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Novembro Azul: Câncer de Próstata é o segundo câncer mais comum entre os homens

novembro azulA cada 38 minutos um homem morre no Brasil devido ao Câncer de Próstata, os dados alarmantes são do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Ainda de acordo com o INCA, é estimado para o biênio 2018 e 2019, 60 mil novos casos da doença para cada ano. A enfermeira, professora do Departamento de Enfermagem Básica (EEUFMG), e coordenadora da Programa de Extensão Rede Mineira de Enfermagem e Pesquisa Clínica em Oncologia, Giovana Paula Rezende Simino, explica que o câncer de próstata é uma neoplasia maligna, característica de homens principalmente a partir dos 65 anos de idade.

A doença, que é o segundo câncer mais comum entre os homens perdendo apenas para o câncer de pele, tem a idade como principal fator de risco. Giovana esclarece que o hormônio testosterona está associado ao desenvolvimento da doença, servindo como um agente cancerígeno, por isso a idade como fator de risco, pois quanto maior a idade, maior a exposição do homem ao hormônio ao longo da vida. Há, ainda, o fator hereditário. “Pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos pode aumentar o risco de se ter a doença”, explica a enfermeira.

A possibilidade de cura está ligada a descoberta do câncer ainda na fase inicial, por esse motivo os exames preventivos são de extrema relevância. Além disso, “é de fundamental importância que o homem conheça os sinais e sintomas da doença e que a equipe de saúde aproveite as consultas e acessos aos serviços de saúde para possibilidade de prevenção oportunista para o câncer de próstata”, acrescenta Giovana.

A descoberta na fase inicial da doença auxilia, ainda, no próprio tratamento. “A detecção precoce traz a possibilidade de tratamentos mais conservadores para o paciente”, afirma a professora. São dois os tipos de exames de detecção precoce contra o câncer de próstata que podem ser feitos, o laboratorial por meio de exame de sangue em que é verificada a dosagem de PSA (antígeno prostático específico), e por meio do exame físico clínico, com o toque retal. O último tipo enfrenta, até hoje, preconceitos e tabus relacionados a fatores culturais. Vale ressaltar que o Ministério da Saúde não recomenda periodicidade para a realização dos exames, visto a possibilidade de sobrediagnóstico e tratamentos que podem ser mais prejudiciais que o câncer que não evoluiria clinicamente. Apesar do cenário preocupante em que a doença está envolvida, o Ministério da Saúde esclarece que o câncer de próstata pode ter comportamento latente, ou seja, não se desenvolver. “O idoso pode morrer com o câncer sem ter sintomas da doença”, a professora reforça. De toda forma, o acompanhamento com profissionais de saúde é necessário.

Sobre isso, a Giovana aponta para a importância de campanhas de conscientização e de combate ao preconceito e defende, ainda, que os homens cuidem da saúde ao longo de toda a vida. “Muitos homens que não realizaram exames de detecção precoce ao longo da vida têm ainda mais dificuldade em criar o hábito da prevenção. Nesse sentido, a educação para prevenção em campanhas realizadas na atenção primária à saúde podem trazer benefícios para a melhoria da adesão à prevenção”, afirma.

Apesar do cenário preocupante em que a doença está envolvida, o Ministério da Saúde esclarece que o câncer de próstata pode ter comportamento latente, ou seja, não se desenvolver. “O idoso pode morrer com o câncer sem ter sintomas da doença”, a professora reforça. De toda forma, o acompanhamento com profissionais de saúde é necessário.

Assim como qualquer câncer, para a prevenção é importante levar a vida de maneira saudável, baseada em exercícios físicos e alimentação rica em frutas e verduras. Giovana completa: “uma vida livre do tabaco e de bebidas alcoólicas são medidas protetivas contra o câncer”.

Tratamento e Cirurgia
O tratamento da doença, possibilitado pelo Sistema Único de Saúde de maneira completa, está baseado em cirurgia e radioterapia, mas pode ser complementado com hormonioterapia e quimioterapia, explica a professora Giovana Simino. 

A enfermeira e professora do Departamento de Enfermagem Básica da EEUFMG, Luciana Regina Ferreira da Mata, pesquisadora da área de cuidados pós operatórios relacionados à cirurgia de próstata, esclarece que a cirurgia padrão para pacientes que apresentam a doença é a prostatectomia radical que consiste na remoção da próstata, das vesículas seminais e dos linfonodos presentes no quadril.

“Nos casos de tumores restritos à próstata, essa cirurgia constitui a única forma de tratamento realmente curativo”, afirma Luciana. De acordo com ela, esse é o método mais seguro e confiável para extinguir o câncer de próstata localizado e apresenta mais sucesso quando a doença é diagnosticada precocemente.

A professora Luciana da Mata assegura que os riscos dessa cirurgia são muito parecidos com os de qualquer cirurgia de grande porte (reações à anestesia, hemorragia, coágulos sanguíneos em membros inferiores ou pulmões, lesões a órgãos próximos, infecção no local da incisão).

No que tange às possíveis complicações pós operatórias, a professora Luciana ressalta que as complicações mais temidas é a incontinência urinária e a disfunção erétil. “Geralmente o controle da bexiga, retorna ao normal dentro de alguns meses após a cirurgia, contudo, conforme a dimensão do tumor e a complexidade para sua remoção, a incontinência urinária é prolongada. Os nervos que permitem as ereções podem estar lesionados ou terem sido removidos, impedindo a ereção durante a relação sexual. A capacidade de ter novamente ereções após a cirurgia ocorre lentamente, às vezes, precisando usar medicamentos ou outros tratamentos”, afirma.

A professora Luciana da Mata reforça que os cuidados pós operatórios, principalmente os relacionados à educação em saúde, são muito importantes. “A falta de conhecimento sobre como será a recuperação e como realizar o autocuidado em domicílio pode ter um significativo impacto para uma recuperação pós-operatória saudável, sendo também um dos motivos para desencadeamento das morbidades psicológicas (ansiedade e depressão)”, reitera a enfermeira.

O papel que o profissional de enfermagem desempenha por esse ângulo é significativo. “O enfermeiro desempenha importante papel no preparo para alta de pacientes submetidos à prostatectomia radical, uma vez que estes, frequentemente, deixam o hospital com dúvidas e expectativas. A abordagem realizada pela equipe de enfermagem, então, deve contemplar não só o ensino do autocuidado, mas também o apoio emocional e informações”, disse Luciana.

Fique atento aos sintomas e sinais
Segundo a professora Giovana Simino, sintomas e sinais da doença podem indicar o câncer já em progressão. Por isso, é importante estar atento a alterações do tipo:

• Dor ao urinar;
• Fluxo urinário fraco ou interrompido;
• Dor pélvica;
• Sangramento na urina ou no líquido seminal;
• Necessidade de urinar mais vezes ao longo do dia e noite;
• Disfunção erétil.

Deve-se ficar atento a apresentação desses sintomas e sinais, porém a doença pode surgir também assintomática, os exames preventivos, então, são sempre indicados e de extrema importância. Na presença de qualquer uma dessas alterações, consulte um profissional de saúde.
Redação: Teresa Cristina– estagiária de Jornalismo
Edição: Rosânia Felipe