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Simpósio sobre qualidade assistencial fundamentada na segurança do paciente reúne centenas de pessoas

evento adrianaCerca de 400 profissionais de saúde de diferentes estados do Brasil se reuniram nos dias 16 e 17 de maio, no Dayrell Hotel, para o VII Simpósio com o tema "Qualidade assistencial fundamentada na segurança do paciente", promovido pelo Núcleo de Pesquisa em Infecção Relacionada ao Cuidar em Saúde (NEPIRCS) e coordenado pela professora Adriana Oliveira.

Adriana destacou que a busca da qualidade da atenção nos serviços de saúde deixou de ser uma meta inatingível para se fazer presente, seja pela exigência da sociedade ou pela necessidade de se prestar um cuidado seguro e livre de riscos aos pacientes. “Esta exigência torna-se fundamental com a proposição de normas e mecanismos de avaliação e controle da qualidade assistencial, por meio da definição de indicadores, critérios e adoção de boas práticas, visando a redução dos comportamentos indesejáveis e inseguros, durante o processo assistencial, que possam repercutir em eventos adversos decorrentes do cuidado prestado”, enfatizou.

Ela destacou, também, que a Organização Mundial de Saúde, ao propor o programa cirurgia segura salvam vidas, estabeleceu com uma de suas metas, até o ano de 2020, uma redução das taxas de infecção do sitio cirúrgico em 25%, o que implicaria em uma significativa queda da morbidade e da mortalidade. “No entanto, ainda que, diversos estudos apontem que tais complicações podem ser preveníveis acima de 60%, elas continuam a ocorrer de forma devastadora. Precisamos discutir mais esses desafios, nos mobilizarmos mais e buscarmos mecanismos de nos envolvermos mais com nossas equipes, gestores, pacientes, familiares e sociedade, em uma cultura de segurança institucional sólida e efetiva”, ressaltou Adriana.

mesa de abertura nepircs

O coordenador do Serviço de Controle e Infecções Hospitalares e Infectologia dos Hospitais Vera Cruz, Lifecenter e Hospital de Olhos Rui Marinho, Carlos Starling , ministrou a conferência de abertura e destacou que no Dia Nacional do Controle de Infecções tem que comemorar uma coisa fundamental que é a perspectiva de que tudo está aberto, está por ser feito. “Temos que comemorar o universo de atividades que nós ainda temos que fazer, desde a higienização de mãos, que é um desafio muito grande, a vigilância epidemiológica, entrada da inteligência artificial no controle de infecções e o desafio das bactérias multirresistentes”, pontuou.

Ele ressaltou a importância de trabalhar no sentido de que as pessoas evoluam como seres humanos no trabalho, cada vez mais conscientes de que sempre terá muita coisa para ser feita. “O grande desafio é estimular as pessoas a trabalharem com emoção no dia a dia. Ela é a chave para fazer com que os profissionais de saúde trabalhem de forma cada vez mais consciente. Mão significa visão, água significa vida, ou seja, lavar as mãos significa consciência máxima sobre o que nós estamos fazendo com o outro e conosco. Esse é o grande desafio, fazer com que as pessoas prestem atenção nas questões simbólicas que estão envolvidas no trabalho no dia a dia”, enfatizou Carlos Starling.

Magda Machado de Miranda Costa, gerente da Gerência de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), enfatizou que a ANVISA está há 20 anos como Coordenadora Nacional da Prevenção e Controle de infecções no Brasil, continuando o trabalho que foi iniciado no Ministério da Saúde com o objetivo principal de reforçar as ações de vigilância, prevenção e controle das infecções no País e estimular que estados, municípios, regionais e o serviço de saúde se organizem para que essas ações sejam implementadas de forma mais efetiva. “Nosso trabalho tem sido focado na organização desses serviços, no fortalecimento, que a estruturação seja melhorada a cada tempo, medidas de capacitação em massa, os ensinos a distância para ajudar a população também a apoiar o controle de infecção nos serviços e a nossa vigilância epidemiológica das infecções que é realizada em todo país, são grandes avanços que tivemos nesses anos”, disse.

Boas práticas
A enfermeira Ana Maria Miranda, presidente do grupo NasceCME, ministrou a palestra Boas práticas para o processamento de produtos utilizados na assistência à saúde: discutindo os impactos da Consulta Pública 585/2018 da ANVISA. “A proposta do grupo foi avaliar as três consultas públicas que foram publicadas em 20 de dezembro de 2018: CP 584, 585 e a 586, três consultas distintas, mas a que mais nos chamou atenção, pelo segmento que o grupo atua (a maioria na Central de Material Esterilizado), foi a CP 585 que trata das boas práticas para o processamento de produtos”, esclareceu.

enfermeira Ana Maria MirandaSegundo Ana, essa consulta vem para substituir outras consultas de 2012 que tratavam de boas práticas para o processamento de produtos para saúde. “Parece que é uma coisa simples, mas o fato de ser excluída as duas palavras ‘para saúde’ causa impacto muito grande, porque quando você fala de ‘produtos para saúde’, são produtos específicos, que devem ser regularizados junto ao órgão regulador (a Anvisa) para que, desta maneira, eles possam ser processados na Central de Material e Esterilização”, completou.

Esterilização segura
A professora da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), Kazuko Uchikawa Graziano abordou sobre o conceito e a prática da esterilização segura. Segundo ela, para material termo resistente não tem método mais robusto, conhecido e mais explorado do que o vapor sob pressão. Já para métodos termossensiveis, de acordo com a professora, é preciso considerar a questão da difusibilidade do agente esterilizante.

Kazuko também destacou sobre o biofilme e seus impactos na prática clínica e na Central de Materiais Esterilizados (CME) e afirmou que é uma sabedoria circular: ‘melhor prevenir do que remediar’. “Porém, prevenir de fato parece ser impossível, tem pesquisas controladas laboratoriais dizendo que não dá para prevenir. Todo instrumental cirúrgico um dia vai formar biofilme, mas temos algumas providências que podem minimizar a formação deles”, ressaltou. Ela destacou, ainda, que os pressupostos que sustentam a segurança da esterilidade precisam que ser eficaz, compatível, seguro, e ter normas de fabricação, de qualificação e monitores. “São esses elementos que nos respaldam a segurança da esterilização”, finalizou.

Detergentes enzimáticos X não enzimáticos
O Diretor dos Laboratórios Anios, Philippe Nicolai mostrou o que é detergente, a química clássica e a bioquímica com enzima. Como podemos avaliar o poder limpador de um detergente e demonstrar que realmente tem uma eficácia sobre o substrato complexo e demonstrou também como a enzima pode ajudar aumentar esse poder detergente. “Na OPAS se fala de detergente que é muito importante e também de desinfetante. Já na primeira etapa, que seja na endoscopia ou na CME, tem um detergente com poder biocida”, enfatizou.
Ainda de acordo com Philippe, com detergente enzimático de qualidade, teremos uma ação sobre o biofilme e uma redução bem maior da contaminação. 


PhilipePhilippe Nicolai 

Expansão do conhecimento
Andrea Alfaya Acuña, secretária da Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização falou sobre a parceria entre a Escola de Enfermagem e SOBECC e pontuou que competência, habilidade e atitude começamos desde a faculdade. “Proporcionar que as pessoas conheçam a Sociedade e que saibam que existe uma entidade que podem recorrer para ampliar o conhecimento e para saber o que tem de novo, é de suma importância”.

A técnica de enfermagem e graduanda em Enfermagem, Joice Gomes, trabalha na central de material esterilização do Hospital Geral Clériston Andrade, em Feira de Santana, na Bahia e participa do evento nessa área pela terceira vez. “O conhecimento que adquirimos aqui é imenso, vou passar adiante a semente e colocar em prática na unidade que trabalho. Além disso, tudo que aprendo aqui engrandece o currículo profissionalmente e os estudos”, comentou.
Eveline de Oliveira Alves, coordenadora do complexo obstétrico do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, maternidade no Rio de Janeiro, reforça a importância do evento. “Todas as palestras foram com temas de grande relevância e importância, abordaram de formas que vão agregar conhecimento e valores”.