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Homenagem a mulheres debate a contemporaneidade das lutas

Mulheres em focoO Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, é uma data marcada por homenagens, mas vai além de flores. Surgido a partir da mobilização de operárias em prol de direitos trabalhistas, o dia celebra as conquistas da luta feminista. E foi pensando nesses avanços, bem como nas lutas atuais, que a Faculdade de Medicina da UFMG promove o “Mulheres em foco – recortes na contemporaneidade”, evento com programação ampla e aberto ao público. As inscrições são online e podem ser feitas até o momento do seminário, com direito a certificado de participação.

“A luta da mulher sempre esteve muito ligada a fatos de violência, por isso pensamos em fazer desse dia algo especial, colocando as mulheres como foco. Claro que houve perdas, mas também ganhos. Por isso não é só entregar flor ou enfeitar o local, é preciso mostrar o que já conseguimos até hoje e que há entidades e pessoas que lutam junto a elas”, ressalta a idealizadora do evento e professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade, Patrícia Gonçalves Teixeira.

“Queremos aproximar a comunidade e dar oportunidade para que conheçam o que está sendo feito e o que podemos fazer, principalmente aqui em Belo Horizonte, para que as mulheres possam se localizar e recorrer, caso necessitem”, continua Patrícia. Para pontuar essas questões e os diferentes aspectos da violência por quais as mulheres passam, assim como as ações de acolhida e combate, compõe a programação especialistas da Medicina, Hospital das Clínicas, Ciências Políticas, Belas Artes e da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas.

“É importante ter essa visão ampla, para além da cura ou da doença. Assim, como os grupos presentes nesta Instituição como as “Alziras” e o “Para Elas”, há experiências exitosas relacionadas com a parte política, do direito e psicológica. Por exemplo, a assessoria jurídica gratuita ofertada pela Faculdade de Direito da UFMG, ou papel do teatro e das artes nas abordagens da violência contra a mulher”, comenta a professora.

Patrícia lembra que o foco é a mulher, mas a programação é para todos. “Vivemos em uma sociedade e não há luta isolada. Ela precisa ser compreendida. Não estamos separando as mulheres, mas agregando-as e mostrando que precisamos de espaço para viver livre e em paz”, lembra. Ela ainda pontua que, embora seja um dia delas, muitas trabalham e tem dificuldade de comparecer ao evento. “Nosso objetivo é alcançar um público diversificado. Seria interessante pensar em formas de facilitar essa participação ou estabelecer um revezamento, por exemplo, no qual as que puderem participar levem o conhecimento às que não podem”.

Programação
As palestras envolverão temas como machismo cultural, a autonomia política das mulheres, perspectiva do aborto legal, serviços de atenção às mulheres vítimas de violência sexual, o projeto Para Elas, resistência e luta das mulheres negras, a representatividade da mulher dentro da Faculdade de Medicina e o papel ético da Universidade nesse contexto.

Além das palestras, é possível participar da apresentação cultural e conferir as ações realizadas fora do Salão Nobre. Nos televisores do Corredor da Memória, por exemplo, à esquerda da entrada, será exibida a história do Dia Internacional da Mulher. No hall da Faculdade haverá um recorte da exposição “Mulheres Cabulosas da História”, que retrata e conta a vida inspiradora de algumas mulheres revolucionárias, por meio de fotos.

Já no Instituto Jenny de Andrade Faria será realizada ações como massoterapia, maquiagem, auriculoterapia, reiki e oficina de como colocar lenço.

Além disso, durante todo o evento será possível doar produtos de higiene pessoal que serão repassados às mulheres em situação de vulnerabilidade social ou adquirir as bijuterias confeccionados por participantes do Projeto Para Elas. Confira aqui a programação.

(Com Centro de Comunicação da Faculdade de Medicina da UFMG)