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Projeto de Extensão realiza ações educativas e de intervenção em saúde com pessoas em situação de rua

Leomarques Norton da Silva Lúcio, 27 anos, há sete vive nas ruas de Belo Horizonte. “A pessoa em situação de rua, às vezes nem se sente visibilizada. Isso causa esse estigma de depressão que faz com que ela continue na rua. Mas elas também são seres humanos como qualquer outro”, disse enquanto frequentava um encontro do Projeto de Extensão da Escola de Enfermagem que realiza trabalhos com a População em Situação de Rua (PSR). “Essas ações que são feitas, mesmo que duas vezes por mês, nos faz entender que essas pessoas também são importantes para a sociedade e não são tão invisíveis como elas acham”, opina Leomarques. Era seu primeiro dia no projeto e ele garantiu que tem intenção de voltar nos próximos encontros.

Ação Gisele POPO Projeto de extensão é coordenado pela professora Giselle Lima de Freitas, do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública (EMI), e visa o aperfeiçoamento da assistência e da educação em saúde para a PSR. “As pessoas atendidas pelo projeto são frequentadores do Centro de Referência Especializado em Pessoas em Situação de Rua (CentroPOP) que faz parte da área de abrangência da Unidade de Saúde Oswaldo Cruz, no Barro Preto”, contextualiza Giselle.

Com a participação dos professores Alexandra Dias, Francisco Lana e Sheila Lachtim e da aluna voluntária do curso de Nutrição, Carolina Preihsner, o projeto realiza oficinas e atividades educativas com temas de relevância para a saúde da PSR como: Doenças Sexualmente Transmissíveis, uso de Métodos Contraceptivos e autocuidado feminino, Tuberculose, Hanseníase, saúde do homem, nutrição, uso de álcool e drogas e outros. As ações educativas fazem parte do cronograma de atividades do CentroPOP e ocorrem quinzenalmente, às sextas-feiras.

De acordo com a coordenadora do projeto, a população em situação de rua é um grupo vulnerável e suscetível a problemas de saúde, por isso a escolha por essa parcela. “A PSR experimenta vivências de violência e marginalização com dificuldade de acesso a serviços de saúde e de assistência social. A dificuldade de acesso a serviços de saúde impõe a essa população o convívio com doenças preveníveis e tratáveis, a impossibilidade de realização de cuidados e exames básicos, a dificuldade de acesso a medicamentos e vacinas fornecidos gratuitamente e dificuldades de atendimento em serviços de urgência e emergência”, argumenta.

oficina giselleA coordenadora do CentroPOP, Aléxa Rodrigues do Vale, reforça a fala de Giselle a respeito da situação mais vulnerável em que se encontra a população em situação de rua. “A população de rua tem seus direitos violados cotidianamente e historicamente as ofertas de políticas públicas para esse grupo se restringiu na assistência social”, comenta. Para ela, o projeto vem justamente ampliar esse trabalho já realizado com a PSR. “O projeto de extensão vem corroborar e promover o acesso à saúde de forma educativa, na prevenção de doenças e promoção da saúde. Ele tem auxiliado na adesão dos usuários do serviço aos tratamentos de saúde, como também na autoestima, autocuidado e prevenção de doenças. É possível verificar a grande adesão dos usuários nas oficinas o que já indica a demanda latente pelo tema e a avaliação positiva da condução das rodas de conversa”, concluiu.

Assim como Leomarques, a jovem de 26 anos, conhecida como Bruna, participou do projeto pela primeira vez no encontro que aconteceu na última sexta-feira, 26 de Abril. Para ela, o ganho de conhecimento em saúde para essa parte da população é muito importante. “Às vezes tem moradores de rua que não conhecem e não sabem que têm alguma doença, ou tem medo de fazer exames e medo de falar, e aí você conhecendo a saúde que tem e o corpo que carrega, passa a saber onde que dói e onde que machuca, esse conhecimento é importante”, disse. Reforçando a fala de Bruna, Alexandre Siqueira de Souza, 46 anos, que está em situação de rua há pouco mais de um ano, disse frequentar os encontros desde o princípio e que o mais importante, para ele, são os ensinamentos adquiridos. “É um aprendizado muito grande para mim, tem coisas que eu já sabia e tem coisas que estou aprendendo com as palestras”, disse.

Para Renato Mendes de Oliveira, enfermeiro que atua no Centro de Saúde Oswaldo Cruz e atende no CentroPOP, todo mundo é beneficiado pelos conhecimentos trazidos pelo projeto. “Quem ganha com isso? A sociedade, as próprias pessoas em situação de rua e até mesmo os profissionais de saúde, pois quando você atende alguém que já tem algum certo conhecimento da sua situação de saúde, é de extrema importância”, disse.

Segundo Giselle, as ações realizadas têm em média de 15 a 20 pessoas por encontro, tendo níveis altos de retorno. “Em todas as ocasiões, observa-se uma boa receptividade, com interação e participação. Eles participam de forma ativa fazendo questionamentos e relatando suas experiências pessoais”, narra.

Redação: Teresa Cristina, estagiária de Jornalismo
Edição: Rosânia Felipe