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Estudantes, profissionais de saúde e pacientes discutem inovações no tratamento da dor

Abertura conferencia doCerca de 140 pessoas se reuniram na última terça-feira, 11 de junho, no auditório Maria Sinno da Escola de Enfermagem para “Conferência sobre inovações no tratamento da dor”. Pesquisas científicas; inovação tecnológica em avaliação de dor e seu impacto no tratamento; Neurostimulação medular; Bruxismo e dor orofacial; inovações na educação em dor e Biodança foram discutidos durante o evento.

De acordo com a coordenadora do evento, professora Célia Maria de Oliveira, os objetivos foram: apresentar tecnologias inovadoras para o tratamento de dor e sensibilizar a comunidade acadêmica, profissionais de saúde e a sociedade em geral sobre a importância da inovação neste tratamento, para uma melhor qualidade de vida de pessoas que sofrem dor e de seus familiares. “A ocorrência de dor, especialmente crônica, é crescente e está relacionada a novos hábitos de vida, maior longevidade da população, modificações ambientais, reconhecimento de novas condições álgicas e a novos conceitos que traduzem o significado de dor”, ressaltou.

Pesquisas científicas sobre inovações no tratamento da dor foi tema da primeira palestra ministrada pelo Presidente da Comissão Executiva da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, Irimar de Paula Posso. Ele destacou que as últimas décadas viram avanços notáveis na compreensão dos processos de dor, bem como na avaliação e, até certo ponto, no tratamento da dor, com novas técnicas e tecnologias sendo aplicadas a um dos problemas mais antigos da humanidade.

Sobre as barreiras para o tratamento da dor, o professor Irimar pontuou: avaliação da dor de forma incompleta, esporádica ou não padronizada; transferência limitada de resultados derivados de ensaios clínicos randomizados para a prática clínica; problemas na transferência de evidências; falha em captar resultados de qualidade, a curto e longo prazo, e aplicá-los para adequado controle da dor; além de gastos desproporcionalmente baixos para pesquisa básica, translacional e clínica. “Os principais objetivos da pesquisa são: expandir o conhecimento básico, aperfeiçoar e diversificar métodos de pesquisa, formar força de trabalho em pesquisa, organizando esforços para obter financiamento, fomentar parcerias público-privadas e passar da pesquisa para a prática”, destacou.
Irimar posso
A dor translacional, segundo o professor, é a compreensão atual de dor: atributos físicos e psicossociais. Ele apontou, ainda, diversas áreas promissoras em pesquisa básica como Biomarcadores, Bioassinaturas, Proteômica, Metabolômica, Neuroimagem, Células-tronco e Pesquisa psicossocial.

O presidente da Sociedade Mineira de Estudo da Dor, Alexandre Mio Pós, falou sobre inovações na educação em dor e focou no relacionamento humano, na crise de opioides - drogas analgésicas que são utilizadas no tratamento de dores crônicas- e a crise do uso da cannabis.

De acordo com ele, por estar no mercado há muito tempo, as pessoas acreditam que a cannabis é uma droga que não tem riscos. Entretanto, ela leva ao aumento de adição, de emergências médicas, estes riscos são aumentados quando misturada com outras drogas, levando à perda da capacidade intelectual, retardo na tomada de decisões. “Há uma série de complicações demonstradas a este respeito”.

A professora Célia Maria de Oliveira, ministrou palestra sobre método inovador para avaliação de dor e sua repercussão na melhoria da qualidade de tratamento. Destacou que a dor, segundo a Sociedade Internacional para Estudo da Dor (IASP), é uma experiência sensorial e emocional desagradável. Portanto, é constituída pelo aspecto físico, emocional e social. A palestrante falou sobre as dificuldades e as estratégias para avaliação de dor. Célia apresentou um instrumento inovador, “Instrumento imagético”, para avaliação da localização e da intensidade da dor, desenvolvido durante o seu doutorado. Este instrumento, segundo ela, é composto por uma escala de cores e por um diagrama corporal. Destacou que o instrumento pode ser utilizado para facilitar o diagnóstico de dor, implementar o tratamento e para evoluir o quadro de dor. “Trata-se de uma excelente ferramenta de comunicação entre profissionais de saúde e seus pacientes”.

Biodança
Isaura Mascarenhas de Andrade, formada em Biodanza pela EBRT-MG Escola de Biodanza Rolando Toro – MG, explicou que a Biodança é uma proposta terapêutica de integração ideo-afetiva-motora, que combina música, movimento e emoções que induzem uma experiência a qual chamamos “vivencia”. “O encontro de Biodança é composto por dois momentos: um verbal e outro não verbal. O primeiro se compõe de informações sobre a teoria e o modus vivendi – ações a favor de uma vida com qualidade. O segundo consiste em exercícios com músicas selecionadas visando estimular e equilibrar as funções do organismo. Dessa forma, ativam-se os sistemas nervoso, endócrino e imunológico, estimula as funções dos vínculos, gerando sensações de conforto e bem-estar”, enfatizou. Nessa terapia, de acordo com Isaura, acontecem conexões e interações com a própria pessoa, com os participantes e com o grupo em geral. O grupo é o estimulador para a melhora da saúde do participante, qualidade de vida, vitalidade e alegria. Os exercícios físicos ajudam a reduzir a dor e a sintomatologia no geral, bem como, melhorar as funções físicas e emocionais e qualidade de vida.

Bruxismo e dor orofacial
Publico evento dorRoberto Brigido de Nazareth Pedras, Coordenador do Serviço de Dor Orofacial do Hospital das Clínicas da UFMG, explicou que a dor orofacial refere-se à dor associada aos tecidos moles e mineralizados da cabeça, face e pescoço. Já o bruxismo é atividade repetitiva dos músculos da mastigação, caracterizado por apertar, encostar ou ranger os dentes e/ou segurar ou empurrar a mandíbula. “O bruxismo apresenta duas manifestações circadianas: Bruxismo em vigília (BV), ocorre quando a pessoa está acordada e Bruxismo do sono (BS) que ocorre quando a pessoa está dormindo”.

Em dor orofacial, de acordo com Roberto, o bruxismo pode ser um dos fatores etiológicos para Disfunções temporomandibulares e Distúrbios dentoalveolares e de estruturas associadas (pulpite, trauma oclusal). No que diz respeito ao controle do bruxismo, ele citou que pode ser feito por meio de Placa estabilizadora, medicação, educação e conscientização, autocontrole por biofeedback e controle da ansiedade e do estresse com técnicas de relaxamento, hipnoterapia, terapia cognitivo/ comportamental.