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Doenças na população após tragédia ambiental são abordadas em webconferência

A professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG, Jandira Maciel, realizou webconferência sobre doenças na população após tragédia ambiental para o Projeto Telenfermagem, no dia 10 de abril, para a equipe de enfermagem do PSF dos municípios do estado de Minas Gerais cadastrados pelo Programa Nacional de Telessaúde Brasil Redes.

Segundo ela, desde o rompimento em Brumadinho, foram registradas ou estão em processo de registro no Sistema Nacional de Mortalidade 208 mortes relacionadas à tragédia. Mais de 70% delas (149) foram registradas ou estão em processo de lançamento no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) como tendo sido causadas por acidente de trabalho grave.

A professora citou outras grandes tragédias que ocorreram em outros países, como a Índia, para concluir que o comportamento das empresas pelo mundo tem sido muito parecido com esse que estamos vendo em Brumadinho. Para Jandira, em situações como essas as populações locais precisariam se unir na busca de outras formas de organizar o mundo do trabalho, construindo novas opções por exemplo a mineração, no caso do município. “Esta tragédia traz impactos imediatos, de médio e de longo prazo que irão extrapolar os limites físicos e estruturais da empresa/organização”, reforçou.
Jandira Maciel
Ela destacou, ainda, que o tecido social do território atingido é aniquilado, provocando danos humanos, sociais, culturais, econômicos e ambientais em todo território atingido. “A organização de inúmeras outras atividades econômicas nos territórios atingidos fica comprometida, a exemplo da produção agropecuária, do artesanato, da pesca, do turismo, das atividades culturais, entre outras, afetando a renda, a subsistência e o modo de vida desses trabalhadores e de toda população”. Jandira aponta que a saúde das populações atingidas, incluindo trabalhadores e trabalhadoras, gera demandas imediatas com a morte e inúmeros danos à saúde de familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho como, traumatismos e pequenos ferimentos diversos; angústia, desespero, impotência e sentimento de profundo abandono. E a médio e longo prazo, a professora esclarece sobre os adoecimentos diversos em crianças, jovens, adultos e pessoas idosas: sintomas respiratórios, dermatológicos, quadros de gastroenterites, agravamento de doenças crônicas, que podem se manifestar picos de hipertensão arterial; sofrimento psíquico-social - ansiedade, insônia, depressão, cefaléia; violência; abuso de álcool e outras drogas etc.

A professora ainda advertiu que ocorrências como a da barragem do Córrego do Feijão podem destruir o futuro daqueles que permanecem no território, levando ao adoecimento da saúde mental e consequentemente a casos de depressão, de violências diversas e de piora no quadro das doenças crônicas.