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Equidade é tema central da Semana da Enfermagem do Campus Saúde

A abertura solene da 29ª Semana da Enfermagem do Campus Saúde da UFMG, promovida pelo Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh, em parceria com a Escola de Enfermagem, aconteceu nesta terça-feira, 14 de maio, no CAD do HC. O tema central do evento nessa edição é  “Os desafios da enfermagem para a prática com equidade”.

MESA DE ABERTURA SEMANA ENFA mesa de abertura foi composta pela diretora da Escola de Enfermagem,  professora Sônia Maria Soares; superintendente do Hospital das Clínicas, professora Andrea Maria Silveira; coordenadora do evento e enfermeira do HC-UFMG, Taís Oliveira Gomes e pela chefe da Divisão de Enfermagem, Paula Cristina Barcelos Vasconcelos.

“Como a maior categoria da área da saúde, penso que nós, enfermeiras e enfermeiros, temos muito a dizer na construção do SUS, nos processos de investimento na formação e como podemos ser mensageiros de boas práticas na saúde, esse é o nosso propósito”, afirmou a diretora da Escola de Enfermagem. Sônia disse, ainda, sobre a temática do evento. “Acima de tudo, a nossa questão envolve ‘abrir-se para o outro’, é um verdadeiro desafio. Isso é, principalmente, valorizar e respeitar o outro no seu contexto com suas diferenças e nos abrirmos, também, para entender qual essência que fica de cada pessoa que chega até nós”, destacou .

A diretora do Hospital das Clínicas comentou sobre a qualidade da comemoração do evento, tendo em vista o Dia do Enfermeiro que foi no último domingo, 12 de maio. “A datas comemorativas das profissões cumprem várias funções, a primeira delas é a possibilidade de comemorar entre os pares, outra é termos uma exposição pública perante a sociedade, mas é, também, momento de fazermos uma reflexão sobre as nossas práticas”, afirmou Andrea.

A professora Kleyde Ventura de Souza também participou do momento solene de abertura e falou sobre a campanha “Nursing Now Brasil”, lançada no dia 24 de abril. O “Nursing Now” é uma iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Conselho Internacional de Enfermeiros que buscam chamar a atenção dos governos dos países integrantes da ONU, para que valorizem os profissionais de enfermagem que são essenciais para atingir as metas globais, nacionais e locais de saúde.

Marca pereiraA conferência de abertura abordou a temática da Semana da Enfermagem, “Os desafios da enfermagem para a prática com equidade”, ministrada pela professora do Departamento de Enfermagem Aplicada, Márcia dos Santos Pereira. De acordo com ela, antes de discutir os desafios para a prática, é necessário entender o que é equidade de fato. “As pessoas às vezes confundem igualdade e equidade. É importante saber que igualdade é tratar e pensar todos como iguais perante a lei, ou seja as pessoas tem os mesmos direitos e liberdades civis, já a equidade leva em consideração que as pessoas são diferentes, têm necessidades diversas, ela é mais inclusiva porque rompe com os preconceitos e com os estigmas”, defendeu. No tratamento em saúde, Márcia ressaltou que a equidade é fundamental. “Se o SUS oferecesse exatamente o mesmo atendimento para todas as pessoas, da mesma maneira, em todos os lugares, estaria provavelmente oferecendo coisas desnecessárias para alguns, deixando de atender às necessidades de outros, mantendo as desigualdades”, disse.

Para a conferência, a professora dividiu os desafios em quatro dimensões, a da assistência, gestão, formação e corporativa. Na dimensão da assistência, Márcia propôs superar a divisão técnica do trabalho na enfermagem , buscando o elo que une a equipe, ou seja o cuidado. Neste sentido, o enfermeiro deve assumir o seu protagonismo, incorporando a responsabilidade pela tomada de decisões no planejamento dos cuidados de enfermagem. Na dimensão da gestão, ela apontou o desafio de superar a dificuldade de tomar decisões de forma compartilhada e a necessidade de estabelecer uma forma de trabalho mais democrática e inclusiva. Sobre a formação e educação permanente, a professora afirmou que é preciso ir além do adestramento e treinamento e respeitar as diferenças e subjetividade dos profissionais e especificidades do processo de trabalho. O último desafio, o da dimensão corporativa, trata-se do pouco envolvimento político com a associações e órgãos de fiscalização. Segundo ela, “precisamos superar a pouca valorização que um contingente tão grande de profissionais tem em relação aos seus conselhos e associações, precisamos nos aproximar deles”, disse. E finaliza dizendo que para exercer uma prática equânime, justa e inclusiva, temos o desafio de fortalecer de forma simultânea a identidade coletiva e singular da enfermagem.

Na parte da tarde, a professora Juliana Marcatto, do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública, ministrou a palestra “O nosso cuidado está mesmo centrado no paciente?”. Segundo a professora, o modelo de cuidado centrado na pessoa e na família já tem sido trabalhado e discutido há algum tempo, porém, ainda existem barreiras à sua aplicação na prática clínica. “Apesar dos profissionais reconhecerem o cuidado centrado na pessoa e família como ferramenta essencial para o cuidado integral, a aplicação de metodologias que tornam a abordagem prática e viável ainda é incipiente no contexto da assistência hospitalar. Atualmente o que mais vivenciamos são processos assistenciais estabelecidos a partir das demandas institucionais e dos profissionais que atuam nas diversas unidades. As demandas e prioridades dos pacientes e seus familiares acabam sendo secundárias e com muita frequência, pouco valorizadas no cotidiano da assistência em saúde. Para mudar esse cenário é preciso imprimir intencionalidade, criar estratégias para ouvir os pacientes e suas famílias, implementar políticas organizacionais de consultoria e feedback. Precisamos aprender a enxergar as individualidades dentro do contexto coletivo, reconhecer o que é importante para o indivíduo e tornar essas demandas compatíveis com as demandas da equipe, da gestão e da instituição ", argumentou.
Juliana Marcatto1

A programação segue até amanhã, 16 de maio. As atividades não requerem inscrição prévia e haverá emissão de certificado. Minicursos com vagas esgotadas. Confira aqui a programação completa.