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Em webconferência, professora Annette Costa fala sobre saúde mental na atenção básica

Annette A professora aposentada do Departamento de Enfermagem Aplicada da Escola de Enfermagem da UFMG, Annette Costa, realizou a webconferência sobre Saúde mental na atenção básica para o Projeto Telenfermagem, no dia 24 de abril, para a equipe de enfermagem do PSF dos municípios do estado de Minas Gerais cadastrados pelo Programa Nacional de Telessaúde Brasil Redes.

A professora esclarece que no Brasil, em contraposição ao modelo manicomial que vigorou exclusivamente até o final da década de 70, ocorreram mudanças substanciais na assistência psiquiátrica com a reversão do modelo hospitalocêntrico de atenção e criação de novos dispositivos de atendimento. “Essas mudanças foram fundamentais para selar um compromisso com uma assistência mais humanizada e cidadã para os usuários com sofrimento psíquico. É nesse contexto que a atual Reforma Psiquiátrica Brasileira apresenta uma direcionalidade para uma rede única de atendimento à população, regionalizada e hierarquizada, segundo o nível de complexidade”, explicou.

Ela disse que a Reforma Psiquiátrica possibilitou uma oferta de cuidados diferenciados aos portadores de sofrimento psíquico, com mudanças significativas nos saberes e práticas assistenciais.

Annette apontou que a rede de atenção à saúde mental é formada por diferentes dispositivos de atenção, tendo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) como articuladores estratégicos dessa lógica. “Os CAPS (com espaços específicos para adultos, crianças ou adolescentes e dependentes de álcool e outras drogas), os serviços residenciais terapêuticos, hospitais gerais, serviços de urgência e emergência, dentre outros compõem a rede de serviços de saúde”. A professora destacou que são também elos da rede os recursos das comunidades por meio de organizações não-governamentais, associações de moradores, cooperativas de trabalho, escolas, famílias e suas associações e todos os demais dispositivos que se articulem ao modo de vida dos cidadãos de um determinado território.

“Entretanto a complexidade e amplitude das questões ligadas à saúde mental apontam para a necessidade de integrar essa rede aos serviços de Atenção Primária, tornando esse modelo de atenção à Saúde Mental proposto mais descentralizado, com oferta de serviços mais próximos das residências das pessoas”, explicou.

A professora enfatizou que a articulação da Saúde Mental na Atenção Primária, requer conhecimento e preparo por parte das equipes de saúde da família quanto às formas de abordagem, de tratamento e encaminhamentos possíveis. “A não responsabilização acaba por afastar o usuário, direcionando-o para os serviços substitutivos ou para os hospitais psiquiátricos, que continuam a representar, em muitos casos, o lugar social da doença mental, o lugar da loucura”, finalizou.