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Professora Margareth Zanchetta participa de ciclo de debates sobre modelo canadense de promoção da saúde populacional

Na última quinta-feira, 18 de outubro, no Anfiteatro da Pós Graduação foi realizada a segunda edição do Ciclo de Debates da Pós-graduação em Enfermagem. O tema dessa edição foi o “Modelo canadense de promoção da saúde populacional” e teve como convidada e palestrante a professora Margareth Zanchetta, da Escola de Enfermagem Daphne Cockwell, Ryerson University, Toronto/Canadá.

A professora Kênia Lara Silva, coordenadora do Colegiado de Pós-graduação em Enfermagem da UFMG enfatizou sobre a importância de discutir esse tema. “Conhecer melhor as bases conceituais e a aplicação do modelo de promoção da saúde canadense é fundamental e poderá direcionar novos campos de pesquisas no nosso Programa e na Escola de Enfermagem ".

ProfaMargareteMargareth, brasileira e enfermeira de formação, mora no Canadá desde 1995 e explicou que o modelo canadense de promoção da saúde não é um modelo novo. Sua história tem início na conferência de Alma-ata que aconteceu em 1978. Trata-se da Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde que visava a promoção da saúde de maneira universal. Margareth conta, ainda, que atualmente há uma movimentação para que seja resgatado o que foi pensado em 78. “Naquela ocasião, o grande sonho era saúde para todos no ano 2000, vivemos quase 30 anos idealizando o hoje, isso quer dizer, praticamente 50 anos depois não conseguimos aquilo que a gente sonhou”, comentou.

Baseado na conferência de 78, aconteceu, em novembro de 1986, um encontro na cidade de Ottawa, capital do Canadá, foi a primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde. A professora explicou que nessa conferência representantes de vários governos assinaram a Carta de Ottawa. “Essa carta dá origem a toda política internacional de promoção da saúde”, afirmou. Margareth comenta que questões como desenvolvimento de habilidades pessoais, reorientação dos serviços de saúde, fortalecimento da ação comunitária e a criação de ambientes de apoio são alguns dos pontos tratados na carta.

Em sua palestra, Margareth apontou, também, dificuldades enfrentadas pelo Canadá na promoção de saúde. O grande número de imigrantes de países diversos é uma dessas dificuldades, a professora explicou que esse ponto exige adaptações do país no trabalho da promoção. Além disso, esses imigrantes, geralmente, fazem parte de grupos minoritários (como a população negra) e isso exige uma atenção diferente.

Outra dificuldade enfrentada diz respeito ao aumento significativo da população de rua. “Sem habitação ninguém pode viver com saúde”, afirmou Margareth. Segundo ela, alguns projetos têm sido realizados para lidar com a saúde de moradores de rua, como é o caso das “Street Nurse” que, em tradução livre, significa enfermeira de rua. Juntamente a uma equipe, enfermeiras têm ido às ruas para verificar a saúde das pessoas em situação de rua. A professora conta também que há movimentos que pedem construção de moradias para essa parcela da população.
Redação: Teresa Cristina– estagiária de Jornalismo
Edição: Rosânia Felipe