Saúde Mental no contexto da Inclusão foi tema da palestra ministrada pela psiquiatra do CERSAMi, Ana Marta Lobosque. Ela abordou a história da luta antimanicomial, da reforma psiquiátrica, conquistas e desafios da inclusão social do portador de sofrimento mental.

Ana Marta destacou que por meio do movimento social da luta antimanicomial, foi construída uma política pública no Brasil aprovada no Congresso de tratamento de portador de sofrimento mental em regime aberto no território. “Avançamos muito, um grande número de leitos em manicômios foram fechados, houve uma grande humanização no tratamento de portadores de sofrimento mental nos serviços abertos, mas agora estamos esbarrando em portarias que dificultam. Continuamos o nosso trabalho, em Belo Horizonte temos uma rede municipal muito forte de saúde mental”, ressaltou.
Adriana Helena Marques BuzelinAdriana Helena Marques Buzelin, Relação Públicas, artista plástica e criadora e editora da Revista digital Tendência Inclusiva, falou sobre Acessibilidade, “um direito de ser”. Ela destacou sobre a superação e reconstrução social, a sua trajetória e carreira política. “Devido ao acidente automobilístico em 1991 tormei-me tetraplégica. Retomei minha vida estudando, superando preconceitos,voltando a dirigir e reconquistei a carreira como modelo inclusivo. Fui a primeira mulher tetraplégica a concorrer ao cargo de vice-governadora do Estado de Minas Gerais. Movida a desafios, luto pelo direito das mulheres, das pessoas com deficiência, dos idosos, dos animais e do meio ambiente”, ressaltou.

Ela enfatizou, ainda, sobre acessibilidade e suas nuances como direito de ir e vir, a educação, a saúde, ao trabalho, lazer, direito de escolhas e de ser.
Sobre o seminário, Adriana disse que é extremamente importante discutir esse tema e entender que é necessário ter acessibilidade e mais movimentos como esse.
Comunicação digital e plataformas acessíveis
O servidor público do Instituto Benjamin Constant (IBC) e integrante do Núcleo de Acessibilidade e Usabilidade (NAU) da UNIRIO, Jorge Fiore de Oliveira Junior, explicou que a acessibilidade digital é a capacidade de um produto ser flexível o suficiente para atender às necessidades e preferências do maior número possível de pessoas, além de ser compatível com tecnologias assistivas usadas por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. “A acessibilidade é um direito garantido pela legislação brasileira, inicialmente através de decretos e portarias, e mais recentemente, pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (lei 13.146 de 6 de julho de 2015)”.

Jorge FioreEle afirmou que atualmente, os maiores meios de comunicação digital disponíveis são as redes sociais (facebook, twitter, instagram etc) e os aplicativos mensageiros instantâneos e de comunicação (Whatsapp, Telegram, Skype etc).

No que diz respeito às tecnologias assistivas digitais para comunicação ele pontuou: Sistema DOSVOX; NVDA - Software gratuito leitor de telas; Virtual Magnifying Glass – Software ampliador de tela para pessoas com baixa visão; Hand Talk - Aplicativo gratuito que traduz texto e áudio para a Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS); iDosos- Aplicativo gratuito que cria uma interface intuitiva e minimalista para facilitar uso por pessoas idosas. Além disso, Jorge Fiori mostrou como o conteúdo dos meios de comunicação digital podem estar acessíveis para tecnologias assistivas digitais.

Sobre pesquisa acadêmica, apresentou diversos sites e como está a acessibilidade deles. De acordo com Jorge Fiore, foram feitas duas avaliações em cada site de pesquisa sobre a página de busca de periódico e a página que mostra a lista de periódicos encontrados. “Com base no resultados apresentados, conclui-se, pelo ranking de avaliação automática, que o site de pesquisa acadêmica mais acessível (por avaliação automática) é o site da Biblioteca Virtual em Saúde Enfermagem Brasil”.

Os “olhares” da pessoa com deficiência visual na UFMG
Romerito Costa Nascimento, servidor e estudante da UFMG, explicou que considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. Ele destacou que o papel da pessoa com deficiência no processo de inclusão na Universiadade deve ser de protagonismo. “Precisamos fazer com que as coisas aconteçam para que nós sejamos beneficiados. A acessibilidade e inclusão são duas forças que promovem a equidade”.

Romerito CostaSobre os desafios, ele pontuou: reformas estruturantes; organização dos tempos e currículos escolares; garantir o envolvimento de todos; mudanças nos processos de ensino e aprendizagem e trazer todos os alunos para próximo.

A auxiliar administrativo do Curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica, Liliana Jéssica Alves Viana da Silva, deficiente visual, participou do evento e afirmou que é de extrema relevância discutir esse tema na Universidade. “Por mais que a acessibilidade seja divulgada, as pessoas não possuem muito conhecimento de como é para as pessoas com deficiência, falta informação”.

Ronaldo Cássio da Silva, servidor da Faculdade de Medicina, também é deficiente visual e destacou que o evento foi enriquecedor. “É muito importante que a comunidade acadêmica se informe sobre acessibilidade e inclusão, não basta somente documentos escritos, é importante saber a prática, inclusão é isso”.